Natureza é 'base' da estratégia contra deslocamentos climáticos no Brasil; entenda
Um só Planeta [Unofficial]
May 25, 2026
A crise climática já provoca impactos sobre a mobilidade humana no Brasil. E uma nova iniciativa quer colocar a natureza como parte central da resposta, diante do agravamento dos desastres climáticos no país. Uma parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Grupo Boticário pretende apoiar municípios brasileiros na adoção de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para reduzir deslocamentos forçados causados por eventos extremos. De acordo com dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil, mais de 10 milhões de deslocamentos internos foram registrados nos últimos 25 anos após eventos extremos. Apenas em 2024, enchentes no Rio Grande do Sul, seca na Amazônia e incêndios florestais no Pará provocaram mais de 800 mil novos deslocamentos relacionados à crise climática. Arroio São Lourenço, no município de São Lourenço do Sul, saiu do seu leito normal, afetando residências Jorge Schneid/Divulgação Defesa Civil do Rio Grande do Sul A iniciativa prevê a publicação de uma nota técnica voltada a gestores municipais, com orientações para incorporar ao planejamento urbano estratégias de adaptação baseada em ecossistemas. O objetivo é reduzir impactos associados a enchentes, ilhas de calor, deslizamentos, desertificação, erosão costeira e incêndios florestais, todos, fenômenos cada vez mais associados à migração climática. “Ao unir agendas de meio ambiente e mobilidade humana, a parceria reforça a mensagem de que conservar a natureza é investir na proteção das pessoas, e uma das formas mais eficazes de evitar deslocamentos por desastres no futuro é promover políticas públicas integradas que antecipem riscos e fortaleçam a resiliência das comunidades”, afirmou Débora Castiglione, oficial nacional de Migração, Meio Ambiente, Mudança do Clima e Redução de Riscos de Desastres da OIM, em material divulgado pela iniciativa. Manguezais, encostas e cidades mais resilientes Entre as soluções apontadas pela parceria estão a restauração de manguezais, ampliação de áreas verdes urbanas, recuperação de matas ciliares em rios e lagoas e recomposição vegetal em encostas vulneráveis. A Fundação Grupo Boticário relembra, por exemplo, que manguezais conservados podem funcionar como barreiras naturais contra eventos extremos. “Estudos mostram que, a cada 100 metros de manguezal conservado, a energia das ondas pode ser reduzida em até 67%”, considera a gerente de projetos da fundação, Juliana Baladelli Ribeiro, em comunicado divulgado pela instituição. Dados da plataforma AdaptaBrasil, publicados em 2024, apontam que 66% das cidades do país apresentam baixa ou muito baixa capacidade de adaptação diante de eventos climáticos extremos. “É necessário ampliar o acesso dos municípios a instrumentos, conhecimento e redes de apoio técnico para implementar as Soluções Baseadas na Natureza”, enfatizou Baladelli. Migração climática no radar econômico Além do impacto humanitário, o avanço dos deslocamentos climáticos já aparece entre os principais riscos econômicos globais. O Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, cita os deslocamentos forçados entre os dez maiores riscos para a economia mundial no curto prazo. Para ampliar o acesso às ferramentas de adaptação, a parceria também aposta em capacitação técnica. Um dos destaques é o curso gratuito “Adaptação baseada em Ecossistemas em Instrumentos de Política Pública Municipal”, desenvolvido em parceria com instituições como a Fundação Getulio Vargas, a agência alemã GIZ e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Outra aposta é a plataforma Natureza ON, criada pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e com tecnologia da Google Cloud. A ferramenta utiliza dados públicos para mapear áreas de risco e sugerir soluções ambientais adequadas para diferentes vulnerabilidades climáticas. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere