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  "textContent": "Depois de andar quase meia hora até o Centro de Campo Grande, o picolezeiro Genival Baraço, de 57 anos, deu de cara com um cadeado no portão da Praça Ary Coelho. A principal praça da cidade está fechada nesta Sexta-feira Santa. “Nos outros anos sempre teve aberto”, contou, parado na calçada, tentando decidir para onde ir depois da surpresa. É o primeiro feriado após decisão da prefeitura de prorrogar mudança no horário do local, para corte de gastos.  Ele saiu do Guanandi a pé, percorreu cerca de 6,5 quilômetros e contava com o calor e o movimento do feriado para garantir o dinheiro do dia. “Agora eu vou ver uma rota pra trabalhar, porque eu preciso trabalhar, né?”.  Em um dia como esse, ele estima que tiraria pelo menos R$ 150. Com a praça fechada, não sabe quanto vai conseguir. “A clientela caiu. A gente não sabe nem o que vai acontecer”.  A situação, segundo ele, não começou agora. Há pelo menos seis meses, o horário já vem sendo reduzido, com fechamento por volta das 18h, o que derrubou o faturamento. “No mínimo 70%”, calcula. “Antes fechava depois das 22h, mas agora às 18h tá fechando”.    O fechamento no feriado faz parte de uma mudança maior: a prefeitura adotou medidas de contenção de despesas que alteraram o funcionamento de espaços públicos, incluindo unidades culturais e áreas mantidas pelo município. A decisão foi tomada no ano passado, deveria durar até fevereiro, mas foi prorrogada na semana passada.  A portaria que define os novos horários não estabelece prazo de validade. O texto apenas informa que a medida entra em vigor a partir da publicação, no dia 24 de março, e pode ser alterada a qualquer momento, de forma temporária ou permanente, conforme decisão da gestão.    Mas na prática, quem chega não encontra explicação alguma Não há placas informando o fechamento ou os novos horários, que agora são de segunda a sábado, das 7h às 18h, sem funcionamento em feriados.  Para quem frequenta a praça há décadas, a mudança pesa também no simbolismo. “Quando cheguei em Campo Grande existia trem. Campo Grande terminava aqui na praça. Você descia da estação, tinha o Cine Realte e o Cine Alhambra e depois essa praça, mas era toda aberta”, disse o aposentado Ademir Camesqui, de 77 anos.    Ele foi ao Centro e esperava passar pelo local, mas vai voltar para casa frustrado. A crítica vai além da nostalgia. Para ele, a cidade cresceu, sem resolver problemas. “Hoje, Campo Grande é uma monstra de uma cidade, a praça fica fechada e os ônibus só vêm atrasados...”  A frustração se repete entre visitantes ocasionais. O aposentado Ivan Aparecido Del Negri, de 67 anos, saiu de uma vigília na catedral e foi até a praça com a esposa para continuar o momento de reflexão. Pararam no portão. “Saímos de lá e viemos aqui. Hoje está tudo fechado”, lamentou. “É público. Não tem explicação”.",
  "title": "Principal praça da cidade fecha no feriado por conta de corte de gastos"
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