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Bióloga brasileira recebe o Wayfinder Award da National Geographic Society

Um só Planeta [Unofficial] June 19, 2026
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A bióloga de conservação Fernanda Abra foi anunciada nesta quinta-feira (18) como uma das vencedoras do Wayfinder Award, prêmio apresentado pela Kia e concedido pela National Geographic Society. Segundo a organização, a honraria reconhece anualmente 15 pessoas descritas como representantes de uma nova geração de lideranças voltadas a soluções para desafios ambientais globais. De acordo com a National Geographic Society, o prêmio confere a Fernanda o título de Exploradora da instituição, um aporte financeiro de US$ 50 mil, acesso a oportunidades de financiamento e integração à rede global de exploradores da entidade. A National Geographic Society se descreve como uma organização global sem fins lucrativos com 138 anos de existência, que apoia cerca de 3.000 exploradores em mais de 140 países e já concedeu mais de 15 mil bolsas e financiamentos a cientistas, educadores e comunicadores. Fernanda Abra é cofundadora do Instituto Reconecta e da ViaFAUNA, pesquisadora associada do Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute, em Washington, e pesquisadora do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, onde atua no projeto Reconecta. Seu trabalho é voltado à redução de impactos de rodovias sobre a fauna silvestre, especialmente na Amazônia, por meio da instalação de pontes de dossel que permitem a travessia de animais arborícolas sobre vias e estradas. Em comunicado, a bióloga afirmou que recebeu o prêmio como uma honra, mas também como um lembrete de que a conservação é resultado do trabalho conjunto de várias pessoas e instituições. Ela dedicou o reconhecimento ao município de Alta Floresta, em Mato Grosso, e aos parceiros do projeto, descrevendo as pontes de dossel como uma forma de garantir que animais silvestres possam se deslocar, encontrar alimento, reproduzir-se e sobreviver. O Projeto Reconecta começou a ser desenvolvido na Amazônia em 2021, ao longo da BR-174, rodovia que atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari, entre os estados do Amazonas e Roraima. Foram instaladas 32 pontes de dossel artificiais na via, em uma iniciativa que, segundo seus responsáveis, foi a maior desse tipo já realizada em uma estrada tropical. A instalação contou com participação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da comunidade indígena Waimiri-Atroari, que colaborou na identificação de locais prioritários, na instalação das estruturas e no monitoramento da fauna. Com base em pesquisas conduzidas em parceria com o Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute, a equipe do projeto desenvolveu um modelo de ponte de dossel com múltiplas camadas, voltado a atender diferentes formas de locomoção usadas por primatas, marsupiais, roedores e outros mamíferos arborícolas. Em 2026, esse modelo foi incorporado pelo DNIT como referência recomendada para rodovias federais brasileiras, conforme diretrizes publicadas no livro “Segurança Viária e Conservação da Fauna: Medidas de Mitigação para Reduzir Impactos sobre Animais Silvestres em Rodovias Federais Brasileiras”. Um dos resultados citados pelo projeto foi obtido em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, onde sete pontes de dossel registraram, em 15 meses de monitoramento, cerca de 15 mil travessias de animais arborícolas. Entre as espécies registradas estão o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), o bugio-ruivo (Alouatta puruensis), o mico-de-Schneider (Mico schneideri), o macaco-da-noite (Aotus infulatus) e o macaco-prego (Sapajus apella). O zogue-zogue-de-Alta-Floresta é descrito pelo projeto como o principal símbolo da iniciativa. A espécie foi identificada pela ciência em 2019 e está classificada como criticamente ameaçada de extinção, ocorrendo exclusivamente em uma pequena área do norte de Mato Grosso. Por depender das copas das árvores para se deslocar, encontrar alimento e se reproduzir, o primata é diretamente afetado pela fragmentação de habitat causada pela expansão urbana e pela infraestrutura viária, segundo os responsáveis pelo projeto. Vitória Da Riva, da Fundação Ecológica Cristalino, parceira da iniciativa, afirmou em comunicado à imprensa que cada travessia do zogue-zogue registrada nas pontes representa uma oportunidade de sobrevivência para a espécie, e defendeu investimentos em soluções que mantenham a floresta conectada. Animais atravessam a ponte no topo das árvores Divulgação Os resultados em Alta Floresta integram o programa municipal Alta Floresta Não Atropela, criado para reduzir atropelamentos de fauna e ampliar a conectividade da paisagem na região. O programa reúne a Prefeitura de Alta Floresta, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Secretaria de Trânsito, o Instituto Reconecta, a Fundação Ecológica Cristalino, a Fazenda Anacã, a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), além de organizações da sociedade civil, proprietários rurais e financiadores nacionais e internacionais. Gercilene Meira Leite, secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Alta Floresta, disse que o Reconecta e o programa municipal tornaram a cidade uma referência em conservação de fauna em áreas urbanas da Amazônia, e que os resultados mostram ser possível conciliar proteção da biodiversidade com desenvolvimento, segundo ela, por meio de ciência, parceria e planejamento. Fernão Prado, da Fazenda Anacã, onde estão instaladas três das pontes de dossel do município, afirmou que as estruturas contribuem para a segurança dos animais e, ao mesmo tempo, para o turismo de natureza na região, ao permitir que visitantes conheçam a biodiversidade local. Segundo o Instituto Reconecta, o projeto prevê a instalação de mais oito pontes de dossel em Alta Floresta, etapa que depende de uma parceria com a concessionária de energia Energisa para adequações na rede elétrica. A iniciativa também deve ser ampliada para o município de Lucas do Rio Verde, onde estão previstas dez novas pontes em áreas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade local. O instituto afirma ainda pretender expandir a atuação para outros municípios, estados e rodovias do país nos próximos anos. Mais Lidas

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