Cientistas chineses criam tecnologia capaz de transformar lixo plástico em combustível para aviões
Um só Planeta [Unofficial]
June 5, 2026
Enquanto o mundo busca alternativas para reduzir as emissões da aviação, um dos setores mais difíceis de descarbonizar, cientistas chineses desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar resíduos plásticos em combustível para aeronaves. O método, descrito na revista científica Nature Energy, converte plásticos descartados em um combustível com características semelhantes às do querosene de aviação e custo estimado entre US$ 1 e US$ 1,80 por quilograma, aproximadamente entre R$ 5,40 e R$ 9,70 por quilo na cotação atual. A proposta chama atenção por atacar simultaneamente dois dos maiores desafios ambientais da atualidade: a poluição causada pelo plástico e as emissões de gases de efeito estufa do transporte aéreo. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Florestal de Nanjing, da Universidade Tsinghua e de outras instituições chinesas. A equipe desenvolveu um catalisador capaz de acelerar e direcionar as reações químicas necessárias para quebrar moléculas de plástico e convertê-las em hidrocarbonetos adequados para uso na aviação. Segundo os autores, um dos principais obstáculos desse tipo de processo sempre foi controlar quais produtos são gerados durante a degradação do plástico. “A hidrogenação convencional de plásticos tende a produzir uma mistura ampla e difícil de controlar. Queríamos saber se projetar o centro ativo do catalisador em escala atômica nos daria esse controle”, afirmaram os pesquisadores Yadong Li e Dingsheng Wang, autores seniores do trabalho. Como funciona O processo ocorre em duas etapas. Primeiro, os resíduos plásticos são aquecidos a cerca de 460°C, quebrando-se em moléculas menores. Em seguida, esses compostos passam por um segundo reator, operando a 160°C, onde um catalisador à base de rutênio transforma os fragmentos em um combustível rico em cicloalcanos, moléculas valorizadas por sua alta densidade energética e adequadas para uso em aviões. Os pesquisadores afirmam que o combustível obtido apresentou propriedades técnicas compatíveis com as exigências da aviação e desempenho superior ao de alguns processos tradicionais de reciclagem química. Potencial econômico Além da viabilidade técnica, a equipe realizou uma análise econômica do sistema. Os cálculos indicam que o combustível poderia ser produzido por um preço competitivo em relação a alternativas sustentáveis atualmente disponíveis no mercado. “Uma análise tecnoeconômica estimou um preço mínimo de venda entre US$ 1 e US$ 1,80 por quilograma, um valor realmente competitivo”, destacaram os autores. O resultado é relevante porque o custo continua sendo uma das principais barreiras para a expansão dos chamados combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês), considerados fundamentais para que o setor aéreo alcance metas climáticas nas próximas décadas. Ainda há desafios Apesar dos resultados promissores, a tecnologia permanece em fase experimental. Os cientistas agora trabalham para ampliar a produção do catalisador para escalas industriais e desenvolver sistemas contínuos de alimentação de resíduos plásticos, necessários para uma eventual aplicação comercial. O estudo se soma a uma crescente corrida global por soluções capazes de dar destino mais nobre aos resíduos plásticos. Atualmente, estima-se que centenas de milhões de toneladas de plástico sejam produzidas anualmente no mundo, enquanto apenas uma pequena parcela é efetivamente reciclada. Se conseguir superar os desafios de escala, a nova tecnologia poderá oferecer uma rota inédita para transformar um dos resíduos mais problemáticos da sociedade moderna em um insumo estratégico para a transição energética da aviação. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere