Eco Invest mira inovação e setores estratégicos em 5º leilão que pode mobilizar até R$ 55 bilhões
Um só Planeta [Unofficial]
June 18, 2026
O governo federal prepara o lançamento do quinto leilão do Eco Invest Brasil, nova etapa do programa que busca mobilizar recursos privados para projetos considerados estratégicos para a transição sustentável e a competitividade da economia brasileira. A expectativa do Ministério da Fazenda é que a rodada possa destravar entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões em investimentos, tornando-se a maior já realizada desde a criação da iniciativa. A abertura das proposições deve ser publicada oficialmente entre hoje e amanhã, sexta-feira (19), de acordo com Mario Gouvêa de Almeida, coordenador e membro do Comitê Executivo do Eco Invest Brasil na Secretaria do Tesouro Nacional. Em evento promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em São Paulo, nesta quinta-feira (18), representantes de bancos, gestoras e instituições financeiras acompanharam uma apresentação detalhada do programa feita por Gouvêa. O executivo respondeu a dúvidas do mercado sobre o desenho da nova rodada, cujo lançamento oficial é esperado para esta quinta-feira ou, no máximo, sexta-feira. Em entrevista, Gouvêa explicou que o novo leilão representa uma mudança importante na trajetória do programa, criado inicialmente para reduzir o custo de capital e atrair recursos internacionais para projetos sustentáveis no Brasil. "O Eco Invest sai de um mecanismo de proteção cambial e passa a ser uma plataforma para mobilizar investimento privado e capital externo de maneira mais ampla. Ele traz instrumentos que mitigam o risco percebido dos investidores privados", afirmou . O edital do quinto leilão prevê a estruturação de seis fundos de financiamento em áreas que vão de inteligência artificial a minerais críticos, passando por biocombustíveis e biofertilizantes, segmentos cuja relevância cresce em um cenário de guerra e de crise no mercado de petróleo,. Questionado sobre o grande diferencial do leilão 5, Gouvêa destaca o foco em promover inovação, especialmente em áreas que são ainda vistas como muito arriscadas, e projetos que ainda estão em estágios iniciais de maturidade, mas que podem ser relevantes para o desenvolvimento do país. “O leilão tem um recurso grande público, então a alavancagem é pequena, está limitada a 2 [1:2 de recursos públicos/setor privados], mas ele tem como objetivo abrir o apetite a risco desses investidores. Então, é para fazer inovação relevante mesmo no país”, diz. Sobre a expectativa para o volume de recursos levantados, ele fala “em torno de R$ 50 bilhões” a ser levantado. “Eu acho que talvez seja um pouco otimista, mas certamente é um volume que mexe com o mercado. É um volume significativo que certamente os bancos, os segmentos já estão atendendo a própria ideia”, afirma. O volume já havia sido citado pelo secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, que estimou que a nova rodada poderá gerar entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões em investimentos, resultado da combinação entre fundos de participação e linhas de crédito privadas associadas ao programa. Um dos objetivos destacados durante a apresentação foi permitir que a inovação desenvolvida no Brasil permaneça no país, estimulando a conexão da academia com o setor privado e indicadores de inovação e número de patentes. O quinto leilão também prevê um recurso em forma de crédito para a compra de participação societária em startups, como as deeptechs, que buscam resolver problemas complexos ligados à transição verde, e também, a fundo perdido, incentivar que novas ideias germinem a partir de pesquisas acadêmicas. Saiba mais Capital catalítico para reduzir percepção de risco O diferencial da nova rodada está na utilização mais intensa de recursos públicos para absorver parte dos riscos dos investimentos. A estrutura prevê o uso de capital catalítico, modalidade na qual o setor público assume uma parcela maior dos riscos para atrair investidores privados. De acordo com informações já divulgadas pelo Ministério da Fazenda, o edital deverá disponibilizar R$ 9 bilhões do Tesouro Nacional para a formação de seis fundos voltados a setores considerados estratégicos, entre eles inteligência artificial, minerais críticos, biocombustíveis e biofertilizantes. Ao contrário das rodadas anteriores, a alavancagem financeira será menor. A expectativa é que cada R$ 1 de recurso público mobilize até R$ 2 de capital privado. Para Gouvêa, essa característica é justamente o que permitirá ampliar o apetite do mercado para projetos inovadores que normalmente não conseguem financiamento. "O mercado olha e diz: esse projeto parece bom, mas é muito arriscado. Com esse mecanismo, ele passa a considerar entrar", afirmou. Segundo ele, o objetivo é apoiar iniciativas que poderiam permanecer sem financiamento ou até migrar para outros países em busca de capital. "É para fazer inovação relevante mesmo no país." Programa já mobilizou R$ 140 bilhões Desde sua criação, o programa Eco Invest passou por diferentes fases. O primeiro leilão teve como foco principal oferecer capital mais barato para operações financiadas conjuntamente com recursos privados vindos do exterior. O segundo concentrou-se na recuperação de terras degradadas e introduziu a possibilidade de utilização de fundos de investimento como instrumento de repasse dos recursos. Já o terceiro leilão incorporou mecanismos de proteção cambial e abriu espaço para investimentos em participação societária por meio de Fundos de Investimento em Participações (FIPs), além de incluir pela primeira vez uma parcela obrigatória destinada ao mercado de venture capital. "O venture capital é novidade do leilão 3. A inovação começa a ser discutida ali", disse Gouvêa. Na avaliação do coordenador, a trajetória do Eco Invest reflete um processo gradual de aumento da complexidade dos instrumentos financeiros utilizados. O quarto leilão, voltado para projetos de sociobioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal, já havia incorporado mecanismos complementares ao financiamento tradicional, incluindo assistência técnica e apoio a infraestrutura básica necessária para viabilizar projetos na região. "Não é só a taxa que tira um projeto do papel. Às vezes é assistência técnica, internet ou energia elétrica", afirmou. Agora, com a quinta rodada, o programa passa a atuar de forma mais explícita sobre a principal barreira apontada por investidores para financiar inovação no Brasil: o risco. Segundo ele, o quinto leilão representa um passo além dessa estratégia ao buscar alcançar projetos que ainda são considerados arriscados demais pelo mercado tradicional. "Tem gente que tem uma boa tese, uma boa ideia, mas não tem nada mais. E acaba ficando fora", afirmou. Em maio, durante evento realizado pelo Ministério da Fazenda, o ministro Dario Durigan havia afirmado que o Eco Invest já mobilizou cerca de R$ 140 bilhões nas quatro primeiras rodadas. Com o quinto leilão, o volume acumulado poderá se aproximar de R$ 200 bilhões. "O Eco Invest é uma espécie de síntese, uma prova real de que é possível combinar desenvolvimento econômico e sustentabilidade", disse o ministro na ocasião. Mais Lidas
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