Europa enfrenta onda de calor histórica com até 44°C; noites quentes em continente pouco preparado para o calor agravam riscos à saúde
Um só Planeta [Unofficial]
June 22, 2026
A Europa Ocidental enfrenta uma das ondas de calor mais intensas já registradas para o mês de junho, com temperaturas que podem atingir 44°C na Espanha e superar os 40°C em diversas regiões da França. O calor extremo já provoca interrupções em serviços públicos, fechamento de escolas, cancelamento de eventos esportivos e é apontado como um dos fatores que contribuíram para a morte de três idosos na França. A situação mais crítica é vivida pelos franceses. Quase metade dos departamentos do país foi colocada em alerta vermelho — o nível máximo de risco —, afetando cerca de 35 milhões de pessoas. As autoridades orientaram a população a evitar exposição ao sol, suspender atividades físicas ao ar livre e reforçar a hidratação. Segundo o serviço meteorológico francês, o país enfrenta um período de calor "excepcional" tanto durante o dia quanto à noite, com temperaturas acima de 40°C em cidades como Bordeaux, Toulouse e Limoges. Paris também deve registrar máximas próximas de 39°C. As temperaturas mínimas noturnas permanecem muito acima da média e já bateram recordes em diversas localidades. Pessoas nadam e mergulham no Canal Saint-Martin, em Paris, na França, em 19 de junho de 2026, enquanto uma onda de calor atinge o país. As temperaturas devem chegar a até 40°C em algumas regiões no dia 21 de junho, primeiro dia do verão. Jerome Gilles/NurPhoto via Getty Images "Muitas pessoas vão sofrer porque o organismo acumula os efeitos de dias consecutivos de calor intenso", afirmou a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, ao pedir atenção especial aos idosos e pessoas mais vulneráveis. No sudoeste francês, autoridades informaram que a morte de três pessoas entre 80 e 95 anos foi parcialmente atribuída às altas temperaturas. Além disso, dez pessoas morreram afogadas durante o fim de semana, em acidentes ocorridos enquanto buscavam aliviar o calor. A onda de calor também afeta outros países europeus. A Espanha declarou sua primeira onda oficial de calor do ano, com previsão de até 44°C em algumas regiões. Em Madri, a exibição pública de uma partida da seleção espanhola foi cancelada devido às temperaturas extremas. Na Bélgica, onde os termômetros já ultrapassaram os 30°C, parte da circulação de trens foi suspensa para evitar falhas nos trilhos e nos equipamentos ferroviários. Na Alemanha, a final do torneio de tênis de Berlim precisou ser interrompida por tempestades severas após um fim de semana de forte calor. Já o Reino Unido emitiu alerta para calor extremo, com previsão de até 38°C no sul da Inglaterra — próximo do recorde histórico para junho. 'Noites tropicais' ampliam os riscos Além das temperaturas diurnas elevadas, especialistas chamam atenção para um fenômeno cada vez mais frequente na Europa: as "noites tropicais", quando os termômetros não caem abaixo de 20°C durante toda a madrugada. Embora comuns em regiões tropicais, essas noites vêm se tornando mais frequentes em países de clima temperado devido ao aquecimento global. Um estudo do serviço meteorológico britânico mostra que, no Reino Unido, a chance de ocorrerem três noites tropicais consecutivas em julho passou de menos de 1% na era pré-industrial para cerca de 20% no clima atual. A persistência do calor durante a noite aumenta o chamado "estresse térmico cumulativo", quando o corpo deixa de se recuperar entre um dia quente e outro. Esse fenômeno está associado ao aumento de internações e mortes. Segundo Ruth Engel, cientista de dados em saúde ambiental do World Resources Institute (WRI), o calor noturno costuma ser subestimado, mas representa um dos maiores riscos para a saúde. "Quando as casas permanecem quentes durante a noite, as pessoas perdem a oportunidade de se recuperar das temperaturas do dia, aumentando os riscos, especialmente para idosos e pessoas com doenças preexistentes", afirmou ao site EuroNews. O problema é agravado pelo fato de que o ar-condicionado ainda é pouco disseminado na Europa. Apenas cerca de 20% dos edifícios do continente possuem sistemas de refrigeração, tornando milhões de pessoas mais vulneráveis durante episódios prolongados de calor. Mais Lidas
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