Meio ambiente e oceano: o compromisso que precisamos assumir nas eleições
Um só Planeta [Unofficial]
June 5, 2026
Mais do que discursos genéricos sobre sustentabilidade, o Brasil precisa cobrar dos candidatos compromissos concretos com a agenda ambiental e oceânica. Em um cenário de crise climática crescente, eventos extremos cada vez mais frequentes e pressão sobre os recursos naturais, tratar meio ambiente como tema secundário deixou de ser uma opção. É uma questão estratégica para o futuro do país. Nos últimos anos, o debate ambiental foi frequentemente capturado por polarizações políticas, desinformação e disputas ideológicas muitas vezes rasas. Isso enfraquece a capacidade da sociedade de discutir seriamente temas que impactam diretamente a economia, a segurança alimentar, a geração de empregos, a proteção das cidades costeiras e a qualidade de vida da população. O Oceano ocupa papel central nessa discussão. Regulador essencial do clima, responsável por absorver grande parte do excesso de calor e das emissões de gases de efeito estufa, ele também sustenta milhões de meios de vida e setores inteiros da economia. Não por acaso, a agenda oceânica ganhou protagonismo na COP30, realizada no Brasil, deixando evidente que proteger ecossistemas costeiros e marinhos é também fortalecer resiliência econômica, adaptação climática e desenvolvimento sustentável. O mais importante é que o Brasil não parte do zero. Já existem iniciativas concretas, políticas estruturadas e mecanismos internacionais em andamento. O chamado Blue Package da Agenda de Ação da COP30 reuniu mais de uma centena de ações ligadas ao oceano e à zona costeira. O Mutirão Azul mobilizou soluções locais propostas por comunidades, organizações, empresas e governos. O país também assumiu compromissos relevantes em fóruns internacionais, como o Painel de Alto Nível para uma Economia Oceânica Sustentável e a Força-Tarefa Oceânica liderada junto à França. Também houve avanços em políticas públicas nacionais fundamentais. O Plano Clima Adaptação incorporou o Plano Temático de Oceano e Zona Costeira, reforçando a integração entre clima e gestão costeira e marinha. O Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro segue em atualização participativa, enquanto o Planejamento Espacial Marinho avança em toda a área oceânica brasileira. Somam-se a isso estratégias voltadas à conservação de manguezais e corais, o combate à poluição plástica e a ampliação das áreas marinhas protegidas. Tudo isso demonstra que já existe uma base sólida sendo construída. E é justamente por isso que a sociedade precisa cobrar dos candidatos mais do que promessas vagas ou slogans ambientais. É necessário exigir posicionamentos claros, metas, continuidade institucional e compromisso real com políticas públicas ambientais de longo prazo. O meio ambiente não pode ser tratado apenas como pauta eleitoral circunstancial, nem ficar sujeito a desmontes da estrutura de governança. A continuidade e implementação dessas políticas é condição para que o Brasil mantenha a saúde dos ecossistemas costeiros e marinhos, continue como liderança internacional, fortaleça a economia azul, atraia investimentos e proteja sua população diante dos impactos cada vez mais severos da crise climática. Democracias maduras se constroem também pela capacidade da sociedade de exigir responsabilidade de seus representantes. Nas próximas eleições, precisamos perguntar aos candidatos: qual é, de fato, o compromisso deles com o clima, o oceano e o futuro do país? Porque não temos mais tempo para retrocessos. *Marinez Scherer é doutora em Ciências Marinhas e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil. Em 2025, foi nomeada Enviada Especial para o Oceano pela Presidência Brasileira da COP30. Mais Lidas
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