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Natura antecipa metas de seu plano rumo à regeneração e cumpre compromisso de dívida sustentável antes do prazo

Um só Planeta [Unofficial] June 11, 2026
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A Natura (NATU3) antecipou o cumprimento de quatro metas socioambientais de seu Compromisso 2030, segundo o Relatório Integrado 2025, publicado nesta quinta-feira (11). A principal delas, a de bioingredientes da Amazônia, está vinculada a um título de dívida sustentável da companhia (sustainability-linked bond) que teve o IFC (do Grupo Banco Mundial) e o BID Invest (do Banco Interamericano de Desenvolvimento) como investidores. Os resultados são os primeiros divulgados desde o lançamento da "Visão 2025-2050", plano batizado de "Caminhos para a Regeneração", pelo qual a companhia se compromete a se tornar um negócio 100% regenerativo até 2050, com geração de impacto positivo nos capitais financeiro, natural, social e humano. O documento reúne 1.200 pontos de dados que compõem 200 indicadores sociais, ambientais e de governança e cobre um ano marcado também pelo encerramento do ciclo de simplificação corporativa, com a conclusão da integração com a Avon na América Latina. Meta do bond sustentável cumprida dois anos antes Entre os avanços antecipados, o de maior peso financeiro é o de bioingredientes da Amazônia. A Natura informa ter atingido 52 bioativos no portfólio, acima da meta de 49 estabelecida para 2027 em seu sustainability-linked bond (SLB), título de dívida cujo custo varia conforme o cumprimento de metas de sustentabilidade. A meta foi assumida na 13ª emissão de debêntures da companhia, de R$ 1,32 bilhão, realizada em julho de 2024. A operação teve a IFC, braço privado do Grupo Banco Mundial, como investidora-âncora, com R$ 300 milhões, e o BID Invest, do Grupo BID, como investidor de impacto, com R$ 200 milhões. Foi o primeiro SLB do Brasil com metas de desempenho vinculadas a cadeias de fornecimento da Amazônia. Na época da emissão, a empresa contava 44 bioingredientes no portfólio e informava que seu modelo de negócios na região contribuía para a conservação de 2,2 milhões de hectares de floresta, em parceria com mais de 10 mil famílias. Na estrutura do SLB, diferentemente dos títulos verdes tradicionais, a companhia tem liberdade no uso dos recursos, mas se compromete com metas específicas, verificadas periodicamente. Segundo reportagem do Capital Reset, a Natura pretende ter toda a sua dívida atrelada a metas socioambientais. A relação da Natura com financiadores multilaterais na Amazônia vai além do bond. Em outubro de 2024, a IFC tornou-se investidora do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, desenvolvido pela companhia com a VERT Securitizadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com aporte inicial de R$ 6 milhões. Foi a primeira vez que a instituição do Grupo Banco Mundial financiou comunidades tradicionais e agricultores familiares na região amazônica. O Amazônia Viva é um instrumento de financiamento híbrido (blended finance) que combina um veículo de crédito, estruturado como certificado de recebíveis do agronegócio (CRA) gerido pela VERT, e um fundo filantrópico não reembolsável, o Fundo Facilitador (ECF), gerido pelo Funbio. O CRA oferece financiamento anual a cooperativas e associações da sociobiodiversidade a juros de 8% ao ano, usado sobretudo como capital de giro para safras, enquanto o fundo realiza investimentos estruturantes em capacitação e desenvolvimento territorial. O diferencial do desenho é a presença imediata de um grande comprador: a Natura participa como investidora dos dois braços e atua como off-taker, com previsão de compra das safras, o que mitiga riscos para os demais investidores e conecta o crédito ao acesso a mercado. Com a entrada da IFC, o CRA passou a contar com cotas mezanino e sênior, esta última remunerando investidores. A expectativa é que, em dez anos, o mecanismo beneficie mais de 10 mil famílias em 16 territórios da região. A Amazônia brasileira concentra 28% das florestas tropicais do planeta, mas responde por menos de 1% do mercado global de US$ 175 bilhões de produtos compatíveis com a floresta. As demais metas antecipadas Além dos bioativos, a companhia reporta o cumprimento antes do prazo de outras três metas do Compromisso 2030. Em circularidade, alcançou 30,1% de conteúdo plástico reciclado nas embalagens da marca Natura, acima dos 25% previstos para 2026. Em cadeias críticas de fornecimento, atingiu, dentro do prazo de 2025, 100% de certificação ou rastreabilidade para direitos humanos nas compras diretas de mica, papel e óleo de palma. Na frente de inclusão na Amazônia, expandiu a parceria para 46 comunidades agroextrativistas, superando a meta de 45 fixada para 2030. A empresa afirma ainda manter, desde 2023, marcos já consolidados: 50% de mulheres na liderança sênior, equidade salarial por gênero e raça e salário digno (living wage) ou acima para todos os colaboradores. Diferentemente do salário mínimo legal, valor único fixado pelo governo, o salário digno é calculado a partir do custo de vida de cada localidade e corresponde à remuneração mínima para que o trabalhador, em jornada padrão e sem depender de horas extras, supra as necessidades básicas da família, como alimentação, moradia, saúde, educação e transporte, com margem para imprevistos. O conceito é defendido por organizações como o Pacto Global da ONU e a Global Living Wage Coalition como pilar de combate à pobreza. O que segue em andamento O horizonte mais longo da Visão 2025-2050 permanece em construção. A meta central, de se tornar uma empresa 100% regenerativa até 2050, depende de avanços contínuos em frentes em que a companhia reporta progresso, mas sem conclusão. Na descarbonização, a Natura registrou redução de 17% nas emissões absolutas de carbono, considerando os escopos 1, 2 e 3, na comparação com o ano anterior. Em gestão de insumos, atingiu 94,7% de ingredientes renováveis e 97,6% de fórmulas biodegradáveis em produtos enxaguáveis, percentuais ainda distantes da integralidade que a agenda regenerativa pressupõe. A companhia calcula ter gerado R$ 86,8 bilhões em impacto socioambiental positivo em 2025, o equivalente, segundo metodologia própria, a R$ 4 em valor social para cada R$ 1 de receita. O investimento direto em comunidades amazônicas somou R$ 62,39 milhões no ano, alta de 29% sobre 2024. Resultados e padrões de reporte No desempenho financeiro, a receita líquida somou R$ 22,2 bilhões em 2025, com Ebitda recorrente de R$ 3,1 bilhões e margem de 14,1%. O lucro líquido foi de R$ 974 milhões, excluindo efeitos não recorrentes de desinvestimentos, e a alavancagem encerrou o ano em 1,31x. Segundo a companhia, foi o nono ano consecutivo na liderança do setor de beleza e cuidados pessoais na América Latina. O relatório segue as normas da Global Reporting Initiative (GRI) e da IFRS Foundation e passou por asseguração externa. Para 2026, a companhia se prepara para adotar voluntariamente os padrões IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), com publicação prevista para o segundo semestre e foco inicial no IFRS S2, dedicado ao clima. A divulgação conforme esses padrões deixou de ser obrigatória para companhias abertas depois que a CVM editou a Resolução 244, que manteve a adoção em caráter voluntário. Mais Lidas

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