Teia da vida: microbiota dos peixes pode desempenhar papel essencial para saúde do oceano, aponta estudo
Um só Planeta [Unofficial]
June 1, 2026
Um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos e publicado na revista PLOS Biology, sugere que as bactérias que vivem no intestino dos peixes marinhos são essenciais para o processo de produção de carbonato de cálcio, um mineral que desempenha um papel significativo na química oceânica e no ciclo do carbono dos mares. A descoberta aponta para uma parceria até então negligenciada pela Ciência e que pode influenciar a forma como os oceanos armazenam carbono e se mantém saudáveis. A pesquisa, liderado pelo ex-aluno de pós-graduação Anthony Bonacolta, do Departamento de Biologia Marinha e Ecologia da Escola Rosenstiel de Ciências Marinhas, Atmosféricas e da Terra da Universidade de Miami, investigou como um processo por muito tempo atribuído principalmente à fisiologia dos peixes, pode, na verdade, depender desta parceria microbiana para ser bem sucedido. Saiba mais Entendendo a formação do carbonato de cálcio Os peixes ósseos bebem água do mar para se manterem hidratados. Em seus intestinos, eles processam o excesso de íons de cálcio e carbonato e os excretam na forma de grânulos sólidos de carbonato de cálcio chamados ictiocarbonatos. Para realizar o experimento em laboratório, os pesquisadores expuseram peixes a diferentes níveis de salinidade — água salobra, água do mar e água hipersalina — para testar como as mudanças nessa graduação de sal afetam a formação de ictiocarbonato, que costuma aumentar como parte do processo normal de osmorregulação do peixe. Os resultados mostraram diferenças claras. Peixes que viviam em água com baixa salinidade não produziram ictiocarbonatos. Peixes mantidos em água do mar os produziram, e a produção aumentou ainda mais no ambiente hipersalino. Durante a análise, os pesquisadores observaram as bactérias do gênero Vibrio, particularmente a Photobacterium damselae subsp. damselae, eram altamente abundantes tanto no intestino dos peixes quanto nos grânulos sólidos de carbonato de cálcio que eles excretavam. Essas bactérias apresentaram potencial genético para processos ligados à produção dos ictiocarbonatos, sugerindo que elas podem contribuir para a formação de minerais juntamente com o hospedeiro peixe. Para os pesquisadores, a descoberta destaca como organismos microscópicos podem influenciar processos ambientais em grande escala. “A maior parte da vida na Terra é microbiana, impulsionando os ciclos de nutrientes e o funcionamento dos ecossistemas, ao mesmo tempo que revela novas dimensões da diversidade biológica através da simbiose. O oceano é especialmente rico nessas parcerias, e a simbiose entre o peixe-sapo e a bactéria Vibrio, potencialmente ligada à produção de carbonato de cálcio, é um novo e impressionante exemplo disso", disse um dos autores principais do estudo, Martin Grosell, professor titular da Cátedra Maytag de Ictiologia e chefe do Departamento de Biologia Marinha e Ecologia da universidade. Mais Lidas
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