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"publishedAt": "2026-06-04T20:13:00.000Z",
"site": "https://www.campograndenews.com.br",
"textContent": "Sem um amplo acordo aduaneiro entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, a principal vantagem competitiva da Rota Bioceânica pode desaparecer. Segundo o secretário estadual da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul), Artur Falcette, a burocracia nas fronteiras pode consumir mais tempo do que os até 14 dias que a nova rota promete economizar em relação ao trajeto tradicional via Porto de Santos e Canal do Panamá. O corredor bioceânico ligará Campo Grande (MS) ao porto de Antofagasta, no Chile, por um percurso de 2.396 quilômetros. Para Falcette, após os avanços na infraestrutura, o principal desafio para tornar a rota efetivamente competitiva passou a ser a harmonização dos procedimentos alfandegários entre os quatro países. Sobre o descompasso entre a conclusão da Ponte Bioceânica, prevista para este ano, e a finalização do acesso brasileiro à estrutura, cuja entrega está prevista pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para dezembro de 2027, o secretário reconheceu que houve um desalinhamento nos cronogramas. Segundo ele, porém, o tema vem sendo acompanhado e discutido semanalmente pelo Governo do Estado. “Temos conversado semanalmente sobre o assunto e ido a Brasília. O acesso, do ponto de vista da infraestrutura, será um gargalo maior do que a própria ponte. A ponte estará pronta e o acesso ainda estará em construção. A previsão mais recente que recebemos foi agosto de 2027”, afirmou, referindo-se a um prazo de quatro meses anterior ao informado ao Campo Grande News pelo DNIT. “Acredito que isso também esteja relacionado à questão dos recursos. O financiamento da ponte estava mais equacionado por meio da Itaipu, o que permitiu uma liberação mais rápida.” Falcette reiterou que a questão estrutural não é motivo de preocupação, já que as obras serão concluídas. Segundo ele, cerca de 90% das discussões atuais em Brasília sobre a Rota Bioceânica estão concentradas justamente nos aspectos alfandegários. O ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores e um dos principais articuladores da Rota Bioceânica, também já manifestou preocupação com a possibilidade de toda a infraestrutura ficar pronta antes da conclusão do acordo aduaneiro entre os países envolvidos. Ele ressalta que, neste momento, as instituições dos quatro países ainda mantêm posições muito fechadas e que será necessário um impulso político de alto nível para destravar as negociações, que seguem em andamento, mas avançam lentamente. A expectativa dos países cortados pela rota é transformar o corredor em uma grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a que passa pelo Canal do Panamá.",
"title": "Sem acordo aduaneiro, Rota Bioceânica perde vantagem logística, diz secretário"
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