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"textContent": "\nVivemos a era da adaptação climática. O que por muito tempo foi tratado como um cenário futuro tornou-se realidade. O clima já mudou e continua mudando. Nesse contexto, adaptação climática deixa de ser um conceito técnico para se tornar uma competência essencial para governos, empresas e sociedade. Depois de aprender termos como mitigação, descarbonização, transição energética e NDCs, o setor privado passa a lidar com um novo vocabulário: riscos, vulnerabilidades, impactos e, sobretudo, planejamento. Atualmente, países em todo o mundo desenvolvem seus Planos Nacionais de Adaptação, e o Brasil avança na integração da adaptação às políticas públicas e aos diferentes setores da economia a partir da elaboração dos Planos Clima setoriais. Mas o que significa adaptar-se na prática? Para as empresas, não se trata de recuo ou conformismo. Adaptar-se é reconhecer que o ambiente de negócios foi transformado pelas mudanças no clima e que decisões de investimento precisam refletir essa nova realidade. Em outras palavras, adaptação é gestão de riscos. E gestão de riscos gera retorno. A adaptação climática tem ROI, e quem não calcular esse retorno agora poderá arcar, no futuro, com custos muito maiores. O Plano Clima Adaptação do Brasil alerta que ignorar os riscos climáticos aumenta a vulnerabilidade das cadeias de valor. A agricultura, um dos pilares da economia nacional, já sente esses impactos. Alterações nos regimes de chuva e temperatura afetam diretamente a produtividade das culturas. E um novo teste se aproxima: especialistas apontam a possibilidade de formação do El Niño entre 2026 e 2027, com potenciais impactos prolongados sobre diferentes regiões do país. Apesar desse cenário, a incorporação da adaptação climática pelo setor privado ainda ocorre de forma limitada e, muitas vezes, reativa. Há, porém, iniciativas que demonstram o potencial dessa agenda. No transporte, o Hub de Biocombustíveis e Elétricos do Pacto Global da ONU – Rede Brasil desenvolveu um Roadmap Tecnológico para a descarbonização do transporte rodoviário de cargas, identificando 132 ações estratégicas para orientar empresas em temas como governança, financiamento e inovação. O estudo indica que o país pode reduzir em até 88% as emissões do transporte pesado por meio de ação coordenada. No campo, o Grupo de Trabalho de Agricultura Sustentável reúne mais de 60 empresas para impulsionar práticas de agricultura regenerativa, capazes de fortalecer a saúde do solo, melhorar a gestão hídrica e aumentar a resiliência produtiva. Mais de 30 oportunidades de financiamento já foram mapeadas, além da sistematização de casos de sucesso. Na agenda hídrica, o Movimento + Água mobiliza empresas para enfrentar os riscos relacionados à escassez de água, promovendo capacitação, ações coletivas e recuperação de bacias hidrográficas. Afinal, investir em resiliência hídrica significa pagar o custo da prevenção, não o custo da crise. O mesmo raciocínio vale para a economia azul. O Ocean Centres Brazil busca acelerar a descarbonização dos setores marítimo e portuário, demonstrando que competitividade e liderança climática podem caminhar juntas. Há ainda uma dimensão frequentemente subestimada: a dependência da economia em relação à natureza. Mais da metade do PIB global depende moderada ou altamente dos serviços ecossistêmicos. Por isso, o Hub Natureza e Clima apoia empresas na incorporação da natureza às suas estratégias de negócios, transformando riscos ambientais em oportunidades de geração de valor e resiliência. O desafio que permanece é fazer com que a adaptação climática deixe de ser vista apenas como uma pauta de sustentabilidade e passe a ocupar o centro das decisões empresariais. A boa notícia é que o Brasil já possui planos, iniciativas e exemplos concretos. O que falta é escala. A adaptação climática não é apenas uma necessidade ambiental. É uma estratégia de negócios. E, em um cenário cada vez mais marcado por eventos extremos, novas regulações e pressões de mercado, investir em resiliência será, cada vez mais, uma das decisões mais inteligentes para garantir competitividade no longo prazo. *Rubens Filho é Gerente Executivo de Meio Ambiente do Pacto Global da ONU- Rede Brasil Mais Lidas",
"title": "Dia Mundial do Meio Ambiente: Adaptação climática é o ROI que as empresas não podem ignorar"
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