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"Sebenta"
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"title": "Argumento Modal da Consequência",
"author": {
"name": "Domingos Faria"
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"content": "<!-- wp:paragraph -->\n<p>O argumento modal da consequência de Peter van Inwagen (1983) tem como objetivo mostrar que o compatibilismo é falso e que o incompatibilismo é verdadeiro.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Abreviaturas:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>‘L’ = ‘conjunção das leis da natureza’.</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>‘H’ = ‘conjunção das afirmações verdadeiras que descrevem o estado do mundo num tempo anterior à existência dos seres humanos’.</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>‘P’ = ‘variável proposicional que pode ser substituída por qualquer proposição acerca de uma ação, tal como «levantei o meu braço»’.</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>‘□’ = ‘é logicamente necessário que’.</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>‘N<em>P</em>’ = ‘<em>P</em> (é o caso) e ninguém tem, ou alguma vez teve, qualquer escolha acerca se <em>P</em> (é o caso)’, em que <em>P</em> é uma variável proposicional que pode ser substituída por qualquer proposição acerca de uma ação’. [Ou seja, ‘não depende de nós que <em>P</em>’]</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Regras de inferência para o operador ‘N’:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>Regra (α): □P ∴ NP</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Regra (β): N(P→Q), NP ∴ NQ</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Teses:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>Tese do determinismo = □((H∧L)→P)</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Tese do livre-arbítrio = ¬NP</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Incompatibilismo = □((H∧L)→P)→NP</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Compatibilismo = □((H∧L)→P)∧¬NP</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Formulação do argumento modal consequência:<</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>(1) □((H∧L)→P) [premissa-suposição, definição de determinismo]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(2) NH [premissa, passado remoto não depende de nós]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(3) NL [premissa, as leis da natureza não dependem de nós]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(4) ∴ □((H∧L)→P)→NP [conclusão, tese do incompatibilismo]</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Dedução natural do argumento modal da consequência:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>(1) □((H∧L)→P) [premissa-suposição, definição de determinismo]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(2) NH [premissa, passado remoto não depende de nós]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(3) NL [premissa, as leis da natureza não dependem de nós]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(4) □(H→(L→P)) [de 1, regra de exportação para a lógica modal]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(5) N(H→(L→P)) [de 4, regra (α)]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(6) N(L→P) [de 2 e 5, regra (β)]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(7) NP [de 3 e 6, regra (β)]</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>(8) □((H∧L)→P)→NP [de 1-7, regra de introdução da condicional]</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Será este um argumento procedente? O compatibilista (determinista moderado) não pode aceitar a conclusão (8), pois isso seria a negação da sua tese. Assim, para continuar a defender a tese do determinismo moderado, o compatibilista terá de rejeitar alguma das seguintes proposições:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>NH</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>NL</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>A regra (α) é válida</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>A regra (β) é válida</li>\n<!-- /wp:list-item --></ul>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Mas será alguma dessas vias uma opção realmente viável?</p>\n<!-- /wp:paragraph -->",
"summary": "O argumento modal da consequência de Peter van Inwagen (1983) tem como objetivo mostrar que o compatibilismo é falso e que o incompatibilismo é verdadeiro. Abreviaturas: ‘L’ = ‘conjunção das leis da natureza’. ‘H’ = ‘conjunção das afirmações verdadeiras que descrevem o estado do mundo num tempo anterior à existência dos seres humanos’. ‘P’ =...",
"createdAt": "2015-03-23T12:53:00+00:00",
"updatedAt": "2025-07-25T12:54:25+00:00"
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