{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreiaosu2rdijwj4oy7xojvyfowqrw2eejf4sv3gygrdkcqkiqti66ki",
    "uri": "at://did:plc:vsctb4wfj3vrjth7evwvyzcv/app.bsky.feed.post/3mnytc7komul2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreih6v7q67c2gipvwavbd5mr7xegz4wxvx75f6xjsteffbw5u3gukta"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 370160
  },
  "path": "/biodiversidade/noticia/2026/06/10/colombia-agora-tera-rastreabilidade-de-gado-para-impedir-desmatamento.ghtml",
  "publishedAt": "2026-06-10T18:53:13.000Z",
  "site": "https://umsoplaneta.globo.com",
  "tags": [
    "umsoplaneta"
  ],
  "textContent": "\nA Colômbia acaba de aprovar uma lei que torna obrigatória a rastreabilidade do gado e a comprovação de que as cadeias de fornecimento de carne bovina estão livres de desmatamento. Considerada histórica por organizações ambientais, a legislação coloca o país como o primeiro de florestas tropicais a adotar um marco legal nacional desse tipo. Na prática, a legislação exige que órgãos governamentais e empresas privadas integrem os sistemas de rastreamento de gado, registros de propriedade da terra e mecanismos de monitoramento do desmatamento. O objetivo é identificar e coibir focos de desmatamento ligados à atividade agropecuária e, com isso, prevenir aumento de desmatamento como pressão desta atividade. A Colômbia busca reverter décadas de perda florestal, grande parte impulsionada pela expansão da pecuária sobre áreas anteriormente cobertas por florestas, inclusive em áreas protegidas e parques nacionais. De acordo com organizações que apoiaram a legislação, a Colômbia perdeu cerca de 3,3 milhões de hectares de floresta, área quase do tamanho da Bélgica. Uma análise realizada em 2025 pela Environmental Investigation Agency constatou que centenas de milhares de cabeças de gado foram transportadas, entre 2020 e 2024, a partir de municípios que se sobrepõem a parques nacionais. A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, afirmou à Associated Press que o governo espera que a medida ajude a diferenciar os produtores que atuam de forma responsável daqueles associados à destruição florestal. “Isso significa que será cada vez mais difícil para a destruição das florestas ou para economias associadas a atividades ilegais se esconderem por trás de cadeias de abastecimento aparentemente legítimas”, disse Vélez. A nova lei é resultado de anos de mobilização de organizações ambientais, pesquisadores e parlamentares, que pediam por uma ampla e profunda fiscalização. Natalia Katixa Escobar, pesquisadora da Dejusticia, centro colombiano de pesquisa jurídica e de políticas públicas que estuda as relações entre pecuária e desmatamento, afirmou que a legislação ajuda a superar uma antiga separação entre a fiscalização ambiental e a agropecuária. “Uma de suas primeiras conquistas é criar uma ponte entre a política ambiental e a política agrícola”, disse ela à AP, lembrando que os mecanismos de controle associados à pecuária e à rastreabilidade do gado não tinham uma perspectiva ambiental. À agência de notícias Associated Press, a diretora de campanhas florestais da organização Environmental Investigation Agency (EIA) nos Estados Unidos, Susanne Breitkopf, afirmou que a lei é uma “vitória” para as florestas, as comunidades que as protegem e aos consumidores, podendo servir de modelo para outros países com florestas tropicais. O estado do Pará, no Brasil, localizado na Amazônia, já adotou exigências de rastreabilidade para produtores de gado e assumiu o compromisso de acompanhar os animais ao longo da cadeia produtiva. No entanto, organizações ambientais afirmam que a lei colombiana vai além, ao estabelecer um marco legal de abrangência nacional que pode, inclusive, servir de inspiração para o Brasil. Prazo para implementação A implementação da nova lei ocorrerá de forma gradual ao longo de dois anos. Nesse período, o governo colombiano deverá criar mecanismos de apoio aos produtores, regulamentar os sistemas nacionais de identificação e rastreabilidade do gado e exigir que frigoríficos, processadores, comerciantes e exportadores adotem procedimentos para garantir que suas cadeias de fornecimento estejam livres de desmatamento. A legislação também prevê a integração de bases de dados governamentais sobre posse da terra, propriedade de rebanhos e perda de cobertura florestal, o que deve ampliar a capacidade das autoridades de identificar animais criados em áreas desmatadas e impedir sua entrada no mercado formal. Especialistas, no entanto, alertam que os resultados dependerão da efetiva implementação das medidas. Para Natalia Escobar, o desafio será transformar as novas exigências em ações concretas, especialmente em regiões remotas da Amazônia, onde o desmatamento ilegal permanece recorrente. Segundo ela, embora a lei tenha potencial para fortalecer a fiscalização e o compartilhamento de informações, ainda é cedo para afirmar que a iniciativa reduzirá de forma significativa a destruição das florestas amazônicas. Mais Lidas",
  "title": "Colômbia agora terá rastreabilidade de gado para coibir desmatamento"
}