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  "publishedAt": "2026-02-07T12:14:00.000Z",
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  "textContent": "Carlos Olívio poderia ter ido embora, desistido da tradição da família e feito outra coisa da vida. Mas a paixão pelo café e a história que nasceu em 1964 são grandes demais para isso. Motivos para desistir não faltaram. O produto nunca foi prioridade no Estado, o clima joga contra, a mão de obra sumiu e a conta nem sempre fecha. Mesmo assim, ele ficou para dar continuidade à saga da família em Ivinhema.  Carlos Olívio é a terceira geração de cafeicultores na família. Ao  Lado B , ele conta que todos participavam do cultivo. Para ter ideia do império que os Olívios construíram, nos tempos áureos a plantação chegava a 40 hectares. Hoje, são apenas 9. Apesar de todos esses anos de legado, ele conta que perdeu muitas fotos ao longo do tempo e que hoje as lembranças são poucas.      A mudança no tamanho da plantação veio para aumentar a produtividade e evitar prejuízos, já que trabalham apenas a família e, no período de colheita, terceirizados.  “Minha família produz café em Ivinhema desde 1964. Meu avô veio de São Paulo quando meu pai e meus tios ainda eram meninos e começou. Veio para isso: plantar café, e nossa família persiste sempre. Eu sou nascido aqui e continuo a saga da minha família. Meu avô e meu pai trabalham comigo até hoje.”  Para ele, continuar o legado da família é satisfatório, porque além de apaixonado pela lavoura, também é apaixonado pela terra.      “Sou da roça, nasci e me criei aqui. A gente nasceu e se criou embaixo do pé de café. Não deixar a tradição e a cultura da família morrerem é muito importante para mim. Meu pai é um guerreiro da lavoura, já com 70 anos, vai todo dia para a roça. Não deixa de ir porque é apaixonado pelo que faz.”  Em 2013, Carlos deu um passo que mudou a lógica do negócio. Passou a industrializar a própria produção. Montou a torrefação. Assumiu o controle do processo até o fim.  Ele explica que o café sai da lavoura, passa pelo lavador para retirada de impurezas, seca no chão por sete a dez dias, segue para o descascamento e só então vai para a torra.  “O café passa por momentos difíceis em Mato Grosso do Sul. A mão de obra é escassa, o clima não ajuda, com muita chuva e calor intenso, aqui na Gleba Ubiratã. Hoje, o nosso café é da espécie arábica, das variedades Acauã Novo, IPR 100 e Arara. Ele é amarelo.”      A escolha foi uma experiência de Carlos, que resolveu investir. Viu que a espécie era boa para tempos secos, mas pouco tolerante à falta de água. Por isso, o sistema de irrigação precisou ser aprimorado.  “Vi que era uma variedade nova em Minas Gerais e que vinha ganhando muitos prêmios, e resolvi experimentar. Trouxe, fiz as mudas e comprei. É a variedade Arara, uma amarela. Leva esse nome por causa do pássaro, que é amarelo.”  Carlos Olívio é a terceira geração de cafeicultores na família. Ao Lado B, ele conta que todos participavam do cultivo. Para ter ideia do império que os Olívios construíram, nos tempos áureos a plantação chegava a 40 hectares. Hoje, são apenas 9. Apesar de todos esses anos de legado, ele conta que perdeu muitas fotos ao longo do tempo e que hoje as lembranças são poucas.",
  "title": "Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos"
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