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"textContent": "\nO Brasil avançou na destinação ambientalmente adequada de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios para ampliar a adesão ao sistema de logística reversa e a conscientização da população. Entre 2021 e 2025, a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) afirma ter garantido a coleta e o tratamento de 230.576 toneladas de resíduos desses produtos em todo o país. O volume inclui equipamentos, componentes e materiais associados e equivale, segundo a entidade, ao peso de mais de 200 estátuas do Cristo Redentor. O resultado, divulgado em balanço da associação, ocorre no contexto de implementação do sistema de logística reversa previsto no Decreto Federal nº 10.240/2020, que regulamenta a destinação ambientalmente adequada desses produtos após o descarte, ao final da sua vida útil, incluindo a coleta e destinação adequada de parte dos produtos colocados no mercado. Ao final dos cinco primeiros anos previstos para a etapa de implementação, a meta estabelecida foi coletar e destinar corretamente o equivalente a 17% do volume de produtos colocados no mercado no ano-base de 2018, além de garantir a destinação ambientalmente adequada de 100% dos equipamentos recebidos pelo sistema. O Brasil conta com um dos marcos regulatórios mais avançados da América Latina para o setor, considerando as legislações federal, que inclui ainda a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que estabeleceu o princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, e o Decreto nº 10.936/2022, que regulamentou a PNRS e reforçou a obrigatoriedade de implementação dos sistemas de logística reversa. Alguns estados da federação também têm regulações e legislações próprias para tratar o assunto. “A evolução registrada evidencia o fortalecimento do sistema e o compromisso do setor com a destinação ambientalmente adequada dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos no país”, afirmou o presidente da ABREE, Robson Esteves, ao Um Só Planeta. Ele acrescenta que ampliar a participação das empresas é fundamental tanto do ponto de vista regulatório quanto para a competitividade e responsabilidade ambiental. Dentre as responsabilidades da logística reversa desses materiais, estão estratégias de comunicação para conscientizar a população, definição e implantação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), medidas preventivas e corretivas para resíduos perigosos e garantia da destinação final adequada. A ideia é oferecer diversos pontos de recebimento distribuídos pelo país, onde os consumidores podem descartar os produtos e os recicladores homologados os buscam para fazer o processo de desmontagem e separação de materiais. Dos materiais separados, aço, alumínio, cobre, plástico e vidro retornam à cadeia produtiva como matéria-prima secundária, contribuindo para a economia circular e reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais. “Além de evitar impactos ambientais decorrentes do descarte inadequado, o sistema gera valor a partir de materiais que antes seriam considerados resíduos”, comenta o presidente da entidade. Dos materiais separados, aço, alumínio, cobre, plástico e vidro retornam à cadeia produtiva como matéria-prima secundária ABREE/ Divulgação Gargalos Apesar dos avanços no volume destinado corretamente, a ABREE aponta três principais gargalos para a ampliação do sistema no país. O primeiro, segundo Esteves, é a falta de informação da população sobre o descarte adequado. “Muitas pessoas ainda não sabem onde entregar equipamentos ou desconhecem que esses materiais não devem ser descartados no lixo comum”, comenta o executivo. O segundo gargalo é a dimensão territorial do Brasil. Expandir a infraestrutura de coleta para municípios menores e regiões mais remotas exige investimentos contínuos e coordenação entre diversos atores. O terceiro desafio é garantir que todas as empresas sujeitas à legislação cumpram suas responsabilidades. “Ainda existem organizações que colocam produtos no mercado sem participar de sistemas estruturados de logística reversa. Ampliar a adesão e fortalecer a fiscalização são medidas fundamentais para tornar o sistema mais eficiente e equilibrado”, defende o presidente da associação. Criada em 2011, a ABREE atua como entidade gestora do sistema coletivo de logística reversa no setor. Em 2026, completa 15 anos de operação. Segundo a associação, atualmente mais de sete mil pontos de recebimento estão distribuídos em pelo menos 1,5 mil municípios, com o objetivo de facilitar o descarte correto por parte dos consumidores. A entidade reúne 58 empresas associadas, que representam 207 marcas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Cabe à ABREE a organização do sistema e a contratação de empresas responsáveis por etapas como coleta, transporte, reciclagem e destinação final dos resíduos, além da auditoria dessas operações. Como funciona o sistema Na prática, a logística reversa começa com o descarte feito pelo consumidor em pontos de recebimento. A partir daí, os equipamentos são encaminhados a recicladores homologados, onde passam por desmontagem e separação de materiais como aço, alumínio, cobre, plástico e vidro. Esses materiais retornam à cadeia produtiva como matéria-prima secundária, com o objetivo de reduzir a necessidade de extração de recursos naturais e diminuir impactos ambientais associados ao descarte inadequado. “A reciclagem é apenas uma etapa da economia circular. O objetivo é manter os materiais em circulação pelo maior tempo possível, reduzindo a necessidade de extrair novos recursos naturais”, afirmou Esteves. Além da reciclagem, o executivo diz que o setor avança em iniciativas voltadas à economia circular, como o uso de matérias-primas recicladas, o desenvolvimento de produtos mais duráveis e reparáveis e a adoção de princípios de ecodesign. Segundo Esteves, a logística reversa tem papel central nesse processo ao garantir o retorno dos materiais à cadeia produtiva. “Ao ampliar a disponibilidade de matérias-primas secundárias, o sistema contribui para fortalecer a circularidade dos recursos e apoiar modelos de produção cada vez mais sustentáveis”, afirma o executivo. A entidade também mantém ações de educação ambiental e campanhas itinerantes de conscientização, além da plataforma “ABREE Pra Educação”, com conteúdos voltados à formação sobre logística reversa e economia circular. Mais Lidas",
"title": "Brasil avança na logística reversa de eletroeletrônicos e já destina 230 mil toneladas para reciclagem"
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