{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreiadqvmxtuywpoilbfxrimqfjvggnsasuxpp7wvuud4ti3cq7pgyta",
"uri": "at://did:plc:xid3zrexgnaohygesh3xtdjm/app.bsky.feed.post/3ml4w5fidzsx2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreib4bwo5yszxk3xvgdhofz3q2g2elib7figdb3jw3cij5zv2vacfsa"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 262984
},
"path": "/lado-rural/dejeto-de-suinos-se-transforma-em-fertilizante-e-ganha-espaco-nas-lavouras",
"publishedAt": "2026-05-05T18:30:00.000Z",
"site": "https://www.campograndenews.com.br",
"textContent": "Uma solução que nasce do problema e volta ao campo como produtividade começa a ganhar espaço na agricultura brasileira. Pesquisadores da Embrapa estão avançando no uso da estruvita como alternativa nacional aos fertilizantes fosfatados, hoje amplamente importados pelo país. A proposta une sustentabilidade e eficiência ao transformar resíduos da suinocultura em um insumo agrícola de alto valor. A estruvita é um composto formado por fosfato, magnésio e amônio, obtido a partir do reaproveitamento de dejetos animais. O que antes representava um passivo ambiental, com potencial de poluir solos e cursos d’água, passa a ser convertido em fertilizante, dentro de uma lógica de economia circular. Na prática, o resíduo deixa de ser problema e se transforma em solução para o próprio sistema produtivo. Um dos diferenciais da estruvita está na forma como libera nutrientes no solo. Ao contrário dos fertilizantes convencionais, que disponibilizam o fósforo de forma imediata e muitas vezes com baixa eficiência, a estruvita faz essa liberação de maneira gradual. Isso permite que a planta absorva melhor o nutriente ao longo do seu desenvolvimento, reduzindo perdas — um fator importante especialmente nos solos brasileiros, onde o fósforo tende a ficar retido e indisponível. Os primeiros resultados de campo indicam que a tecnologia é promissora. Em experimentos com culturas como a soja, a estruvita conseguiu suprir parte significativa da demanda de fósforo sem comprometer a produtividade, mostrando desempenho semelhante ao dos fertilizantes tradicionais em determinadas condições. Mais do que manter a produção, a alternativa abre caminho para reduzir custos e aumentar a eficiência no uso de insumos. O impacto potencial vai além da lavoura. Atualmente, o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes, o que expõe o setor agrícola às oscilações do mercado internacional. Ao apostar em uma solução produzida internamente, a pesquisa contribui para aumentar a autonomia do país e diminuir essa vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, há ganhos ambientais importantes. A reutilização dos resíduos reduz o risco de contaminação e melhora a gestão de nutrientes, alinhando a produção agrícola a práticas mais sustentáveis. Ainda em fase de estudos mais aprofundados, especialmente sobre o comportamento da estruvita em diferentes tipos de solo, a tecnologia já desponta como uma alternativa concreta. Mais do que um novo fertilizante, a estruvita representa uma mudança de lógica: produzir a partir do que antes era descartado e transformar um desafio ambiental em oportunidade econômica.",
"title": "Dejeto de suínos se transforma em fertilizante e ganha espaço nas lavouras"
}