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Pesquisadora da UFMS estuda células-tronco do leite para tratar bebês

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial] May 28, 2026
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Pesquisadoras do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), estudam como células-tronco presentes no leite humano, no cordão umbilical e na gordura abdominal podem auxiliar na saúde regenerativa de pacientes em estado grave na unidade. A bióloga e pesquisadora Thais de Andrade é a responsável pela iniciativa, realizada no Centro de Processamento Celular do hospital. O grupo já testou o uso de células-tronco retiradas da gordura abdominal em dois bebês internados na unidade, com resultado positivo. No entanto, a pesquisadora alerta que os dados ainda não são suficientes, cientificamente, para atestar a eficácia do tratamento. Por isso, novos estudos estão sendo realizados com o método. O "biobanco" de células-tronco tem cinco anos de funcionamento e foi criado com recursos do governo federal. Segundo a pesquisadora, existem dois tipos de célula-tronco: uma que forma as células do sangue e outra responsável pela regeneração dos tecidos, que é a trabalhada no laboratório. Entusiasta da amamentação, Thais conta que, quando começou a trabalhar com células-tronco, também passou a estudar as células presentes no leite. A partir disso, resolveu fazer sua tese de doutorado sobre leite materno e células-tronco. “Aí eu vi que as células do leite em geral, elas passam pelo estômago do bebê, não são digeridas, não são mortas e elas fazem parte do corpo do bebê. Então assim como as células quando tá na barriga, que as células da mãe passam pro bebê, as células do leite também passam. E essas células podem ajudar a melhorar a saúde, tanto que que bebês que mamam mais tempo tem uma inteligência maior. Então tem vários estudos sobre os benefícios do leite materno”, relata. A proposta da bióloga é desenvolver um composto do leite com as células-tronco, que será dado a bebês em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal. A ideia é tratar esses pacientes, já que eles não conseguem fazer terapia endovenosa por terem veias extremamente sensíveis. “Já que a célula resiste ao trato intestinal, então meu objetivo é pegar essa célula do leite, concentrar e aumentar a quantidade, porque apesar do leite ter célula tronco, é uma quantidade pequena. Aumentar essa quantidade e colocar no leite que eles já vão tomar pra poder enriquecer e tratar esses bebês lá da UTI”, explicou a bióloga. O estudo está em fase de padronização das células. Nessa etapa, a bióloga coleta alguns mililitros de leite de mães doadoras para a pesquisa. Depois de vários processos, são retiradas as células-tronco do leite, que passam a ser cultivadas. A pesquisa ainda não chegou à fase de aplicação dessas células em pacientes. A técnica de enfermagem Lucimeire Rodríguez, de 42 anos, é mãe de Helena, de 2 meses, e participou da pesquisa doando leite. A filha está internada desde o dia 16 de março no hospital, devido a uma condição de saúde que os médicos ainda não identificaram totalmente. A bebê já passou por uma cirurgia no maxilar para conseguir abrir a boca, mas, até o momento, é alimentada apenas por sonda e precisa de aparelho respirador. Lucimeire também reconhece a importância do leite materno. Segundo ela, mesmo internada há dois meses e próxima de crianças com quadros virais, a filha nunca ficou doente. A doadora visitou o Centro de Processamento Celular para ver as células-tronco do leite doado e, quando a filha tiver alta, pretende continuar fazendo doações, desta vez para alimentar bebês internados na unidade. “No mês passado eu tirei 24 litros e no mês de março, que foi do dia 16 ao dia 30, eu tirei 9 litros. E eu tiro de manhã à tarde à noite, e elas (enfermeiras) não sabem de onde vem tanto leite. Eu falo que é Deus, porque é só Deus”, comenta. Thais relata que há uma diferença muito grande entre as mulheres e que a quantidade de células-tronco depende da pessoa, da saúde, da alimentação, entre outros fatores que ainda estão sendo pesquisados. A bióloga também estuda por que não consegue aumentar a quantidade de células-tronco do leite materno da mesma forma que consegue ampliar células de outras fontes, como cordão umbilical e gordura abdominal. Os bebês que participaram da pesquisa e receberam tratamento com células-tronco foram tratados por causa de feridas. Entretanto, Thais frisa que não existe tratamento com células-tronco autorizado no país. Tudo que é feito ocorre dentro de pesquisa e precisa de aprovação do Comitê de Ética. A recuperação das crianças que participaram da pesquisa foi excelente, destaca a bióloga. Porém, por se tratar de um número pequeno de pacientes, ainda é cedo para afirmar que a eficácia do tratamento se deve 100% ao uso das células. “Mas o que a gente observou é que a cicatrização delas foi maior, mais rápido do que a gente tem relatado na literatura para esse tipo de lesão. A lesão fechou em 70 dias, depois do inicio de aplicação da célula, e ela estava correndo risco de amputação do braço. A outra criança era amputada, e também estava com lesões muito extensas e com possibilidade de ficar muito tempo internada, então a gente teve também uma diminuição do tempo de cicatrização, mas ainda é experimental”, informou a pesquisadora. A responsável pelo estudo comenta ainda que esse tipo de pesquisa também é realizado por estudiosos de todo o mundo. Segundo ela, os trabalhos já feitos pela equipe da UFMS apontam baixos efeitos adversos e, quando eles ocorrem, são leves, como dor no local da aplicação e pouco inchaço. “A gente já teve já tratamento de doença de Crohn, de bexiga, de artrite. Então a gente tem alguns trabalhos que são feitos em adultos, em criança o meu é o primeiro, e que tem bons resultados. A gente está nesse caminho de encontrar e de aumentar a quantidade de pessoas analisadas”, pontua. Mães interessadas em participar da pesquisa podem procurar o Banco de Leite Humano do Hospital Universitário para doar leite ao Centro de Processamento Celular. A pesquisadora também informa que grávidas que quiserem doar o cordão umbilical para a pesquisa podem fazer o procedimento no hospital, caso o parto seja realizado na unidade.

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