{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreif7szpakayzjelt7oyxytel2kqit47edn4kikrnj6pfuopppydbqy",
"uri": "at://did:plc:vsctb4wfj3vrjth7evwvyzcv/app.bsky.feed.post/3movyjealpza2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreiclkjjthsbxqbem3qghy7nrfnvb65cwobjzqzxzz76bkuaxyjavqy"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 1500926
},
"path": "/energia/noticia/2026/06/22/china-quer-abastecer-data-centers-de-ia-com-energia-renovavel-mas-enfrenta-desafios-para-integrar-setor-a-rede-eletrica.ghtml",
"publishedAt": "2026-06-22T15:44:30.000Z",
"site": "https://umsoplaneta.globo.com",
"tags": [
"umsoplaneta"
],
"textContent": "\nA China pretende ampliar significativamente o uso de energia renovável em seus data centers voltados à inteligência artificial (IA), mas especialistas alertam que a iniciativa enfrenta obstáculos técnicos e operacionais. O principal desafio está na dificuldade de prever os picos de consumo dessas instalações, o que pode dificultar sua integração a sistemas de geração renovável. É o que traz reportagem da agência de notícias Reuters. Garantir o fornecimento de energia para os data centers tornou-se uma prioridade estratégica para o governo chinês. O tema foi incluído no relatório de trabalho do governo para 2026, que prevê maior integração entre a infraestrutura computacional e as redes de fornecimento de eletricidade. Como parte desse esforço, as autoridades estabeleceram uma meta ambiciosa: elevar a participação das fontes renováveis para 80% do consumo total de energia dos data centers até 2030. Em 2023, esse percentual era de apenas 11%. A expansão do setor ajuda a explicar a urgência da medida. Segundo Pei Shanpeng, diretor da estatal State Power Investment Corp, a demanda de eletricidade dos data centers chineses deverá crescer entre 300 bilhões e 500 bilhões de quilowatts-hora entre 2026 e 2030. Isso representaria cerca de 18% de todo o crescimento da demanda de energia do país no período. Mesmo com a pressão crescente por eletricidade, especialistas afirmam que os data centers apresentam características diferentes das indústrias tradicionalmente intensivas em energia, como a produção de alumínio. O principal fator é a dificuldade de prever quando ocorrerão os maiores picos de consumo. Durante uma conferência do setor realizada em Pequim, Pei comentou que, por ora, os data centers não parecem ser muito flexíveis na gestão da demanda de energia. Segundo ele, os operadores têm pouca margem para reduzir ou deslocar o consumo energético porque os equipamentos utilizados em inteligência artificial exigem uso intensivo para justificar os investimentos realizados. “Pelo que entendemos, eles (os data centers) não conseguem ajustar muito sua carga de consumo de energia. As GPUs são muito caras, então, uma vez compradas, os operadores querem utilizá-las o mais rápido possível e da forma mais intensa possível”, disse. Pei acrescentou que a estratégia de ampliar o uso de eletricidade renovável no setor está mais relacionada à redução das emissões de carbono do que à diminuição dos custos de energia. Além dos desafios operacionais, especialistas apontam possíveis resistências por parte das operadoras da rede elétrica. Isso porque uma expansão das conexões diretas entre geradores renováveis e data centers poderia reduzir o volume de energia comercializado pelas distribuidoras e dificultar a recuperação dos investimentos feitos em linhas de transmissão e distribuição. A rápida expansão dos data centers já começa a gerar impactos sobre o sistema elétrico em algumas regiões da China, aumentando tanto o consumo médio quanto os picos de demanda. Para os operadores da rede, o desafio é atender ao crescimento do setor sem comprometer a estabilidade do fornecimento. Nesse contexto, cresce a discussão sobre mecanismos que permitam maior flexibilidade no consumo energético dos centros de dados. Segundo Wang Zelin, vice-diretor do Instituto de Pesquisa em Energia Elétrica Jibei, ligado à State Grid, pequenas adaptações já poderiam aliviar a pressão sobre a infraestrutura elétrica. “Se 15% das cargas de consumo de energia puderem ser ajustadas, isso reduzirá significativamente a pressão para expansão da capacidade da rede nos próximos três a cinco anos”, afirmou. A experiência chinesa ilustra um dos desafios emergentes da transição energética global: conciliar a rápida expansão da inteligência artificial — uma tecnologia cada vez mais dependente de grandes volumes de energia — com as metas de descarbonização e o aumento da participação das fontes renováveis no sistema elétrico. Mais Lidas",
"title": "China quer abastecer data centers de IA com energia renovável, mas enfrenta desafios para integrar setor à rede elétrica"
}