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    "Sebenta"
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  "title": "Inconsistência entre perfeição moral e liberdade divina",
  "author": {
    "name": "Domingos Faria"
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  "content": "<!-- wp:paragraph -->\n<p>Os teístas acreditam que Deus é absolutamente e perfeitamente bom. Mas em simultâneo acreditam que Deus é livre. Contudo, pode-se argumentar que há uma tensão entre perfeição moral e liberdade divina ao sustentar-se que se Deus é moralmente perfeito, então não é livre; e se ele é livre, então não é moralmente perfeito. Isto porque se Deus é moralmente perfeito, então deve, em todas as circunstâncias, fazer a melhor coisa que é possível para ele fazer. Assim, assumindo que há um melhor mundo possível, Deus deve criar esse mundo e não outro. Mas, assim, Deus não é livre com respeito à sua ação de criar.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Porém, suponha-se que, não há o melhor mundo possível, mas uma série infinita de mundos cada vez melhores. Nesse caso, a situação é incompatível com a existência de um ser moralmente perfeito. Isto porque, por um lado, se Deus é um ser moralmente perfeito essencialmente, então não é possível que exista um ser moralmente melhor do que Deus. Contudo, por outro lado, se Deus cria um mundo quando há um mundo melhor que ele poderia criar (dado que a série de mundos é infinita), então é possível haver um ser moralmente melhor do que Deus. Desta forma, temos uma inconsistência. William Rowe desenvolve este argumento no livro&nbsp;<em>Can God Be Free?</em>&nbsp;e pode ser apresentado desta forma:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list {\"ordered\":true} -->\n<ol class=\"wp-block-list\"><!-- wp:list-item -->\n<li>Ou há ou não há o melhor de todos os mundos possíveis.</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Se há o melhor de todos os mundos possíveis, então Deus não é livre (uma vez que teria de criar esse mundo).</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Se não há o melhor de todos os mundos possíveis, então Deus não é perfeitamente bom (uma vez que seja qual for o mundo que ele crie, é possível criar um mundo melhor).</li>\n<!-- /wp:list-item -->\n\n<!-- wp:list-item -->\n<li>Logo, Deus não é simultaneamente livre e perfeitamente bom.</li>\n<!-- /wp:list-item --></ol>\n<!-- /wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Será este um bom argumento? O argumento é logicamente válido, mas será sólido?</p>\n<!-- /wp:paragraph -->",
  "summary": "Os teístas acreditam que Deus é absolutamente e perfeitamente bom. Mas em simultâneo acreditam que Deus é livre. Contudo, pode-se argumentar que há uma tensão entre perfeição moral e liberdade divina ao sustentar-se que se Deus é moralmente perfeito, então não é livre; e se ele é livre, então não é moralmente perfeito. Isto porque...",
  "createdAt": "2021-02-04T12:15:00+00:00",
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