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"publishedAt": "2026-05-14T22:17:00.000Z",
"site": "https://www.campograndenews.com.br",
"textContent": "A Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) afirmou nesta quinta-feira (14) que a prisão de uma funcionária da Clínica Canela, em Campo Grande, ocorreu após a identificação de medicamentos vencidos armazenados de forma irregular em um depósito da unidade. O caso integra investigação que também apura suspeita de venda casada e possível falha em controle de produtos utilizados em tratamentos. Durante coletiva de imprensa, o delegado Wilton Vilas Boas relatou que a equipe encontrou 1.294 frascos de medicamentos fora da validade misturados a outros itens dentro de um depósito da clínica. Segundo ele, a funcionária responsável pelo local, de 39 anos, tentou impedir o acesso dos agentes ao espaço. “Ela obstruiu a fiscalização com informação falsa de que ali não haveria medicação, apenas objetos pessoais do responsável da clínica”, afirmou. O delegado explicou que a versão apresentada pela funcionária não se confirmou durante a vistoria. Ele disse que a área deveria ter separação clara entre produtos válidos e itens destinados ao descarte. “Esses produtos impróprios estavam com prazo de validade vencido e não havia segregação para descarte. Teria que existir identificação de produtos a serem descartados”, disse. Segundo Vilas Boas, o simples armazenamento de medicamentos vencidos já configura crime, independentemente de uso em pacientes. Ele afirmou que a investigação ainda busca confirmar o destino dos produtos encontrados. “Não temos como comprovar neste momento se foram aplicados. Mas o simples depósito irregular já caracteriza o crime”, afirmou. A funcionária foi detida em flagrante e encaminhada para atendimento médico em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), conforme informado na coletiva. Ela não prestou depoimento no local e responde pelo caso na medida da sua participação. O delegado afirmou que o responsável pela clínica não foi preso por não estar presente durante a fiscalização, mas também será investigado. “O responsável vai responder pelo mesmo crime na medida da sua participação”, disse. A investigação começou após denúncia de um laboratório fabricante de um dos medicamentos, que identificou ausência de registro de compra da clínica em seu sistema. Segundo a polícia, essa inconsistência motivou a apuração sobre possível origem irregular dos produtos. “Esse laboratório não identificou cadastro de compra. Isso levantou a suspeita de irregularidade na origem dos medicamentos”, afirmou. A Decon também apura suspeita de venda casada e eventual irregularidade em propaganda e prescrição de tratamentos. O delegado informou que a clínica terá prazo para apresentar documentos e prontuários de pacientes. “Vamos dar um prazo de dez dias para a clínica apresentar quem seriam esses pacientes e como ocorreu a prescrição”, disse. A Clínica Canela segue em funcionamento e não foi interditada. Os órgãos de fiscalização devem conduzir processos administrativos paralelos ao inquérito criminal. Entenda - Os medicamentos foram localizados em uma sala separada da clínica, na Rua Joaquim Murtinho. Segundo a polícia, a equipe afirmou que o espaço seria utilizado como depósito e também para armazenamento de objetos de funcionários. Inicialmente foram encontrados 484 frascos de medicamentos vencidos mas, conforme a Delegacia, a contagem oficial totalizou 1.294 unidades de medicamentos vencidos. A denúncia foi feita por um laboratório que produz o medicamento autorizado. A operação foi realizada por equipes do Procon, Vigilância Sanitária, Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) e CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), após denúncia encaminhada à Vigilância Sanitária. Em vídeo publicado e depois excluído das redes sociais, Jonathas Canela negou falhas, contestou a interpretação das denúncias e disse que a unidade já recebeu outras fiscalizações no mesmo ano em vídeo publicado e depois excluído das redes sociais. Em nota oficial, a assessoria de comunicação da Clínica Canela informou que colabora integralmente com os órgãos fiscalizadores e apresenta documentos, registros técnicos e esclarecimentos durante o procedimento ainda em andamento. A instituição afirmou respeitar a atuação das autoridades e disse que conclusões antes da análise final seriam precipitadas. A clínica negou fabricar, manipular, rotular ou comercializar medicamentos de forma irregular. Também afirmou que não condiciona atendimento ou continuidade terapêutica à compra de produtos e disse que o paciente pode adquirir medicamentos em qualquer estabelecimento. Sobre os itens vencidos encontrados em depósito, a instituição informou que abriu apuração interna e revisa protocolos de armazenamento, conferência e descarte. A clínica afirmou que a presença desses materiais não indica uso em pacientes e disse que apresentará registros às autoridades.",
"title": "Delegado diz que enfermeira foi presa por tentar esconder medicamentos vencidos"
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