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"textContent": "\nO número de espécies de moluscos não nativos registradas no Brasil mais que triplicou nos últimos 15 anos. Um estudo publicado na revista científica Biological Invasions identificou 82 espécies exóticas no país, além de outras 13 cuja origem ainda não pôde ser determinada. Em 2011, eram conhecidas apenas 26 espécies desse grupo, o que representa um aumento de 215%. Entre as espécies catalogadas, 20 são classificadas como invasoras por provocarem impactos ambientais, econômicos ou à saúde. Outras 13 ainda não têm informações suficientes para que seus efeitos sejam avaliados. O levantamento é o mais abrangente já realizado sobre moluscos não nativos no Brasil. \"Observamos uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no Brasil, além de lacunas persistentes no conhecimento taxonômico e ecológico sobre essas espécies\", afirma Marcel Sabino Miranda, um dos autores do estudo. A pesquisa foi desenvolvida durante seu pós-doutorado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Os pesquisadores defendem o fortalecimento das medidas de biossegurança, a ampliação dos sistemas de detecção precoce e a criação de programas permanentes de monitoramento em ambientes marinhos, de água doce e terrestres. \"Algumas espécies, como o mexilhão-dourado e o caramujo-africano, são problemáticas, mas ainda não sabemos se a maioria das espécies representa ou representará riscos\", diz Miranda. Entre os casos mais conhecidos está o mexilhão-dourado, que chegou ao Brasil no início da década de 1990 e hoje está disseminado por grande parte da América do Sul. A espécie provoca obstruções em tubulações e reduz a eficiência de usinas hidrelétricas. Mesmo com um plano de controle em vigor, estima-se que o país já tenha gasto cerca de US$ 10 milhões para tentar conter sua expansão. Outro exemplo é o caramujo-africano, introduzido como alternativa comercial ao escargot. Após o abandono da atividade, o molusco se espalhou por todo o território nacional. Além de causar prejuízos à agricultura, pode atuar como hospedeiro intermediário do parasita Angiostrongylus cantonensis, associado à meningite eosinofílica. Saiba mais Espécies ainda pouco conhecidas As invasões biológicas estão entre as principais causas da perda de biodiversidade no mundo, mas os moluscos ainda recebem pouca atenção no Brasil. A maior parte das pesquisas sobre espécies invasoras concentra-se em peixes, artrópodes e mamíferos. O levantamento identificou 13 espécies classificadas como criptogênicas, quando não há evidências suficientes para confirmar se são nativas ou introduzidas. Segundo os pesquisadores, a falta de estudos genéticos e biogeográficos dificulta essa definição. As espécies não nativas registradas estão distribuídas em diferentes ambientes: são 32 marinhas e estuarinas, 17 de água doce e 33 terrestres. Os pesquisadores classificaram cada uma conforme seu grau de estabelecimento e impacto, desde ocorrências isoladas até espécies invasoras. \"Para a maioria delas, apenas detectamos a presença. Ainda sabemos muito pouco. O ideal seria desenvolver estudos em larga escala e políticas públicas para avaliar os impactos e criar estratégias de contenção ou erradicação das espécies prejudiciais. Este levantamento é um primeiro passo nessa direção\", conclui Miranda. Mais Lidas",
"title": "Espécies exóticas de moluscos no Brasil triplicam em 15 anos, aponta levantamento"
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