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  "textContent": "\nEntre o canto das baleias-jubarte em Abrolhos, a observação de aves guiada por indígenas Pataxó e os manguezais do extremo sul da Bahia, uma nova iniciativa de turismo tenta transformar viagem em conexão com natureza, conservação ambiental e comunidades tradicionais. Lançada pelo Airbnb em parceria com o WWF-Brasil, a “Rota das Marés” conecta destinos como Caraíva, Corumbau, Cumuruxatiba, Prado e Caravelas em um roteiro voltado ao chamado turismo regenerativo, modelo que busca associar geração de renda, proteção ambiental e valorização cultural. A proposta nasce em uma região considerada estratégica para a biodiversidade brasileira. Ali se encontram remanescentes preservados da Mata Atlântica, manguezais, recifes de coral e o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, principal berçário das baleias-jubarte no Atlântico Sul. “Essa é uma das áreas mais prioritárias para conservação de todo o Atlântico Sul”, disse a líder de Uso Público em Áreas Protegidas do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo. “É onde a Mata Atlântica ocorre de forma mais biodiversa e onde os ecossistemas costeiros e marinhos se conectam de maneira muito intensa”. De fato, a região reúne ambientes fundamentais para equilíbrio climático e proteção costeira. “Os manguezais e os corais são estruturas naturais importantíssimas para captura de carbono, proteção da costa e manutenção da biodiversidade marinha”, explica Anna. “E os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor gerado pelas mudanças climáticas”. Estruturas de povos tradicionais, cercadas pela Mata Atlântica, integram as experiências ligadas ao turismo regenerativo propostas na Bahia. Divulgação Um estudo técnico coordenado pelo WWF-Brasil reforça o peso ambiental e econômico desse território. O levantamento aponta que pesca e turismo movimentaram juntos cerca de R$ 1,9 bilhão na Região dos Abrolhos em 2024 e foram responsáveis por aproximadamente 97 mil empregos diretos e indiretos. Ainda de acordo com o relatório, mais de 10 mil postos de trabalho diretos estão ligados à pesca artesanal na região, enquanto o turismo emprega diretamente quase 22 mil pessoas. O estudo também destaca que as Unidades de Conservação costeiras e marinhas da região, como Abrolhos, Corumbau e Cassurubá, respondem por cerca de 30% dos empregos gerados pela pesca e pelo turismo, além de aproximadamente R$ 536 milhões movimentados na economia regional. Turismo além da paisagem A iniciativa também reflete uma mudança no comportamento de viajantes, de acordo com a análise do gerente de Políticas Públicas do Airbnb, Ammar Aziz. “Cada vez mais as pessoas buscam viagens ligadas a experiências”, pondera, em entrevista para o Um Só Planeta. “O interesse do Airbnb é justamente redistribuir o turismo para além dos destinos convencionais e levar desenvolvimento econômico para diferentes localidades”. Nas contas da empresa, mais de 2.500 municípios brasileiros já receberam hóspedes pela plataforma. A ideia agora é direcionar parte desse fluxo para áreas ligadas à natureza e às culturas locais. “O turismo sustentável também é uma forma de introduzir as pessoas ao país de maneira mais responsável”, argumenta Ammar. “Quando visitantes chegam a essas regiões, eles movimentam restaurantes, pequenos comércios, pousadas e ajudam a fortalecer a economia local”. Vista da Mata Atlântica na Bahia, região onde manguezais, florestas e áreas marinhas sustentam comunidades tradicionais. Divulgação Um estudo citado pelo Airbnb aponta que, para cada R$ 100 gastos na plataforma, cerca de R$ 520 retornam para a economia local. O relatório do WWF-Brasil reitera a lógica ao apontar que o turismo ecológico em Abrolhos movimenta cadeias inteiras de serviços, incluindo hospedagem, transporte marítimo, mergulho, alimentação e guias turísticos. Apenas o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos recebeu quase 17 mil visitantes em 2024. “Os pássaros mudaram nossa história” Observação de aves integra experiências de conexão com a natureza e conservação ambiental desenvolvidas na Rota das Marés. Divulgação/WWF-Brasil Entre as experiências da rota está o projeto indígena “Vem Passarinhar”, conduzido pelo guia Pataxó Carlos Silva, na região de Cumuruxatiba. Além da atividade turística, a observação de aves se tornou ferramenta de saúde mental e reconexão com o território para jovens da comunidade. “Quando começamos esse trabalho, vimos jovens retomando a autoestima e acreditando que o amanhã podia ser diferente”, relata o Pataxó Carlos Silva. “A observação de aves transforma o ser humano e alinha a pessoa com a natureza”. O projeto surgiu há cerca de dois anos e meio em um contexto marcado por ansiedade e depressão entre jovens indígenas, pós-pandemia da Covid-19. “Os pássaros mudaram a nossa história”, afirma. “Mudaram a minha vida, a vida da minha comunidade e a vida de muitos jovens daqui”. O trabalho conta com apoio de instituições como WWF-Brasil, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Parque Nacional do Descobrimento. Para Anna Carolina Lobo, experiências conduzidas por comunidades tradicionais ajudam visitantes a compreenderem a floresta, o oceano e os territórios a partir de outra perspectiva. “A gente trabalha olhando a jornada do visitante para entender como essas experiências podem aproximar as pessoas da conservação”, pontua. “Queremos que o turista saia dali entendendo que também pode fazer parte da solução”. Experiências conduzidas por lideranças indígenas fazem parte da Rota das Marés, projeto que busca aproximar visitantes dos saberes tradicionais e da conservação ambiental no sul da Bahia. Divulgação/WWF-Brasil Mata Atlântica, oceano e clima A rota inclui experiências que vão desde atividade de observação subaquática em recifes até observação de baleias, gastronomia tradicional em reservas extrativistas e subidas ao Monte Pascoal com guias indígenas. Durante viagens-piloto realizadas antes do lançamento oficial, uma das experiências mais marcantes aconteceu em Abrolhos, quando visitantes ouviram o canto das baleias-jubarte captado por microfones submersos. “Teve gente chorando”, conta Anna Carolina. “Foi algo profundamente transformador”. Baleias-jubarte utilizam a região de Abrolhos, no litoral da Bahia, como berçário reprodutivo Divulgação O estudo técnico do WWF-Brasil também destaca que ambientes como manguezais, estuários e recifes funcionam como verdadeiros “berçários” naturais de espécies marinhas e sustentam diretamente comunidades pesqueiras e atividades de turismo de base comunitária. Na Reserva Extrativista de Cassurubá, por exemplo, a pesca artesanal e o turismo comunitário ajudaram a movimentar cerca de R$ 115 milhões em 2024. Já na Resex de Corumbau, a renda associada às atividades chegou a R$ 105 milhões no mesmo período. Os organizadores da rota defendem que a Mata Atlântica também precisa protagonizar as discussões climáticas. “Mais de 70% da população brasileira vive na Mata Atlântica”, estima Anna Carolina. “É um dos biomas mais ameaçados do país, mas também um dos mais importantes para abastecimento de água, economia e adaptação climática”. Na visão dela, o extremo sul da Bahia também vem se tornando referência em protocolos de adaptação às mudanças climáticas desenvolvidos por comunidades tradicionais. A expectativa dos organizadores é que a Rota das Marés funcione como modelo para outras iniciativas semelhantes no Brasil. “Quando as pessoas conhecem esses territórios, elas passam a entender por que essas áreas precisam continuar em pé”, afirma Ammar Aziz. “O turismo pode ajudar a construir essa consciência”. Mais Lidas",
  "title": "Baleias, manguezais e saberes indígenas: rota do turismo regenerativo no Sul da Bahia reconecta o visitante e protege a Mata Atlântica"
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