Por que a França decidiu proibir o consumo de álcool em locais públicos e suspender a Parada do Orgulho LGBTQIA+
Um só Planeta [Unofficial]
June 26, 2026
A decisão de Paris de proibir temporariamente o consumo de bebidas alcoólicas em ruas, parques e às margens do rio Sena pode parecer incomum, mas reflete a gravidade da onda de calor que atinge a Europa. Com temperaturas próximas de 41°C e um aumento expressivo das emergências médicas relacionadas ao calor, as autoridades francesas passaram a adotar medidas excepcionais para evitar um colapso ainda maior dos serviços de saúde. Segundo reportagem do The Guardian, a prefeitura e a polícia da capital francesa decidiram restringir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos neste fim de semana para reduzir os riscos de desidratação, insolação e outros problemas agravados pelo calor extremo. "Beber álcool sob um sol intenso pode ter efeitos devastadores", afirmou ao canal BFM TV o chefe da polícia de Paris, Patrice Faure. Segundo ele, os hospitais e os serviços de emergência chegaram perto do limite de capacidade. "Estamos atingindo um ponto de saturação das unidades hospitalares", disse. A pressão sobre o sistema de saúde levou as autoridades a tomar outra decisão inédita: adiar para setembro a tradicional Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Paris, evento que costuma reunir centenas de milhares de pessoas nas ruas da cidade. O festival de música Solidays também foi cancelado. Calor recorde pressiona hospitais Os hospitais parisienses enfrentam um aumento de pacientes com quadros de desidratação, insolação e complicações cardiovasculares. De acordo com as autoridades, algumas unidades passaram a atender pessoas em corredores devido à falta de espaço. Os serviços de ambulância da cidade registram cerca de 2.500 chamados por dia, o dobro do volume considerado normal, muitos deles relacionados aos efeitos do calor extremo. A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, informou que, em apenas 24 horas, Paris registrou quatro vezes mais casos de parada cardíaca do que o habitual. Segundo ela, os episódios não se restringem aos idosos e também atingem pessoas jovens. Na quarta-feira, a capital francesa bateu o recorde histórico de temperatura para o mês de junho, ao registrar 40,9°C, e as previsões indicavam a manutenção do calor intenso nos dias seguintes. O álcool agrava os efeitos do calor Embora a medida tenha chamado atenção, especialistas alertam que o consumo de álcool durante episódios de calor extremo aumenta significativamente o risco de desidratação. Além de favorecer a perda de líquidos, as bebidas alcoólicas podem prejudicar a percepção dos sintomas de exaustão pelo calor e retardar a busca por atendimento médico. Por isso, a restrição não afeta bares, restaurantes e cafés, onde o consumo ocorre em ambientes com maior controle e acesso à água, mas mira principalmente as bebidas vendidas em supermercados e lojas para consumo nas ruas, parques e áreas abertas. Milhões sob alerta máximo A decisão ocorre enquanto grande parte da França enfrenta uma das mais severas ondas de calor já registradas. Mais de 44 milhões de pessoas — cerca de dois terços da população francesa — estiveram sob alerta vermelho para calor extremo ao longo da semana. Desde o início do episódio, pelo menos 55 pessoas morreram afogadas no país, enquanto três crianças foram encontradas mortas dentro de carros superaquecidos, segundo as autoridades. A atual onda de calor faz parte de um episódio mais amplo que atinge diversos países da Europa. Um estudo divulgado nesta semana pelo consórcio científico World Weather Attribution e repercutido pelo The Guardian concluiu que o evento seria praticamente impossível sem a influência das mudanças climáticas provocadas pela ação humana. Os pesquisadores afirmam que o aquecimento global elevou significativamente a intensidade das temperaturas e aumentou o risco de impactos à saúde em centenas de cidades europeias. Mais Lidas
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