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"textContent": "\nApós representar o Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza de 2024 e participar da 36ª Bienal de São Paulo de 2025, onde apresentou a instalação imersiva Portals to Submerged Worlds, o artista Moffat Takadiwa, de Hurungwe, no Zimbábue, apresenta sua primeira mostra individual no Brasil, na Galeria Almeida & Dale, em São Paulo. Reverberações do Gesto reúne um conjunto de obras inéditas que abordam a cultura de consumo, suas origens coloniais e consequências ambientais. “Quando estive no Brasil pela primeira vez, no ano passado, senti uma conexão muito forte com as pessoas. Me senti em casa. Nesta exposição, estou falando muito sobre gestos cotidianos de cuidado pessoal, como escovar os dentes, tomar café, pentear o cabelo, usar maquiagem ou esmalte. São ações triviais, mas muito importantes\", explica o artista. “Também tento identificar elementos coloniais presentes nesses hábitos cotidianos. Como pessoa negra, até um gesto simples, como pentear o cabelo, pode carregar uma tensão, porque o cabelo africano naturalmente se entrelaça\". Para Moffat, muitas vezes esquecemos que esses hábitos são moldados pela lógica do marketing e do consumo, e carregam toxicidade para nossos corpos e o meio ambiente. “É uma exposição que convida para começarmos a questionar tudo o que fazemos diariamente\", comenta. \"Survival Mode\", 2026. De perto, escovas e teclas revelam a lógica do consumo ocidental reorganizada em padrão têxtil Estúdio em Obra A partir desses gestos cotidianos, o artista constrói trabalhos inéditos em grandes dimensões que se assemelham a mosaicos ou tapeçarias e revelam composições feitas de rejeitos plásticos e eletrônicos, como teclas de computador, tampas e pincéis de esmalte, escovas de dentes, pentes e outros resíduos do dia a dia das sociedades ocidentais. “Comecei a usar esses materiais muito cedo na minha prática. Na época em que eu ainda estava na faculdade, o Zimbábue atravessava um período muito difícil, e não conseguíamos acessar materiais artísticos tradicionais. Então, já éramos forçados a procurar elementos alternativos para substituir os convencionais\", relembra Moffat. Ainda, o trabalho do artista carrega vários contrastes, como vida e morte, já que esses materiais deveriam estar “mortos” e enterrados. “Eu os recupero e lhes dou uma nova vida. Então, meu trabalho também fala sobre esperança\", explica. Ademais, sobre sua produção, existe o contraste entre beleza e “feiura\", conforme o próprio artista. Há ainda outra contradição importante: são objetos plásticos, não vivos, mas, ao mesmo tempo, eles falam sobre interação humana e quase se tornam organismos vivos. “Eles deixam de ser apenas objetos plásticos e se tornam vivos porque convivem conosco diariamente\". O que começou como uma necessidade prática e de realidade social, acabou se desenvolvendo como identidade visual. “A tapeçaria também se tornou uma linguagem porque comecei a criar muitas referências sobre diferentes formas culturais de produzir tapeçarias. O trabalho passou a ganhar várias camadas a partir disso\". O artista produz sua obra de forma colaborativa, com uma rede formada em torno do Mbare Art Space, ateliê fundado por ele em 2019, que promove a formação de uma comunidade de artistas, a qualificação do trabalho e a renovação urbana de Mbare, uma das áreas mais antigas e densamente povoadas de Harare, capital do Zimbábue. “O Mbare Art Space é uma extensão da minha prática. É uma forma de devolver vida a uma arquitetura colonial que estava praticamente morrendo por causa da degradação urbana. Quis revitalizar esse espaço através da energia artística e usá-lo como uma ferramenta de regeneração, não apenas celebrando as obras, mas também o pensamento artístico em si\", diz Takadiwa. O título da exposição reúne dois polos antagônicos, mas também complementares – repetição e transformação – que, para o artista, possibilitam refletir sobre a história colonialista no mundo, mas também reescrever uma nova narrativa com um olhar crítico e de reparação. “Gosto muito da palavra ‘ecos’, porque meu trabalho fala sobre muitos eles – alguns bons, outros ruins. Os ecos negativos são as repetições do colonialismo. Se você olhar para a África hoje, verá que ainda enfrentamos muitos desses resíduos coloniais. Mas também existem repetições positivas, que são as culturais presentes no meu trabalho. Elas são importantes para mim porque representam uma forma de reescrever minha própria história. Ao mesmo tempo em que reconheço o que a estética europeia trouxe, também privilegio minha própria cultura e minhas formas de fazer\", finaliza Moffat. Moffat Takadiwa: Reverberações do Gesto Data: de 16 de maio a 20 de junho de 2026 Horário: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h | Sábado, das 11h às 16h Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360 Ingresso: entrada gratuita Mais Lidas",
"title": "Quem é Moffat Takadiwa, artista do Zimbábue que transforma resíduos em grandes tapeçarias"
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