Banco Mundial abandona meta de destinar 45% do financiamento a projetos climáticos após pressão dos EUA
Um só Planeta [Unofficial]
June 30, 2026
O Banco Mundial anunciou que deixará de adotar a meta de direcionar 45% de seu financiamento para projetos com benefícios climáticos, em uma mudança de rumo que ocorre após pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi divulgada junto com a prorrogação do Plano de Ação para Mudanças Climáticas da instituição, estratégia que busca integrar desenvolvimento econômico e ação climática nos países atendidos. Apesar da continuidade do plano, a meta percentual de financiamento climático será descontinuada. O recuo acontece mesmo após o Banco Mundial atingir um recorde de financiamento climático. Em 2025, a instituição destinou mais de US$ 39 bilhões para iniciativas ligadas ao clima, mais que o dobro dos US$ 17 bilhões registrados em 2020. Desse total, US$ 16,6 bilhões foram destinados à adaptação e resiliência, e US$ 22,6 bilhões à mitigação das emissões. Além disso, 2025 foi o primeiro ano em que o Banco Mundial superou sua própria meta: 48% de todo o financiamento aprovado teve benefícios climáticos, acima do objetivo de 45%. A meta havia sido criada em 2020, quando o Banco Mundial estabeleceu que 35% de seus financiamentos deveriam gerar benefícios climáticos ao longo de cinco anos. Em 2023, esse percentual foi elevado para 45%, ampliando o compromisso da instituição de integrar desenvolvimento e ação climática. A mudança reflete a influência dos Estados Unidos, maior acionista do Banco Mundial. Em abril deste ano, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que a instituição deveria abandonar a meta por considerar que ela gera ineficiência, distorce decisões econômicas e desvia o banco de sua missão principal de reduzir a pobreza e impulsionar o crescimento econômico. Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump tem desmontado políticas climáticas adotadas por governos anteriores. Entre as primeiras medidas, retirou novamente os Estados Unidos do Acordo de Paris e voltou a questionar publicamente as mudanças climáticas, classificando o tema como uma fraude. A decisão do Banco Mundial sinaliza uma mudança importante na governança do financiamento internacional para o clima, ao reduzir o peso de uma das principais metas quantitativas adotadas pela instituição nos últimos anos, mesmo diante do crescimento dos investimentos climáticos e do aumento dos impactos das mudanças climáticas no mundo. Mais Lidas
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