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  "textContent": "\nApós enfrentar duas secas consecutivas que levaram rios a níveis recordes de baixa, a Amazônia voltou a ganhar água em 2025. Dados divulgados pelo MapBiomas mostram que a superfície coberta por água no bioma ficou 2,6% acima da média histórica, impulsionada pela recuperação das chuvas e pelos ganhos registrados principalmente no Pará e no Amazonas. A melhora marca uma inflexão depois de dois anos de estiagens severas (2023-2024) que afetaram comunidades ribeirinhas, transporte fluvial e ecossistemas amazônicos. Ainda assim, os pesquisadores alertam que o avanço não representa uma reversão da tendência observada nas últimas décadas. \"A recuperação da superfície de água na Amazônia em 2025 é um sinal positivo após dois anos de seca severa. No entanto, mesmo com essa recuperação, a situação ainda é preocupante no longo prazo\", afirma Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas e do Imazon. A Amazônia concentra 61,4% de toda a superfície de água do Brasil. Entre os estados do bioma, o Pará liderou o aumento em relação à média histórica, com ganho de 142 mil hectares, seguido pelo Amazonas, com 87 mil hectares. Apesar disso, 20 das 54 sub-bacias amazônicas monitoradas (cerca de 37% do total), permaneceram abaixo da média histórica em 2025. O contraste mais acentuado foi registrado no Pantanal. Mesmo após uma recuperação parcial em relação a 2024, quando o bioma enfrentou uma seca histórica, a superfície de água permaneceu 56% abaixo da média observada entre 1985 e 2025. Foi o único bioma brasileiro a passar todos os meses do ano abaixo do padrão histórico. Segundo Mariana Dias, pesquisadora da equipe Pantanal do MapBiomas, a dinâmica hídrica da região mudou profundamente. \"A década de 80 foi marcada por grandes inundações, mas desde 2019 a região enfrenta secas prolongadas\", afirma. Quatro décadas de encolhimento Embora 2025 tenha apresentado melhora em relação ao ano anterior, o histórico de longo prazo revela uma redução contínua da superfície de água no país. Em 1985, primeiro ano da série histórica do MapBiomas, o Brasil possuía uma área alagada significativamente maior do que a observada atualmente. A média nacional caiu de 19,86 milhões de hectares entre 1985 e 1994 para 17,28 milhões de hectares na década de 2015 a 2024 — uma perda de 2,6 milhões de hectares. Em 2025, a superfície de água do país alcançou 18,2 milhões de hectares, alta de 5,3% em relação a 2024, mas ainda abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares. Hoje, a água cobre cerca de 2% do território brasileiro. \"Não podemos olhar apenas para o dado de 2025 de forma isolada\", diz Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água. \"Ao longo das últimas quatro décadas, observa-se uma tendência de redução da superfície de água no Brasil.\" Água natural perde espaço para reservatórios O levantamento também mostra uma transformação silenciosa na composição dos corpos hídricos brasileiros. Desde 1985, áreas de água associadas à ação humana — como reservatórios, hidrelétricas, açudes e represas — cresceram 69%, somando 1,7 milhão de hectares. No mesmo período, os corpos hídricos naturais perderam 3,2 milhões de hectares, uma redução de 19%. Hoje, 76,7% da superfície de água do país ainda é natural, enquanto 23,3% corresponde a áreas antrópicas. A Amazônia segue como o principal reduto da água natural brasileira, com 10 milhões de hectares e 92,7% da superfície hídrica preservada em ambientes naturais. No Pantanal, essa proporção supera 99%. Já o Cerrado concentra a maior participação de água em hidrelétricas: 55,1% da superfície hídrica do bioma está associada a reservatórios de geração de energia. Na Mata Atlântica, os corpos hídricos antrópicos já representam 61,5% da área mapeada. Municípios do Pantanal concentram maiores perdas Quase metade dos municípios brasileiros terminou 2025 com superfície de água abaixo da média histórica. Foram 2.511 cidades, o equivalente a 45% do total do país. As maiores retrações ocorreram justamente na área de influência do Pantanal. Corumbá (MS) registrou perda de 474 mil hectares em relação à média histórica, enquanto Cáceres (MT) perdeu 189 mil hectares. Os dados reforçam um cenário de extremos cada vez mais frequentes. Enquanto a Amazônia apresentou sinais de recuperação após secas recordes, o Pantanal segue distante de seus níveis históricos de inundação. Para os pesquisadores, o comportamento desigual dos biomas evidencia a crescente instabilidade do regime hídrico brasileiro, influenciada tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas transformações no uso da terra. Mais Lidas",
  "title": "Mapbiomas: Amazônia recupera área coberta por água após secas históricas, mas tendência de perda persiste no Brasil"
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