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Como planta carnívora captura presas em um piscar de olhos? Cientistas desvendam mistério que intrigava Darwin

Um só Planeta [Unofficial] June 12, 2026
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A velocidade com que a planta carnívora dioneia captura suas presas sempre intrigou cientistas. Agora, uma pesquisa publicada na revista Science revelou o mecanismo responsável pelo fechamento quase instantâneo de suas armadilhas, solucionando uma questão que permanecia em aberto desde os tempos de Charles Darwin. Conhecida por atrair insetos com o néctar produzido em suas folhas, a dioneia (Venus flytrap) é capaz de fechar suas armadilhas em menos de um segundo após detectar uma presa. Até hoje, porém, os pesquisadores não compreendiam exatamente como esse movimento ocorria. A nova pesquisa mostrou que o gatilho para o fechamento está em uma mudança rápida nas propriedades mecânicas das células localizadas na superfície externa da folha. Quando os pelos sensoriais da planta são tocados por um inseto, um sinal elétrico percorre a armadilha em cerca de um décimo de segundo. Esse estímulo faz com que as células externas se tornem mais flexíveis, provocando uma inversão súbita da curvatura da folha e o fechamento da armadilha. Segundo os pesquisadores, a descoberta contraria a principal hipótese aceita até então. Acreditava-se que o movimento era causado por alterações na distribuição de água dentro dos tecidos da planta. Os experimentos mostraram, no entanto, que a rapidez do processo está associada ao amolecimento temporário das paredes celulares. Para chegar à conclusão, a equipe liderada pelo físico Yoël Forterre, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e da Universidade Aix-Marseille, desenvolveu uma série de testes para analisar uma estrutura extremamente sensível. Como qualquer estímulo pode acionar a armadilha, os cientistas imobilizaram cuidadosamente as folhas com cola odontológica, permitindo que o mecanismo fosse ativado sem que a planta se movesse. Dioneia na natureza. Wikimedia Commons Os pesquisadores também utilizaram um equipamento chamado nanoindentador, capaz de medir a rigidez da superfície da folha por meio de uma ponta metálica microscópica. As medições revelaram que a superfície externa da armadilha se torna imediatamente mais macia após a ativação. O mecanismo lembra o funcionamento daqueles pequenos brinquedos de borracha em forma de cúpula que, ao serem pressionados, invertem sua curvatura e saltam repentinamente. A descoberta ajuda a explicar um fenômeno que já chamava a atenção de Darwin no século XIX. Ao observar a velocidade da planta, o naturalista chegou a sugerir que ela poderia possuir uma espécie de músculo interno. Hoje se sabe que plantas não têm músculos nem sistema nervoso, mas o estudo demonstra que conseguem alterar rapidamente as propriedades físicas de suas células para gerar movimentos surpreendentes. Para Forterre, que investiga a mecânica da dioneia há cerca de duas décadas, a pesquisa reforça o quanto as plantas ainda guardam capacidades pouco compreendidas pela ciência. Além de reagirem ao ambiente, elas conseguem processar informações, se defender e obter alimento por meio de mecanismos altamente sofisticados. Os autores destacam que não conhecem outra planta capaz de promover mudanças tão rápidas nas propriedades mecânicas de suas células, o que torna a dioneia um dos exemplos mais extraordinários de adaptação do reino vegetal. Mais Lidas

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