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Europa acelera mineração de minerais críticos em áreas afetadas pela seca e acende alerta ambiental

Um só Planeta [Unofficial] June 22, 2026
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A decisão da União Europeia de acelerar o desenvolvimento de minas de minerais críticos em seu território tem provocado preocupação entre organizações ambientais e especialistas em recursos hídricos. Isso porque muitos dos empreendimentos considerados estratégicos para a transição energética e tecnológica estão localizados em regiões que já enfrentam secas frequentes e estresse hídrico. Uma análise da organização Watershed Investigations, compartilhada com o jornal britânico The Guardian, mostra que mais da metade das 33 minas novas ou em expansão classificadas como projetos estratégicos pela Lei Europeia de Matérias-Primas Críticas está situada em áreas que vêm apresentando redução da disponibilidade de água nas últimas duas décadas, segundo dados de satélites da Nasa. Além disso, quase metade dos projetos está em regiões que registraram condições de seca nos últimos três meses, de acordo com dados da União Europeia, enquanto um quarto deles se encontra em áreas oficialmente classificadas como sob estresse hídrico. O levantamento surge em um momento em que a Comissão Europeia prepara uma revisão da Diretiva-Quadro da Água (Water Framework Directive – WFD), principal legislação do bloco para a proteção de rios, águas subterrâneas e áreas úmidas. Segundo a Comissão, o objetivo é eliminar gargalos nos processos de licenciamento e ampliar o acesso a minerais considerados estratégicos para a economia europeia. A mineração está entre as atividades econômicas que mais demandam água. O recurso é utilizado no processamento de minérios, no controle de poeira, na gestão de resíduos e na drenagem das minas. Embora projetos mais modernos adotem sistemas de reaproveitamento, continuam exigindo volumes significativos de água. Entre os casos apontados pela análise estão seis minas planejadas para áreas de elevado estresse hídrico na Espanha. Também há projetos localizados em Portugal e na Grécia. Os três países figuram entre os dez membros da União Europeia com maior escassez de água, segundo a Agência Europeia do Ambiente. Nos últimos anos, os impactos da seca se intensificaram na região. Em 2024, a Catalunha, na Espanha, declarou estado de emergência devido à pior seca de sua história. Na Andaluzia, também foram impostas restrições ao consumo de água. Já em Portugal, 96% do território enfrentava condições de seca consideradas “extremas” ou “severas” em 2022, de acordo com o programa europeu de observação da Terra. A classificação dos projetos como estratégicos faz parte da estratégia europeia para reduzir sua dependência de importações de matérias-primas consideradas essenciais. Ao todo, a União Europeia selecionou 47 projetos de mineração, processamento e reciclagem, dos quais 33 são minas. O selo permite acelerar licenças dentro do bloco e pode abrir caminho para apoio político e financeiro da UE. A demanda por minerais críticos vem crescendo rapidamente à medida que países ampliam investimentos em inteligência artificial, veículos elétricos, tecnologias de energia renovável e sistemas de defesa. Segundo estimativas citadas pelo The Guardian, o consumo global desses materiais triplicou desde 2010 e deve mais do que dobrar novamente até 2030. A necessidade de grafite, lítio e cobalto, por exemplo, poderá aumentar quase 500% até 2050 em comparação com os níveis de 2020. O avanço dos projetos, porém, já enfrenta resistência. A organização ambiental espanhola Ecologistas en Acción questiona a decisão da Comissão Europeia de conceder o status de estratégico às seis minas previstas na Espanha. Segundo a entidade, os riscos para os recursos hídricos, a biodiversidade e áreas protegidas não foram adequadamente considerados. Secas na Europa The Guardian As mudanças regulatórias também são defendidas pela Euromines, associação que representa a indústria europeia de mineração e metais. A entidade propõe ampliar os prazos para que os países cumpram metas de qualidade da água, revisar a aplicação da regra de “não deterioração” dos corpos hídricos e aumentar a segurança jurídica para projetos industriais. Grupos ambientalistas temem que as alterações resultem em um enfraquecimento das proteções ambientais. A Euromines, por sua vez, rejeita essa interpretação e afirma que a proposta “não é uma licença para poluir”. Mais Lidas

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