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Estudo aponta tensão recorde em falhas do 'Portão dos Terremotos' na Califórnia e reacende debate após sequência recente de abalos sísmicos

Um só Planeta [Unofficial] July 1, 2026
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A sequência de terremotos registrada recentemente na Venezuela, nos Estados Unidos e no Japão chamou a atenção do mundo e levantou uma dúvida recorrente sempre que grandes tremores acontecem em um curto intervalo de tempo: eles estão relacionados? Segundo especialistas, não. Embora os eventos tenham ocorrido em um mesmo período, eles fazem parte da dinâmica natural das placas tectônicas em diferentes regiões do planeta e não indicam uma reação em cadeia entre continentes. Contudo, outro alerta vem chamando a atenção. Um novo estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth lança luz sobre uma das áreas de maior preocupação sísmica do mundo: o sul da Califórnia, nas proximidades de cidades como São Francisco e Los Angeles. Pesquisadores da Universidade de Bern, na Suíça, da Universidade do Havaí, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e da Instituição Scripps de Oceanografia reconstruíram mil anos da história sísmica das falhas de San Andreas e San Jacinto. A conclusão é que a tensão acumulada nessas estruturas geológicas, conhecidas como Cajon Pass, atingiu o maior nível do último milênio, colocando o sistema em um estado considerado "criticamente carregado". Vale reforçar, contudo, que o estudo não prevê quando ocorrerá um terremoto. Ainda assim, a tensão foi identificada em um ponto considerado estratégico, o Cajon Pass, região onde as duas falhas praticamente se encontram, ao nordeste de Los Angeles. Os pesquisadores chamam esse local de "portão dos terremotos". Dependendo da distribuição da tensão nas rochas, uma ruptura iniciada em uma falha pode atravessar o Cajon Pass e se propagar para a outra, produzindo um terremoto significativamente maior do que aquele restrito a apenas uma delas. "O estudo não é uma previsão de quando um terremoto ocorrerá. O que podemos dizer é que o sistema está criticamente tensionado e que modelos físicos como o nosso fornecem uma imagem mais clara dos cenários para os quais devemos estar preparados", afirma a pesquisadora Liliane Burkhard, autora principal do trabalho. O que aconteceu nos últimos dias A divulgação da pesquisa ocorre poucos dias após uma série de terremotos chamar atenção em diferentes partes do mundo. Na Venezuela, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com cerca de 40 segundos de diferença, provocando danos principalmente no norte do país. No mesmo dia, um terremoto de magnitude 5,6 atingiu o norte da Califórnia, enquanto outro tremor forte foi registrado no Japão e sentido até em Tóquio, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Apesar da coincidência temporal, esses eventos ocorreram em limites distintos de placas tectônicas e não apresentam relação entre si. A Terra registra milhares de terremotos todos os anos, distribuídos ao longo das zonas onde as placas que formam a crosta terrestre interagem. O foco da nova pesquisa está justamente em uma dessas zonas de contato. As falhas de San Andreas e San Jacinto concentram grande parte do movimento entre as placas do Pacífico e da América do Norte. Desde o terremoto de Fort Tejon, de magnitude 7,9, ocorrido em 1857, a região não registrou um evento de grande porte equivalente, permitindo que a tensão tectônica continuasse se acumulando ao longo de quase 170 anos. Para reconstruir esse histórico, os pesquisadores utilizaram um modelo físico tridimensional alimentado por evidências geológicas, como datação por carbono, anéis de árvores e registros históricos de rupturas na superfície. O objetivo foi simular como a tensão foi sendo redistribuída entre as falhas ao longo dos últimos mil anos. Os resultados mostram que o risco não depende apenas da quantidade de tensão acumulada em cada falha individualmente, mas também de como essas tensões estão distribuídas entre elas. Quando ambas atingem níveis elevados ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade de uma ruptura conjunta, cenário associado aos terremotos de maior magnitude já registrados na região. Segundo os autores, um terremoto que percorra simultaneamente as duas falhas teria potencial para afetar algumas das áreas mais populosas da Califórnia, incluindo Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella, além de importantes rodovias, ferrovias e sistemas de energia que cruzam o Cajon Pass. Embora a pesquisa não permita afirmar quando um grande terremoto poderá acontecer, ela oferece informações importantes para planejamento urbano, infraestrutura e estratégias de preparação para desastres, destacam os cientistas. Mais Lidas

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