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    "Sebenta"
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  "title": "Demonstração lógica da existência do Pai Natal",
  "author": {
    "name": "Domingos Faria"
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  "content": "<!-- wp:paragraph -->\n<p>Afinal as crianças têm razão: o Pai Natal existe. Aqui está a prova lógica. Para começarmos a provar logicamente a existência do Pai Natal, considere-se a seguinte frase:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><!-- wp:paragraph -->\n<p>(S) Se a frase S é verdadeira, então o Pai Natal existe.</p>\n<!-- /wp:paragraph --></blockquote>\n<!-- /wp:quote -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ora, pode-se reescrever (S) da seguinte forma, em que S abrevia ‘a frase S é verdadeira’ e N abrevia ‘o Pai Natal existe’:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><!-- wp:paragraph -->\n<p>(S) S → N</p>\n<!-- /wp:paragraph --></blockquote>\n<!-- /wp:quote -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Do mesmo modo, dizer que a frase (S) é verdadeira é equivalente a dizer-se que se a frase S é verdadeira, então o Pai natal existe. Por isso:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><!-- wp:paragraph -->\n<p>S ↔︎ (S → N)</p>\n<!-- /wp:paragraph --></blockquote>\n<!-- /wp:quote -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A partir desta equivalência [designada como frase-V] podemos fazer a seguinte demonstração da existência do Pai Natal:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><!-- wp:list {\"ordered\":true} -->\n<ol class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>S ↔︎ (S → N)                 [Frase-V para (S)]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>S → (S → N)                    [Simplificação, de 1]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(S → N) → S                    [Simplificação, de 1]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>S → N                    [Contração, de 2]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>S                            [Modus Ponens, de 3 e 4]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>N                            [Modus Ponens, de 4 e 5]</li>\n<!-- /wp:list-item --></ol>\n<!-- /wp:list --></blockquote>\n<!-- /wp:quote -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Portanto, o Pai Natal existe.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>No entanto parece haver algo de errado com isto; pois com esta demonstração conseguimos provar seja o que for que quisermos. Basta substituir Pai Natal por outra coisa qualquer para assim a provarmos. Deste modo, conseguimos demonstrar a existência de Deus, mas também conseguimos provar que a lua é feita de queijo verde, etc, tal como ilustra Arthur Prior (1955). De igual forma conseguimos provar o contrário: que o Pai Natal não existe, que Deus não existe, que a lua não é feita de queijo, tendo assim uma demonstração que leva a contradições. Este tipo de paradoxo foi inventado por Haskell Curry (1942) e é conhecido como o “paradoxo de Curry”.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O que haverá então de errado nesta prova da existência do Pai Natal? Talvez se possa negar a regra da contração, tal como sugere Hartry Field, e assim não se pode derivar o passo (4). No entanto, pode-se recorrer a uma derivação alternativa que não utilize essa regra para chegar à mesma conclusão:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><!-- wp:paragraph -->\n<p>(1’) S ↔︎ (S → N)&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;[Frase-V para (S)]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(2’) | S&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;[suposição, para prova condicional]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(3’) | S → N&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [Modus Ponens, de 1’ e 2’]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(4’) | N&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [Modus Ponens, de 2’ e 3’]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(5’) S → N&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [prova condicional, de 2’-4’]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(6’) S&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [Modus Ponens, de 1’ e 5’]</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>(7’) N&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [Modus Ponens, de 5’ e 6’]</p>\n<!-- /wp:paragraph --></blockquote>\n<!-- /wp:quote -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Perante isto talvez se possa negar a regra do Modus Ponens, tal como Graham Priest propõe na sua lógica paraconsistente, e assim não se pode derivar os passos (6’) e (7’), nem o (3’) e (4’). Mas não será isso um custo demasiado alto? Então como resolver este problema???</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Para saber mais sobre este paradoxo pode clicar&nbsp;<a href=\"http://plato.stanford.edu/entries/curry-paradox/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>aqui</strong></a>. Com este paradoxo, desejo um Feliz Natal a todos os leitores deste blog ;)</p>\n<!-- /wp:paragraph -->",
  "summary": "Afinal as crianças têm razão: o Pai Natal existe. Aqui está a prova lógica. Para começarmos a provar logicamente a existência do Pai Natal, considere-se a seguinte frase: (S) Se a frase S é verdadeira, então o Pai Natal existe. Ora, pode-se reescrever (S) da seguinte forma, em que S abrevia ‘a frase S é...",
  "createdAt": "2014-12-18T12:37:00+00:00",
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