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Ring Neck: periquito que fala faz sucesso, mas não é brincadeira

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial] May 20, 2026
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Você conhece a ave que fala como um papagaio, mas é um periquito? A espécie Ring Neck, ou periquito-de-colar, virou sensação nas redes sociais. O pássaro tem aparecido cada vez mais em vídeos repetindo palavras e a fama toda tem despertado curiosidade sobre legalização e a forma de cuidado com eles. A ave é exótica e não pertence à fauna brasileira. Ter uma exige uma série de cuidados. Ou seja, pode até parecer fofa, mas não tem nada de brincadeira. Nas Moreninhas, Letícia Marques da Silva, de 30 anos, conhece bem esse universo. A paixão começou depois que a família teve um casal de calopsitas que pertencia à avó dela, já falecida. A partir daí, o contato com as aves cresceu e, junto com ele, veio a curiosidade por outras espécies. “Como a gente acabou entrando nesse mundo das aves, apareceu um vídeo com esse passarinho cantando. A gente se apaixonou e resolveu pesquisar como ter um”, conta. Letícia e o tio saíram de Mato Grosso do Sul para buscar o primeiro casal. No começo, ela admite que sabia pouco sobre a espécie. A pesquisa mais aprofundada veio depois da compra, quando a família entendeu que o Ring Neck não é um animal de cuidado simples. “A gente, antes de ter eles, não pesquisou muito. Sabíamos que eram uma espécie média e depois que compramos é que realmente fomos pesquisar como era a criação, como eles conviviam”, relata. Hoje, 2 anos depois de decidir ampliar a criação, Letícia tem 13 pássaros. A rotina mudou completamente. O que antes era resolvido em poucos minutos, com limpeza, troca de água e alimentação, passou a exigir mais tempo e dedicação. “Quando a gente tinha só o casal era muito mais fácil. Em questão de 10 minutos conseguia fazer a limpeza, trocar água, colocar comida. Hoje que temos mais casais, nós dedicamos mais tempo”, explica. O encanto pelo Ring Neck está justamente no comportamento. A ave fala, assobia, brinca e interage com os tutores. Mas nada disso acontece sozinho. Letícia explica que, para o pássaro aprender palavras, é preciso repetir, ter paciência e criar vínculo. “Para que eles falem, tem que se dedicar. Eles são iguais loros, tem que ficar repetindo palavras e uma hora ele pega. Se você quer que ele fale, tem que se dedicar”, afirma. Ela conta que cada ave tem uma personalidade. Bidu, o mais velho, fala “oi, Biduzinho” e “meu amor”. Pipa fala “bom dia”, diz o próprio nome, ri e assobia. Já Pirata tem um “oi” diferente, mais tímido. “Quem tem um ring neck sabe que eles são muito apaixonantes. Sabe quando tem um filho e ouve a primeira palavra? É assim. Aí você se derrete todo. Quem tem um quer ter mais”, diz Letícia. Na casa dela, os pássaros seguem uma rotina bem definida. Acordam por volta das 7h e vão dormir às 17h. Têm horário para banho, sol, alimentação e brincadeiras. Segundo Letícia, isso ajuda na adaptação e no bem-estar das aves. “Aqui temos uma rotina, porque eles se criam assim. Eles se adaptam. Tem dia de tomar banho, tem dia para tudo. É rotina mesmo. O banho a gente pega a mangueira e molha, eles adoram”, conta. Outro detalhe curioso é o comportamento das fêmeas. Segundo Letícia, elas costumam ser dominantes e escolhem o macho. “Essa espécie é a fêmea que manda. Ela bate se não gosta de alguma coisa, ela escolhe o macho. Essa ave não gosta de ficar muito tempo sozinha”, afirma. Apesar da popularidade, o ring neck precisa ter origem legal. O biólogo Sérgio Barreto explica que o periquito-de-colar é uma ave exótica originária da África e da Ásia. A espécie ocorre naturalmente em países da África Central, Norte da África, Índia, Paquistão e regiões do sul asiático. No Brasil, a criação é permitida, desde que a ave tenha procedência legal. O ideal é que o animal tenha anilha fechada de identificação, nota fiscal e venha de criadouro autorizado pelos órgãos ambientais. A anilha funciona como uma espécie de documento da ave. Letícia conta que todos os pássaros dela têm identificação, o que ajuda inclusive em caso de perda. O alerta é ainda mais importante, já que o Estado convive diretamente com casos de contrabando de animais e de criação ilegal de inúmeras espécies. Comprar uma ave sem procedência pode alimentar o tráfico e até levar à prisão. Outro ponto essencial, segundo Sérgio, é que o ring neck não deve ser solto na natureza. Como não pertence à fauna brasileira, a ave pode causar impacto ambiental se for liberada. “Mesmo sendo permitido em cativeiro quando legalizado, nunca deve ser solto na natureza. Espécies exóticas podem causar impactos ambientais importantes sobre a fauna brasileira. A compra deve ser feita apenas em criadouros regularizados para evitar tráfico de animais e problemas legais futuros”, alerta Sérgio. Na prática, o ring neck pode até estar “hypado”, mas exige muito mais do que encantamento por vídeo de internet. Antes de comprar, é preciso pesquisar, conferir a documentação, entender a rotina e ter consciência.

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