Corrida pela inteligência artificial faz emissões do Google dispararem 81% desde 2019
Um só Planeta [Unofficial]
July 3, 2026
A rápida expansão da inteligência artificial continua dificultando o cumprimento das metas climáticas do Google. O relatório de sustentabilidade com dados de 2025 da empresa, divulgado nesta semana, mostra que suas emissões de gases de efeito estufa cresceram 18% em relação ao ano anterior, impulsionadas principalmente pela fabricação de equipamentos, expansão dos data centers e atividades da cadeia de fornecedores necessárias para sustentar o avanço da IA. Com o novo aumento, as emissões do Google já estão 81% acima dos níveis registrados em 2019, ano adotado como referência para sua estratégia climática. O dado evidencia o desafio enfrentado pela empresa, que pretende atingir emissões líquidas zero em toda a cadeia de valor até 2030. Segundo o relatório, o crescimento das emissões está diretamente ligado ao ritmo de expansão da infraestrutura tecnológica exigida pelos modelos de inteligência artificial. A empresa afirma que, sem as iniciativas de descarbonização já implementadas, sua pegada de carbono em 2025 teria sido cinco vezes maior. "Ao mesmo tempo em que a inteligência artificial cresce em um ritmo sem precedentes, reconhecemos que nosso impacto climático também aumentou e estamos trabalhando ativamente para minimizar esse efeito", afirma o documento. A maior parte da pegada de carbono do Google continua vindo das chamadas emissões de Escopo 3, relacionadas à cadeia de fornecedores e ao ciclo de vida de produtos e serviços. Elas representam cerca de 80% das emissões totais da companhia e cresceram 25% em 2025. Segundo a empresa, o aumento decorre principalmente da fabricação de servidores e outros equipamentos de infraestrutura, da logística para transporte desses componentes e da construção de novos data centers. Já as emissões diretas (Escopo 1), embora representem menos de 1% do total, também aumentaram 20%, refletindo o maior consumo de combustível para geradores de emergência utilizados nas novas instalações. Por outro lado, as emissões de Escopo 2, relacionadas à eletricidade adquirida, caíram 3%, mesmo com um crescimento de 37% no consumo de energia elétrica. Energia limpa tenta acompanhar demanda crescente Para sustentar o crescimento da IA, o Google vem ampliando a contratação de energia renovável. Em 2025, a companhia assinou contratos que somam mais de 12 gigawatts de nova capacidade de energia limpa e informou que cerca de 65% da eletricidade utilizada em suas operações já é proveniente de fontes livres de carbono — percentual praticamente estável em relação ao ano anterior. Segundo Kate Brandt, diretora global de sustentabilidade do Google, a velocidade da expansão da infraestrutura de IA supera hoje o ritmo de descarbonização das redes elétricas. "Embora o caminho para alcançar nossas metas climáticas não seja linear — já que a expansão da infraestrutura para IA está acelerando mais rapidamente do que a descarbonização das redes elétricas — continuamos focados em ampliar a oferta de energia limpa e desenvolver inovações tecnológicas capazes de reduzir as emissões em nossas operações e em toda a indústria." Meta climática fica mais desafiadora O Google estabeleceu como objetivo reduzir pela metade suas emissões de Escopos 1, 2 e 3 até 2030, tomando 2019 como referência, além de operar seus escritórios e data centers com energia livre de carbono 24 horas por dia. O relatório, porém, mostra que a empresa ainda enfrenta dificuldades para conciliar o crescimento acelerado da inteligência artificial com seus compromissos ambientais. Além do aumento das emissões, o Google não atingiu algumas metas previstas para 2025. Apenas 48% do plástico utilizado em produtos de hardware veio de materiais reciclados ou renováveis, abaixo da meta de 50%. A empresa também desviou 84% dos resíduos alimentares de aterros sanitários, ficando aquém do objetivo de eliminar totalmente esse descarte. Na área hídrica, a companhia informou ter reposto o equivalente a 78% da água doce consumida em suas operações e data centers por meio de projetos de conservação, mas reconheceu que acompanhar o crescimento da demanda se torna "uma tarefa cada vez mais complexa".
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