Assista: Ferrari lança carro elétrico de R$ 3,5 milhões, divide opiniões e vê ações despencarem
Um só Planeta [Unofficial]
May 27, 2026
A Ferrari apresentou oficialmente seu primeiro carro 100% elétrico. O detalhe é que a estreia já provocou turbulência dentro e fora do mercado financeiro. Batizado de Luce, o novo modelo da montadora italiana fez as ações da empresa despencarem mais de 8% na Bolsa de Milão e mais de 5% em Nova York após o lançamento, em meio a uma onda de críticas, mas também de elogios, nas redes sociais. O veículo, avaliado em cerca de US$ 640 mil (aproximadamente R$ 3,5 milhões), representa uma mudança na trajetória da marca italiana, historicamente associada aos motores a combustão de alto desempenho. O Luce é também o primeiro Ferrari com cinco lugares e foi desenvolvido em parceria com a agência LoveFrom, fundada pelo ex-chefe de design da Apple, Sir Jony Ive. “O conceito de uma Ferrari elétrica com um design completamente novo é polarizador”, afirmou o diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni, em entrevista à youtuber Cleo Abram, segundo reportagem da BBC. “Mas acredito que as pessoas irão apreciá-lo nos próximos meses”. Luce, “luz”, em italiano, levou cerca de cinco anos para ser desenvolvido, segundo o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna. O executivo apresentou o carro ao Papa Leão durante evento em Roma. Um vídeo divulgado pela BBC mostra o pontífice entrando no veículo, inspecionando o interior do modelo e recebendo simbolicamente o volante do automóvel. A chegada do Luce ocorre em um momento delicado para a indústria automotiva global. Nos últimos anos, montadoras tradicionais enfrentaram dificuldades para ampliar a adoção de veículos elétricos, diante da desaceleração da demanda, mudanças regulatórias e avanço de fabricantes chinesas, que vêm produzindo carros elétricos em maior escala e com preços mais competitivos. Características e reação Segundo o site oficial da Ferrari, o Luce utiliza quatro motores elétricos independente, um em cada roda, produzidos pela própria companhia em Maranello, sede da marca italiana. A configuração permite que o carro acelere de 0 a 96 km/h em cerca de 2,5 segundos. A empresa afirma que todos os componentes foram desenvolvidos internamente, incluindo motores, softwares e sistemas elétricos, numa estratégia para garantir manutenção futura e preservar o valor de revenda do veículo. O interior do modelo também rompe com o padrão tradicional da Ferrari. O carro aposta em acabamento minimalista, tela curva integrada ao painel e espaço ampliado para cinco ocupantes, algo raro na história da fabricante. Nas redes sociais, o lançamento gerou reações extremas. “A Ferrari acabou de destruir sua marca, assim como a Jaguar fez. Isso é lixo direto para o ferro velho”, escreveu um usuário na plataforma X, segundo a BBC. Outro comentou: “Uma verdadeira aula de design. A Ferrari acabou de revelar o impressionante conceito LUCE, e ele muda completamente o jogo”. Na contramão... Enquanto Ferrari avança no segmento, rivais históricos vão “na contramão”. A Lamborghini abandonou planos de lançar carros totalmente elétricos e passou a priorizar modelos híbridos. Já a Porsche reduziu suas metas para EVs após enfrentar queda nas vendas na China e pressão tarifária nos Estados Unidos. A Jaguar, montadora britânica, também sofreu forte reação após abandonar elementos clássicos de design em seus projetos elétricos. Mesmo sendo hoje a montadora mais valiosa da Europa, a Ferrari não escapou da desaceleração do mercado de luxo. As ações da empresa acumulam queda superior a 30% no último ano, diante do impacto da inflação global e da retração no consumo de produtos de alto padrão. Apesar da aposta elétrica, a Ferrari afirmou que continuará produzindo carros a gasolina e híbridos nos próximos anos, numa tentativa de equilibrar tradição, inovação e as incertezas do mercado global de veículos elétricos. A expansão dos veículos elétricos é parte das estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuir a dependência global de combustíveis fósseis. O setor de transportes está entre os principais responsáveis pelas emissões ligadas à crise climática, o que levou diferentes países a estabelecer metas para restringir ou até encerrar, nas próximas décadas, a venda de carros movidos exclusivamente a gasolina e diesel. Mais Lidas
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