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"textContent": "\nEm um momento em que o desperdício de alimentos é uma das discussões globais sobre clima, segurança alimentar e uso de recursos naturais, grandes cozinhas industriais brasileiras começam a funcionar também como centros de inteligência de dados. Na Sodexo, multinacional francesa de alimentação corporativa e facilities, a combinação entre monitoramento em tempo real, revisão de cardápios e mudanças operacionais, permitiu reduzir em 44,1% a geração de resíduos orgânicos no Brasil em 2025. Segundo o novo Relatório de Sustentabilidade da empresa, o programa WasteWatch evitou o desperdício de 4,2 mil toneladas de alimentos no país, que é um volume equivalente a cerca de 7,8 milhões de refeições. O sistema já opera em mais de 1,3 mil unidades brasileiras da companhia, incluindo restaurantes corporativos, hospitais, escolas, operações industriais e ambientes remotos. O modelo funciona a partir da pesagem constante dos resíduos, análise de dados e identificação dos principais pontos de perda ao longo da operação. No entanto, um dos diagnósticos mais relevantes apareceu justamente no fim da cadeia: o maior foco de desperdício estava na sobra de prato, comida já servida ao consumidor e descartada depois. “O principal aprendizado com o WasteWatch é que o desperdício de alimentos não está concentrado em apenas uma etapa da operação. Ele pode acontecer ao longo de toda a jornada, desde o planejamento até o consumo final”, garantiu a vice-presidente de Pessoas, Comunicação e ESG da Sodexo Brasil, Ana Menegotto, em entrevista exclusiva ao Um Só Planeta. O monitoramento contínuo permitiu que a empresa deixasse de atuar apenas por percepção. “Ao começarmos a medir de forma estruturada, pesando, registrando e analisando os resíduos continuamente, saímos de uma lógica baseada em percepção e passamos a trabalhar com dados”, ressaltou Menegotto. Desperdício A descoberta de que parte do desperdício ocorre depois do alimento, já ter sido preparado e servido, alterou a lógica de atuação da companhia. Além de ajustes operacionais e revisão de fluxos produtivos, a empresa passou a atuar também na conscientização dos consumidores, estimulando escolhas mais equilibradas e porções mais adequadas. “Esse ponto reforçou a importância da conscientização dos consumidores, incentivando escolhas mais equilibradas e o hábito de servir apenas o necessário”, afirmou Ana Menegotto. Os dados coletados também levaram a mudanças em cardápios, quantidades produzidas e aproveitamento integral de ingredientes. Resíduos de preparo, como cascas e partes normalmente descartadas de alimentos como batata, tomate e abacaxi, passaram a ser melhor aproveitados dentro dos próprios processos culinários. Já excedentes de produção, que não chegam a ser servidos, podem ser direcionados para doação social. “A redução do desperdício trouxe ganhos relevantes que vão além da operação em si, impactando diretamente o modelo de gestão e o valor gerado para o negócio e para a sociedade”, disse a executiva. Funcionária da Sodexo acompanha sistema de monitoramento de desperdício alimentar em unidade da empresa. A companhia afirma ter reduzido em 44% a geração de resíduos orgânicos no Brasil por meio do programa WasteWatch. Divulgação/Sodexo Cozinhas industriais: circularidade Além da redução de resíduos, a estratégia passou a incorporar práticas de economia circular dentro das operações. De acordo com a companhia, parte dos resíduos orgânicos é destinada à compostagem e a biodigestores implementados em parceria com clientes, permitindo transformar resíduos em adubo e água cinza. A empresa também afirma ter ampliado iniciativas de hortas hidropônicas dentro de algumas operações, aproximando parte da produção do consumo final. Sistema de cultivo hidropônico utilizado em operação da empresa Sodexo Divulgação/Sodexo O relatório aponta ainda outros avanços ambientais e sociais: redução de 6% nas emissões; 95% dos ovos provenientes de galinhas livres de gaiolas; 88% da carne bovina e 83% do frango certificados em bem-estar animal; 65% das compras realizadas com fornecedores localizados em até 400 quilômetros das operações ou centros de distribuição; investimento social que alcançou mais de 40 mil pessoas diretamente. Desafio A entrevista também detalhou uma das principais contradições da alimentação sustentável em larga escala: equilibrar eficiência logística, abastecimento e redução de impactos ambientais em um país continental. Embora o critério de fornecedores localizados em até 400 quilômetros possa parecer elevado, Ana Menegotto afirmou que o parâmetro foi definido considerando as dimensões do Brasil e a complexidade logística nacional. “Mais do que um limite rígido, trata-se de um parâmetro objetivo e mensurável para orientar a regionalização da cadeia de fornecimento”, explicou. O objetivo é priorizar fornecedores o mais próximos possível das operações, sem comprometer segurança alimentar, regularidade de abastecimento e qualidade dos produtos. A executiva afirma que a estratégia também ajuda a reduzir desperdícios em produtos perecíveis, especialmente hortifruti, ovos e panificados, devido à redução no tempo de transporte. Desperdício zero Apesar dos avanços, a própria empresa reconhece que eliminar o desperdício ainda está distante da realidade operacional da alimentação corporativa. “Zerar completamente o desperdício ainda é inviável operacionalmente”, afirmou Ana Menegotto. Ela argumenta que a complexidade da cadeia alimentar, a necessidade de garantir segurança de abastecimento e as variações no comportamento de consumo tornam impossível eliminar integralmente as perdas. “É possível reduzir ao máximo os impactos, dando novos destinos aos alimentos e reforçando a circularidade. Esse é o nosso objetivo”, disse. A discussão ganhou dimensão global nos últimos anos. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o desperdício de alimentos representa uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, além de pressionar recursos naturais como água, energia e solo. Nesse contexto, empresas de alimentação passaram a tratar resíduos não apenas como questão ambiental, mas também como tema de eficiência operacional, segurança alimentar e competitividade econômica. O movimento aparece no novo ciclo global de sustentabilidade da companhia, batizado de Better Tomorrow 2028, que passa a integrar metas ambientais, sociais e operacionais dentro da estratégia de negócios da empresa. Mais Lidas",
"title": "Como a Sodexo reduziu o desperdício de alimentos em 44% e evitou o descarte de 7,8 milhões de refeições"
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