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  "textContent": "\nEnquanto a Amazônia Legal ocupa papel estratégico na geração de energia elétrica do Brasil, cerca de 10% da população da própria região segue sem acesso adequado à eletricidade ou dependente de combustíveis fósseis caros e poluentes. A contradição é destaque do caderno Energia: as Amazônias na Agenda de Transição, publicado pela rede Uma Concertação pela Amazônia em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Segundo o estudo, divulgado nesta sexta (22), quase 3 milhões de pessoas vivem em sistemas isolados movidos a combustíveis fósseis ou enfrentam acesso irregular à energia elétrica. O problema atinge principalmente comunidades remotas, indígenas e tradicionais, afetando desde serviços públicos básicos até atividades econômicas locais. O levantamento aponta que mais de 84 mil estabelecimentos produtivos da Amazônia Legal ainda não têm acesso à energia elétrica. Para os autores, o cenário revela falhas estruturais nas políticas públicas voltadas ao setor. “Isso não é apenas um déficit de infraestrutura, é uma falha de desenho institucional. Sem considerar usos produtivos, organização coletiva e participação social, a política limita a geração de renda e impede que a energia cumpra seu papel no desenvolvimento territorial”, afirma Vinícius Oliveira da Silva, pesquisador do IEMA e um dos autores do estudo. O documento destaca um paradoxo do sistema energético brasileiro. Em 2020, os estados amazônicos responderam por 25,7% da geração nacional de eletricidade — majoritariamente renovável —, mas consumiram apenas 8,4% desse total. Ao mesmo tempo, quase um milhão de pessoas permaneciam sem acesso à energia e cerca de 3 milhões dependiam exclusivamente de fontes fósseis. Apesar da forte participação das hidrelétricas na matriz nacional, o cenário energético amazônico é diferente do restante do país. Enquanto mais da metade da geração brasileira vem de usinas hidrelétricas, na Região Norte esse percentual é inferior a um terço. As termelétricas representam 39,1% da geração regional, mais que o dobro da média nacional, inferior a 17%. Para Georgia Jordão, responsável pela área de Conhecimento da Uma Concertação pela Amazônia, a precariedade energética impacta diretamente direitos básicos e o desenvolvimento local. “O acesso à energia é um direito básico e condição essencial para o exercício da cidadania nas Amazônias”, afirma. “A falta de energia confiável compromete o armazenamento de vacinas, o funcionamento de escolas, o acesso a serviços públicos pela internet e a conservação de alimentos, além de limitar atividades produtivas locais.” A publicação também chama atenção para os impactos históricos de grandes empreendimentos energéticos na região, associados a conflitos fundiários, alterações territoriais e pressões sobre povos e comunidades tradicionais. Trabalhador faz manutenção de uma linha de transmissão em Altamira, PA. MarioTama/GettyImages \"Novo extrativismo\" Entre os novos riscos apontados está o avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Segundo o caderno, a expansão dessa fronteira energética ameaça áreas ambientalmente sensíveis, como recifes, manguezais e zonas de circulação de peixes e mamíferos marinhos, além de ampliar disputas territoriais. Outro ponto de alerta envolve os chamados minerais críticos, como terras raras, estratégicos para a transição energética global. A Amazônia Legal concentra cerca de 30% das reservas desses minerais no país. Desse total, 4,4% estão em terras indígenas e 14,9% em unidades de conservação. De acordo com o estudo, já existem 5.046 pedidos de exploração mineral registrados na Agência Nacional de Mineração. Desses, 1.205 incidem sobre áreas de impacto de terras indígenas e 1.207 se sobrepõem a 107 unidades de conservação. Os autores alertam para o risco de um “novo extrativismo” impulsionado pela demanda global por minerais necessários à transição energética, sem que haja garantias de proteção ambiental e participação das populações locais. Ao mesmo tempo, o caderno aponta oportunidades para um modelo energético mais inclusivo na região, baseado em soluções renováveis descentralizadas, como energia solar, bioenergia e sistemas de armazenamento. Segundo o estudo, integrar acesso à energia com fortalecimento da sociobioeconomia pode ampliar atividades produtivas locais, agregar valor às cadeias regionais e aumentar a resiliência climática das comunidades amazônicas. “A Amazônia sofre os impactos de um modelo de geração baseado em grandes empreendimentos, mas também é estratégica para o desenvolvimento de novos caminhos para a transição energética justa”, afirma Georgia Jordão. “Estamos diante de uma oportunidade de democratizar o acesso com fontes mais limpas e soluções mais adequadas às particularidades dos territórios amazônicos.” Para os pesquisadores, a transição energética na Amazônia precisa ir além da substituição tecnológica e considerar participação social, governança territorial e respeito à diversidade cultural da região. “A energia é instrumento real de cidadania, desenvolvimento e justiça social. Universalizar o acesso à energia na Amazônia exige mais do que expandir a rede. É preciso incorporar governança participativa, consulta prévia e adaptação territorial”, defende Vinícius Silva. Mais Lidas",
  "title": "Exclusão energética na Amazônia: três milhões de pessoas dependem de fontes fósseis, mais poluentes e mais caras"
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