Com menor desmatamento em 40 anos, Mata Atlântica ganha restauração produtiva
Um só Planeta [Unofficial]
May 30, 2026
Em 27 de maio, é celebrado o Dia Nacional da Mata Atlântica, uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, mas que enfrenta desafios para a sua conservação. No entanto, a floresta está se tornando "vitrine" de uma nova agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista apenas como uma ação ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa estratégica para explorar atividades sustentáveis, com geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades. Segundo o Observatório da Restauração, em 2025, o desmatamento no bioma atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do monitoramento da SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciado em 1985 e que corresponde às florestas maduras/antigas. Ao longo desse período, houve redução de 40% nos registros anuais de desmatamento, que passaram de 14.366 para 8.658 hectares. Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil. “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”, destaca. Saiba mais Potencial econômico Borges comenta que os benefícios econômicos da restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. O especialista destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de regulamentação e aprimoramento técnico. “Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas”, ressalta. A restauração produtiva também abre caminhos para a bioeconomia. Modelos como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Silvipastoris, que integram espécies nativas à produção agrícola - a exemplo de consórcios de café e cacau com espécies nativas -, são um dos caminhos produtivos sustentáveis em paisagens fragmentadas da Mata Atlântica. Essa prática, lembra Borges, permite que produtores rurais se beneficiem de serviços ecossistêmicos como polinização e controle natural de pragas, aumentando a qualidade dos produtos e reduzindo custos. Paralelamente, a silvicultura de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto recuperam o ecossistema. Ele aponta que o lançamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está sendo vista de modo estratégico pelo país. “O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e internacional”, destaca. Obstáculos Apesar dos avanços, a conservação das áreas em regeneração natural enfrenta gargalos. Anualmente, a Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), mais de 2 milhões de hectares foram regenerados. Mas, ao mesmo tempo, 30% desse ganho foram perdidos no mesmo período, segundo uma publicação científica conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a Coalizão Brasil. “Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem essas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, considera Borges. Os números reforçam o esforço nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração. Este índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site. A plataforma é atualizada por meio dos dados enviados por coletivos à Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Dia da Mata Atlântica Instituído em 1999, o Dia Nacional da Mata Atlântica faz referência à data de 27 de maio de 1560, quando o padre José de Anchieta assinou a "Carta de São Vicente". Neste documento, ele descreveu pela primeira vez as belezas e a rica biodiversidade da floresta tropical no Brasil. Mais Lidas
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