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"textContent": "\nGrande parte da Europa Ocidental enfrenta nesta semana uma das piores ondas de calor da história, com diversos recordes quebrados e mais de 50 mortos. E tudo isso, muitas vezes, sem poder recorrer a um ar-condicionado para amenizar a situação. É que o ar-condicionado é muito raro nos prédios europeus. Estudos afirmam que apenas cerca de 20% das moradias possuem o eletrodoméstico. Muitas vezes, nem mesmo hospitais contam com o equipamento. Na Inglaterra, médicos descrevem um impacto desastroso que o calor extremo está causando no NHS (Serviço Nacional de Saúde), com falhas em equipamentos de radioterapia e ressonância magnética, interrupções em sistemas de TI críticos e avarias em unidades de refrigeração que atendem hospitais inteiros, informa o The Guardian. Saiba mais Pacientes idosos de uma ala geriátrica foram obrigados a suportar temperaturas que chegaram a 35°C, afirmou um médico ao jornal, que pediu para não ser identificado. \"Muitas pessoas, especialmente pacientes idosos, estão chegando após sofrerem colapso ou com desidratação\", disse o profissional. \"Quanto aos pacientes internados, as condições são péssimas devido à superlotação. Pouquíssimos locais têm ar-condicionado, e as equipes estão enfrentando grandes dificuldades.\" Vários consórcios do NHS na Inglaterra declararam incidentes críticos em decorrência direta do calor extremo. Um hospital tomou essa medida após falhas em equipamentos em diversas áreas, segundo um médico disse ao jornal britânico. Laboratórios de exames também foram afetados, e dois aceleradores lineares, utilizados no tratamento de pacientes com câncer, pararam de funcionar devido às altas temperaturas. O médico também disse que a fundação do NHS à qual pertenciam enfrentou “problemas graves” com o superaquecimento de servidores de TI na quarta-feira (24). “Achamos que perderíamos tudo; por isso, pediram a todos que desligassem computadores e equipamentos elétricos não essenciais, inclusive as luzes.” Mulher se abana em frente ao Parlamento durante a onda de calor de junho de 2026, em Londres, Inglaterra. Getty Images Em alguns locais, até mesmo as alas com sistema de ar-condicionado integrado foram afetadas, uma vez que algumas unidades foram desligadas para evitar danos causados pelo calor extremo. Em Portsmouth, o Hospital Queen Alexandra declarou um incidente crítico depois que o calor extremo causou uma falha de unidades de refrigeração que afetou os sistemas digitais e os serviços clínicos críticos do hospital, incluindo centros cirúrgicos, laboratórios de cateterismo cardíaco e instalações de exames de diagnóstico, informou o Portsmouth Hospitals University NHS Trust. “As pressões sem precedentes geradas pela atual onda de calor, somadas à falha de várias de nossas unidades de refrigeração, provocaram perturbações significativas em diversos de nossos serviços”, afirmou o vice-diretor executivo da instituição, Mark Orchard. Em Norfolk, centenas de pacientes tiveram consultas hospitalares canceladas depois que aparelhos de ressonância magnética pararam de funcionar devido ao calor extremo. A fundação NHS dos hospitais universitários de Norfolk e Norwich declarou um incidente crítico, informando que os sistemas de refrigeração que mantinham seus scanners em funcionamento foram afetados pelo calor e pela umidade. Enquanto isso, o serviço de ambulâncias de Londres informou ter registrado, em um único dia, o maior número de emergências com risco de morte de sua história, situação \"impulsionada pelo calor extremo\". As equipes atenderam a um número recorde de 642 chamados de categoria um na quarta-feira. As ocorrências de categoria um abrangem as lesões e enfermidades mais graves e com risco de morte, como paradas cardíacas e casos de pacientes que não estão respirando. O que é uma onda de calor? Uma onda de calor ocorre quando temperaturas excepcionalmente altas persistem durante vários dias consecutivos em relação ao padrão esperado para determinada região. Mais importante do que o pico de temperatura é o acúmulo de calor ao longo dos dias e das noites. Durante condições normais, as temperaturas caem à noite, permitindo que o corpo humano, os edifícios e o ambiente dissipem parte do calor acumulado ao longo do dia. Quando as noites permanecem quentes, esse processo de recuperação é interrompido, aumentando o estresse térmico e elevando o risco de adoecimento e mortes. Quem corre mais risco? Embora qualquer pessoa possa sofrer os efeitos do calor extremo, alguns grupos são particularmente vulneráveis. Entre eles estão: - idosos; - bebês e crianças pequenas; - gestantes; - pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais; - trabalhadores expostos ao sol; - atletas; - pessoas em situação de vulnerabilidade social. Nos idosos, o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal e a sensação de sede diminui, aumentando o risco de desidratação. Já bebês possuem mecanismos de controle térmico ainda imaturos, tornando-os mais sensíveis ao calor. Pesquisas também mostram associação entre temperaturas extremas durante a gravidez e maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer. Como o calor afeta o corpo? O corpo humano mantém sua temperatura principalmente por meio da transpiração. Quando o ambiente está muito quente — especialmente se houver alta umidade — esse mecanismo perde eficiência. A consequência pode ser uma sequência de problemas que inclui: - desidratação; - exaustão pelo calor; - agravamento de doenças cardíacas; - piora de doenças respiratórias; - sobrecarga dos rins; - aumento do risco de insolação. Nos casos mais graves, o organismo deixa de controlar a própria temperatura, situação considerada uma emergência médica. Mais Lidas",
"title": "Em meio à forte onda de calor, hospitais na Inglaterra têm falhas em equipamentos e sistemas"
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