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  "textContent": "\nA Europa enfrenta nos últimos dias uma onda de calor escaldante que bateu diversos recordes de temperatura e está por trás da morte de ao menos 50 pessoas. Eventos extremos como este, que inclusive deve perdurar pelas próximas semanas, estão se tornando mais frequentes no continente, deixando milhões de pessoas com dificuldades para se adaptar a nova realidade trazida pelas mudanças climáticas. E, pelo menos por enquanto, os europeus encontram poucas fontes de alívio. Nas ruas, alguns usam guarda-chuvas para se proteger do sol, recorrem a fontes d'água para tentar se refrescar, mergulham em rios e lagos (o que tem provocado diversas mortes por afogamentos ou choques térmicos). Em casa, ventiladores, banhos frios, bacias ou bolsas de gelo e outras soluções são improvisadas. Uma unidade de ar-condicionado na entrada de uma loja durante um período de altas temperaturas no centro de Toulouse, na França, Getty Images O ar-condicionado é muito raro nas residências europeias. Estudos afirmam que apenas cerca de 20% das moradias possuem o eletrodoméstico, segundo freportagem da CNN internacional. Com a falta de refrigeração, em épocas de muito calor, muitas empresas dispensam os funcionários para trabalhar de casa ou encurtam a carga horária para evitar os picos de temperatura. Escolas dispensam os alunos das aulas. Nas casas de repouso, funcionários precisam focar em maneiras alternativas de manter os idosos em ambientes mais frescos. Muitas vezes, nem mesmo hospitais possuem aparelhos de ar-condicionado. Grande parte da razão é que muitos países europeus historicamente tinham pouca necessidade de sistemas de refrigeração, especialmente no norte. Ondas de calor sempre ocorreram, mas raramente atingiam as temperaturas elevadas e prolongadas que a Europa enfrenta agora com frequência. Isso significa que o ar-condicionado tem sido tradicionalmente visto como um luxo, e não como uma necessidade, especialmente porque sua instalação e operação podem ser caras. Os custos de energia em muitos países europeus são mais elevados do que nos EUA, por exemplo, e a renda tende a ser mais baixa. Manifestantes durante um ato em 11 de junho de 2026, em Madri, Espanha, para exigir que a Comunidade de Madri instale sistemas de ar-condicionado nas salas de aula das escolas públicas. Alberto Ortega/Europa Press via Getty Images Além da falta de familiaridade com o produto e dos custos, há ainda a questão da arquitetura. Em algumas construções em países mais quentes, do sul da Europa, o calor até foi levado em consideração, com paredes espessas e janelas pequenas — que impedem a entrada direta da luz solar. Mas, em outras partes da Europa, as casas não foram projetadas levando o calor em conta. “Não tínhamos o hábito de pensar em como nos manter frescos no verão. É, na verdade, um fenômeno relativamente recente”, disse Brian Motherway, chefe do Escritório de Eficiência Energética e Transições Inclusivas da Agência Internacional de Energia, à CNN. Além disso, as edificações no continente tendem a ser mais antigas, construídas antes de a tecnologia de ar-condicionado se tornar comum. E pode ser mais difícil e caro equipar casas mais velhas com sistemas de refrigeração. Na Inglaterra, para se ter uma noção, uma em cada seis residências foi construída antes de 1900. E as autoridades do Reino Unido frequentemente rejeitam pedidos de instalação de ar-condicionado \"com base na aparência visual da unidade condensadora externa, especialmente em áreas de preservação arquitetônica ou em edifícios tombados\", conta Motherway. Pessoas se refrescam em fontes em meio as altas temperaturas que atingem Berlim, na Alemanha, em 19 de junho de 2026. As temperaturas ultrapassaram periodicamente os 30 graus Celsius, levando alguns moradores e visitantes a buscar alívio do calor em espaços públicos por toda a cidade. Halil Sagirkaya/Anadolu via Getty Images No entanto, as atitudes e preocupações em relação ao ar-condicionado na Europa estão mudando, à medida que o continente se torna um ponto crítico das mudanças climáticas, aquecendo ao dobro da velocidade do restante do mundo. Em busca de alívio para o calor intenso, pessoas e empresas de toda a Europa estão comprando mais aparelhos de ar-condicionado, tanto portáteis como fixos, lembra reportagem da Reuters. \"Com a previsão de que as temperaturas subam ainda mais a partir de junho, esperamos uma demanda sustentada durante o pico da temporada de refrigeração\", afirmou a Samsung Electronics à agência. Mercados-chave, incluindo Itália, Espanha e França, registraram crescimento de vendas de dois dígitos no primeiro semestre deste ano, segundo a empresa. Já existem diversos sinais claros de que a adoção do aparelho está aumentando na Europa. Um relatório da Agência Internacional de Energia constatou que o número de aparelhos de ar-condicionado na União Europeia deve chegar a 275 milhões até 2050 — mais que o dobro do número registrado em 2019. “Nossas casas precisam ser resilientes não apenas ao frio, mas também ao calor cada vez mais brutal”, disse Yetunde Abdul, diretora do UK Green Building Council. Mais Lidas",
  "title": "Onda de calor na Europa: por que o ar-condicionado é tão raro no continente?"
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