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Parceria transforma Recife em laboratório para novo modelo de reciclagem no Brasil; país perde R$ 14 bilhões em recicláveis por ano

Um só Planeta [Unofficial] July 1, 2026
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Recife foi escolhida para sediar um projeto que pretende se tornar referência para a transformação da gestão de resíduos no Brasil. A Fundação Ellen MacArthur anunciou nesta quarta-feira (1º) uma parceria com a Prefeitura do Recife, apoiada pela organização Clean Rivers e por empresas como Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, com o objetivo de estruturar um novo modelo de coleta seletiva e reciclagem capaz de orientar políticas públicas em todo o país. Durante o lançamento, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a Prefeitura do Recife formalizaram acordos de cooperação com a fundação. A expectativa é mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos plurianuais para ampliar a infraestrutura de coleta e reciclagem da capital pernambucana, com início das ações previsto para 2027. A iniciativa é baseada no relatório "Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil", elaborado pela Fundação Ellen MacArthur e pela Clean Rivers em conjunto com mais de 80 organizações, entre representantes do poder público, cooperativas de catadores, empresas, universidades, organizações da sociedade civil e instituições financeiras. O estudo mostra que o Brasil reúne condições para avançar na economia circular, mas ainda enfrenta gargalos estruturais. A coleta de resíduos chega a 92,4% da população, mas o sistema ainda desperdiça grande parte do potencial de reciclagem. Um quarto dos resíduos urbanos recebe destinação inadequada e menos de 9% dos materiais recicláveis voltam à cadeia produtiva. Como consequência, o país perde aproximadamente R$ 14 bilhões por ano em materiais recicláveis descartados em aterros sanitários. O relatório também estima que 3,5 milhões de toneladas de plástico sejam descartadas inadequadamente anualmente, das quais cerca de 1,3 milhão de toneladas acabam em sistemas de drenagem, rios e outros corpos d'água, agravando a poluição de ecossistemas aquáticos. "O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem, incluindo bases políticas sólidas, vontade política e uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores, que são o motor do sistema de reciclagem do país", afirma Luisa Santiago, diretora da Fundação Ellen MacArthur para a América Latina. Luisa Santiago, Diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur. Douglas Schinatto "A lacuna de infraestrutura é uma barreira sistêmica central para a construção de uma economia circular para embalagens. Estamos animados para trabalhar com o Recife e construir um modelo que possa ser aproveitado por cidades e formuladores de políticas públicas em todo o Brasil." Segundo a fundação, Recife foi escolhida porque reúne características comuns a diversas cidades brasileiras. Com cerca de 1,6 milhão de habitantes e extensa rede de rios e canais, a cidade combina avanços e desafios. Em 2024, registrou crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos, mais que o dobro da média nacional. Ainda assim, apenas 1% dos domicílios conta com coleta seletiva formal. Para Deborah Backus, CEO da Clean Rivers, fortalecer a gestão de resíduos é uma medida estratégica para conter a poluição hídrica. "A cada ano, milhões de toneladas de resíduos chegam aos cursos d'água e aos oceanos. Recife é o lugar certo para iniciarmos esse trabalho por ser uma cidade marcada por sua vasta rede de rios. Esta parceria busca usar recursos filantrópicos para atrair investimentos em escala e construir um modelo que possa ser replicado no Brasil e em outros países." Da esq. p/ dir: Adalberto Maluf, secretário de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Julia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Luisa Santiago, Diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur e Victor Marques, prefeito de Recife. Douglas Schinatto O relatório também destaca o papel dos cerca de 800 mil catadores brasileiros, responsáveis por recuperar até 90% dos materiais recicláveis do país. Apesar disso, a maior parte ainda atua sem remuneração adequada ou condições seguras de trabalho. Entre as recomendações estão o reconhecimento formal desses profissionais, pagamento pelos serviços ambientais prestados e maior integração às políticas municipais de gestão de resíduos. Além dos ganhos sociais, o estudo aponta potencial de geração de emprego. A modernização dos sistemas de coleta, triagem e processamento poderia criar 9,3 mil novos postos de trabalho, enquanto a expansão da cadeia de reciclagem de plásticos teria potencial para gerar 64 mil empregos adicionais até 2030. O relatório propõe uma visão para 2040 baseada em seis objetivos principais: ampliar a circularidade dos materiais, integrar plenamente os catadores aos sistemas municipais, eliminar a destinação inadequada de resíduos, reduzir emissões e impactos ambientais, ampliar a participação da população na separação correta dos materiais e fortalecer a governança e o financiamento da coleta seletiva e da logística reversa. A expectativa é que a experiência de Recife sirva como laboratório para acelerar essa transformação em outras cidades brasileiras. "O Recife se destacou nos últimos anos no fortalecimento de políticas voltadas à gestão de resíduos sólidos, especialmente no apoio aos trabalhadores dessa cadeia. Essa parceria vai nos ajudar a avançar não apenas na busca por uma cidade mais limpa e sustentável, mas também na dimensão humana e do desenvolvimento social", diz o prefeito do Recife, Victor Marques, destacando que o projeto reforça uma agenda já em curso na cidade. Representando uma das empresas participantes, Jean-Luc Negrier, líder global de sustentabilidade de embalagens da Nestlé, afirmou que a iniciativa permitirá testar soluções com potencial de replicação. "O projeto oferece uma oportunidade valiosa de desenvolver um modelo local que possa orientar abordagens para a circularidade de embalagens em outras regiões. Trabalhar em conjunto com empresas, governos e outros atores é fundamental para construir soluções escaláveis e promover mudanças sistêmicas." Mais Lidas

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