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  "textContent": "\nA progressão do debate ambiental nos últimos anos consolidou a sustentabilidade como parte do vocabulário das empresas. O desafio, no entanto, não está mais em falar sobre ESG, mas em incorporá-lo à forma como produzimos, consumimos e tomamos decisões em um planeta que opera em limites cada vez mais estreitos. Nesse cenário, marcas e consumidores não atuam de forma isolada. Isso porque compartilham um mesmo ecossistema, em que o avanço de um depende, invariavelmente, do engajamento do outro. Dados do último relatório do CDP reforçam a complexidade dessa agenda ao mostrar que, para companhias de grande porte, as emissões indiretas da cadeia de valor são, em média, 26 vezes maiores do que as emissões diretas. Ou seja, a maior parte do impacto acontece fora dos muros das organizações, em ambientes sobre os quais é impossível exercer controle absoluto — mas onde a influência e a corresponsabilidade são inegáveis. Esse cenário evidencia a necessidade de uma gestão mais sistêmica, baseada em colaboração e construção conjunta de soluções. Nenhuma transformação significativa acontece apenas dentro das empresas. É preciso reconhecer que vivemos em um sistema interconectado, em que consumidores, indústria, varejo, governos e organizações da sociedade civil compõem a mesma equação: o futuro será sustentável apenas se for construído de maneira coletiva. Essa mudança já é evidente entre as novas gerações. A Gen Z e os jovens millennials estão deslocando o debate sobre ESG de uma pauta aspiracional para uma pauta de consequência. A pesquisa global anual Gen Z and Millennial Survey 2025, da Deloitte, indica que a preocupação com o impacto ambiental é central para essas duas gerações: no Brasil, até 81% da Gen Z e 79% dos Millennials relatam ansiedade em relação às questões ambientais. Mais do que discursos, eles querem saber a origem dos insumos, o impacto das embalagens, o ciclo de vida dos produtos, a diversidade das equipes e a integridade das relações. E esse comportamento tem repercussão direta nos rumos estratégicos das empresas. Quando o consumidor decide privilegiar marcas comprometidas com práticas socioambientais, ele desloca incentivos, acelera inovações e amplia o espaço para produtos com menor impacto ambiental. Mas se as empresas têm o dever de influenciar suas cadeias, também têm a responsabilidade de criar condições para que consumidores possam participar dessa transformação. Isso significa desenvolver soluções que tornem a sustentabilidade parte da rotina. É o caso de programas de logística reversa, que oferecem aos consumidores a possibilidade de devolver embalagens pós-consumo para a destinação ambientalmente adequada. Ao devolver uma embalagem vazia, optar por um refil ou priorizar alternativas com menor uso de materiais, o consumidor contribui diretamente para fortalecer a circularidade e reduzir a pressão sobre recursos naturais. São decisões individuais que, quando apoiadas por iniciativas estruturadas, ajudam a impulsionar mudanças em toda a cadeia de valor. O desafio hoje não é apenas reduzir impactos, mas redesenhar modelos de negócio, cadeias produtivas, formas de consumo e relações de mercado para que criem valor econômico, social e ambiental de maneira integrada. Para empresas com cadeias extensas, isso significa ir além da busca por fornecedores mais eficientes e assumir um papel ativo no desenvolvimento do ecossistema. Em grandes organizações, a maior parte das emissões está concentrada na cadeia de valor. Em muitos casos, as emissões são indiretas, evidenciando tanto a complexidade dos ecossistemas produtivos quanto o potencial de transformação existente. Quando observamos cadeias formadas por milhares de fornecedores, fica claro que cada decisão, da escolha de matérias-primas e embalagens à matriz energética das operações e à logística de transporte, carrega impactos climáticos, sociais e econômicos relevantes. A experiência mostra que o avanço da agenda ESG na cadeia de valor não acontece por meio de cobranças isoladas, mas da construção de relações de longo prazo. Programas estruturados de desenvolvimento de fornecedores demonstram que resultados consistentes surgem quando rigor técnico, compartilhamento de conhecimento, capacitação e visão de futuro caminham juntos. Acredito no conceito de sucesso responsável: crescer gerando valor para o negócio ao mesmo tempo em que ampliamos impacto positivo para a sociedade e para o planeta. Essa visão orienta nossas decisões, da inovação à cadeia produtiva, passando pela relação com consumidores, parceiros e comunidades. ESG precisa estar conectado à estratégia de negócio e à capacidade das empresas de gerar valor de longo prazo. É isso que fortalece negócios mais resilientes, relações mais consistentes e um desenvolvimento mais equilibrado para todos os envolvidos. A jornada é longa e compartilhada. E quanto mais entendermos nossa interconexão, mais rápido avançaremos rumo a um modelo de desenvolvimento que honre o presente sem comprometer o futuro. *Luis Meyer é Diretor de ESG do Grupo Boticário",
  "title": "ESG é uma jornada compartilhada: como marcas e seus ecossistemas podem redefinir o futuro da responsabilidade ambiental"
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