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  "publishedAt": "2026-03-26T18:34:00.000Z",
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  "textContent": "“Inevitavelmente, quando a gente não tem a informação correta do manejo, de como cuidar do que a gente não entende, do que a gente não conhece, o medo é característico.” Com essa afirmação, a pesquisadora e analista de conservação do WWF-Brasil, Cyntia Cavalcante Santos, destaca a urgência de ensinar como homens e onças-pintadas podem se relacionar sem que haja ataque de um lado e de outro.  Foi justamente por desconhecer os limites dessa relação que, em abril do ano passado, o caseiro Jorge Ávalo foi vítima de um ataque do maior felino das Américas em Aquidauana e acabou morrendo.  “Havia ali uma convivência”, definiu Cyntia, completando que “essa falta de cuidado em entender que o animal é um predador, e essa aproximação muito arriscada, traz uma dificuldade muito grande para as pessoas que estão nas comunidades do Pantanal, inseridas em lugares onde a onça tem o seu habitat natural”.  Após a morte do caseiro, em abril do ano passado, as ações para construir uma base de estudos e sensibilização sobre o tema se fortaleceram. Agora, durante a COP15 (Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), o WWF-Brasil, em conjunto com a Panthera Brasil, lança a Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onça, articulada desde 2022.  No painel “Parcerias estratégicas pelas onças-pintadas: A Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-onça e a Cooperação entre WWF-Brasil e Panthera Brasil”, as entidades mostraram o trabalho que envolve 11 atores na preservação da fauna e flora do Pantanal em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, incluindo a participação de produtores rurais.  Cyntia reforça que o homem e os animais silvestres podem coexistir, mas a convivência tem limites claros. “A problemática da coexistência humano-fauna é mais ampla do que a onça, né? Então a gente tem outras espécies que são de predadores que atacam”, assegura.  Dessa forma, ações humanas precisam ser implementadas nas propriedades rurais para evitar o acesso dos animais e a consequente perda do rebanho, além de orientar como agir em um encontro com o felino. “Se é um predador, você não pode dar as costas e sair correndo, porque ele vai ter aquele instinto de correr atrás. Então a gente também mostra como essas técnicas são possíveis; existem formas de você viver e deixar a onça passar ali pertinho”, sinaliza a pesquisadora.  Ela analisa ainda que intervenções como a retirada de filhotes de áreas florestadas — o que modifica o local onde a onça cuida da prole — ou a instalação de cercamento elétrico e luzes são técnicas eficazes para afugentar a onça e outros predadores.    Cyntia Santos afirma também que a onça só preda o gado por “oportunismo”, por ser mais fácil capturar um boi parado do que caçar um bicho já preparado para a fuga. “Então, assim, todos esses aspectos de informação são importantes para que a gente entenda o comportamento de um animal que já estava no bioma antes da chegada dos seres humanos e entender que a onça é muito importante para toda a biodiversidade.”  Para o presidente da COP15 e secretário-executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente), a coexistência deve ser mediada, sendo essencial entender a dinâmica do animal no bioma para evitar conflitos e mortes, sejam de onças ou de humanos. Ele falou durante o painel \"Estratégias e ações para a conservação de populações críticas de onça-pintada no Brasil e zonas transfronteiriças\".   “Muitas pessoas ainda acham que a onça é uma ameaça, que ela pode atacar as pessoas, mas não é realidade isso. Esse animal só faz isso em último caso, digamos assim. Portanto, é necessário trabalhar de um lado com a proteção de grandes áreas, recuperação de algumas áreas que foram degradadas e, por outro lado, mobilizar a opinião pública para preservar e respeitar esse animal para que ele possa continuar convivendo conosco”, assegura o presidente.   Atualmente, as principais ameaças à onça-pintada incluem a perda e fragmentação de habitat pela expansão agropecuária e infraestrutura; conflitos com a pecuária que resultam em abates por retaliação; caça ilegal e tráfico; incêndios florestais e atropelamentos, registrados com frequência crescente nos últimos anos.",
  "title": "Onças e humanos podem coexistir, mas convivência tem limites, diz pesquisadora"
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