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  "textContent": "\nA indústria da moda vive uma das maiores transformações de sua história. Pressionada pela crise climática, pela escassez de recursos naturais, por consumidores mais atentos e por regulações ambientais cada vez mais rigorosas, a cadeia têxtil passou a rever processos, materiais e modelos de negócio. O movimento vai muito além da redução dos impactos ambientais: também está redesenhando o mercado de trabalho e criando oportunidades para profissionais de diferentes áreas. Esses desafios e oportunidades são tema do episódio sobre Moda Sustentável da série especial Empregos Verdes, do Um Só Planeta. No podcast, Camila Zelezoglo, gerente de Sustentabilidade e Inovação da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), analisa como a agenda da sustentabilidade vem transformando a indústria brasileira e quais competências passam a ser mais valorizadas pelo setor. Na segunda parte da conversa, Luisa Santiago, diretora da Fundação Ellen MacArthur na América Latina, explica por que a economia circular representa uma mudança estrutural no modelo da moda e como essa transição depende da atuação conjunta de empresas, governos e consumidores. Para as duas especialistas, embora o Brasil reúna vantagens competitivas importantes, consolidar uma moda mais sustentável exigirá investimentos em inovação, qualificação profissional, rastreabilidade e novos modelos de negócio capazes de gerar valor sem ampliar a pressão sobre os recursos naturais. Para Camila Zelezoglo, a sustentabilidade deixou de ser uma agenda paralela e passou a integrar a estratégia das empresas do setor têxtil. Isso significa equilibrar aspectos ambientais, sociais e econômicos em toda a cadeia produtiva. \"O grande conceito de sustentabilidade envolve o equilíbrio entre os pilares ambiental, social e econômico. Na indústria têxtil, estamos falando de produzir com menor impacto ambiental, mas também de garantir condições dignas de trabalho e modelos de negócio economicamente viáveis. Dependendo do elo da cadeia, os desafios são diferentes. Na produção têxtil, o foco está na eficiência no uso de energia, água e substâncias químicas. Na confecção, onde está concentrada a maior parte da mão de obra, ganham peso as condições de trabalho. Já no varejo, o desafio é garantir que toda essa cadeia esteja em conformidade com critérios de sustentabilidade.\" Segundo ela, o Brasil reúne vantagens importantes para essa transição por concentrar praticamente toda a cadeia têxtil em seu território, da produção das fibras à comercialização das peças. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios como ampliar a reciclagem têxtil, reduzir resíduos, aumentar a eficiência no uso de recursos naturais e qualificar profissionais para um mercado em transformação. Essa mudança também altera o perfil dos trabalhadores demandados pelas empresas. A sustentabilidade deixa de ser responsabilidade de uma área específica e passa a exigir competências distribuídas por toda a organização. \"A sustentabilidade vai exigir comprovação. Não basta dizer que um produto consome menos água ou emite menos carbono. Será preciso demonstrar isso com dados, rastreabilidade e transparência.\" Na prática, isso amplia as oportunidades para profissionais de tecnologia, engenharia, química, ciência de dados, automação e logística, além dos próprios designers, que precisarão incorporar princípios da economia circular desde a concepção das peças. \"O designer continuará sendo fundamental pela criatividade, mas precisará pensar na durabilidade, na facilidade de reciclagem, na escolha dos materiais e no ciclo de vida dos produtos. Ao mesmo tempo, será cada vez mais importante compreender toda a cadeia produtiva.\" Para Camila, essa transformação também ajuda a romper a ideia de que a moda oferece espaço apenas para estilistas. \"Muitas pessoas ainda associam a moda apenas ao estilismo. Mas estamos falando de uma indústria intensiva em tecnologia, inovação e engenharia. Precisaremos de lideranças capazes de conduzir essa transformação e de profissionais preparados para trabalhar com automação, digitalização, rastreabilidade e novos materiais.\" Economia circular vai além da reciclagem Se a primeira etapa da transformação passa pela adoção de processos e materiais mais sustentáveis, a segunda exige repensar o próprio funcionamento da indústria. Para Luisa Santiago, diretora da Fundação Ellen MacArthur na América Latina, o problema da moda não está apenas nas matérias-primas, mas no modelo linear de produção e consumo, baseado em extrair, produzir, consumir e descartar. Segundo ela, os impactos ambientais se acumulam ao longo de toda a cadeia: perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, consumo intensivo de água, poluição química, microplásticos e um volume crescente de resíduos. \"A indústria da moda é uma das que mais causa impactos ambientais. Existe uma lógica de consumo que faz com que as roupas sejam subutilizadas, ampliando os impactos desde a produção das fibras até o descarte.\" Na visão da Fundação Ellen MacArthur, a economia circular propõe uma mudança estrutural: desenvolver peças para durar mais, serem reutilizadas ou transformadas em novos produtos e produzidas com materiais seguros, reciclados ou renováveis. Novos negócios, novas profissões Essa mudança também cria oportunidades econômicas. Modelos de revenda, aluguel, reparo e remodelagem de roupas vêm ganhando espaço ao redor do mundo e ampliando a demanda por profissionais especializados em design circular, logística reversa, reciclagem têxtil, rastreabilidade e desenvolvimento de materiais. \"Existem dezenas de iniciativas acontecendo no mundo inteiro. O desafio agora é criar as condições para que essas práticas deixem de ser pilotos e passem a orientar o funcionamento de toda a indústria.\" Outra frente de inovação são os biomateriais — recursos renováveis produzidos com práticas como agricultura regenerativa e sistemas agroflorestais. Além de reduzir impactos ambientais, eles estimulam novas oportunidades para profissionais ligados à bioeconomia, agronomia, química, engenharia de materiais e biotecnologia. Uma responsabilidade compartilhada Para Luisa, a transformação depende da atuação conjunta de empresas, governos e consumidores. Políticas públicas são essenciais para ampliar a infraestrutura de coleta e reciclagem, incentivar novos modelos de negócio e financiar a transição para práticas regenerativas. Já as empresas precisam incorporar a sustentabilidade ao centro de suas estratégias, enquanto os consumidores têm papel importante ao prolongar o uso das roupas e valorizar modelos de consumo mais circulares. \"O fast fashion foi criado pela própria indústria. Se esse comportamento foi construído, também pode ser transformado. A indústria tem capacidade de criar novas formas de consumir, baseadas em durabilidade, reparo, reutilização e novos modelos de negócio.\" No fim, a moda sustentável não representa apenas uma resposta aos desafios ambientais. Ela aponta para um novo modelo de desenvolvimento, capaz de combinar inovação, competitividade e geração de empregos verdes em toda a cadeia produtiva. Mais Lidas",
  "title": "Moda mais sustentável amplia oportunidades para empregos verdes, mas transição exige transformação de toda a cadeia"
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