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  "textContent": "\nEm 2026, o Alana celebra uma década desde a tradução do livro A Última Criança na Natureza de Richard Louv. Ao olharmos em retrospectiva, é fascinante notar o salto na produção de conhecimento. Se o autor, há vinte anos, encontrou apenas algumas dezenas de estudos sobre o tema, hoje navegamos em um mar de centenas de artigos científicos, dissertações e teses que comprovam os benefícios desse contato. No Brasil o tema já ancorava as investigações de educadoras que permanecem como referências fundamentais. É o caso de Lea Tiriba, que cunhou em sua tese de doutorado o conceito de 'desemparedamento das infâncias' — hoje adotado por inúmeras redes de ensino —, e de Maria Amélia Pereira, cujo trabalho na Casa Redonda Centro de Estudos segue inspirando gerações de pesquisadores. Hoje, acompanhamos com entusiasmo a expansão desse legado em grupos de estudo, laboratórios e coletivos que produzem um vasto espectro de conhecimento, unindo o rigor acadêmico à riqueza da investigação empírica, como mostram os exemplos descritos a seguir. O Laboratório Interinstitucional de Estudos e Pesquisas em Psicologia Escolar (LIEPPE-USP) atua na Orientação à Queixa Escolar (OQE) para acolher crianças e adolescentes com dificuldades no aprendizado. Embora queixas como “não acompanham a classe”, “atrapalham a aula” e “são desligadas” representem mais de dois terços dos atendimentos psicológicos de crianças e adolescentes, as intervenções tradicionais costumam individualizar e patologizar esses comportamentos, ignorando o papel adoecedor de certas dinâmicas escolares. Nesse contexto, o laboratório investiga como o acesso à natureza e a revisão das práticas pedagógicas podem transformar esse cenário e promover o bem-estar no ambiente escolar. Destaque para o livro Educação, infâncias e natureza: o que nos ensina a história, a escola e a vida, que sintetiza os aprendizados da pesquisa “Educação, infâncias e natureza: o que vivências de escolarização durante e após a pandemia de Covid-19 podem trazer de subsídios para políticas educacionais?” O Núcleo Ciência para a Primeira Infância premiou um estudo de mestrado desenvolvido dentro do Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) sobre aprendizagem infantil ao ar livre. De acordo com o estudo, as etapas da aprendizagem da criança podem ser potencializadas no brincar ao ar livre, com e na natureza, em um ambiente natural no qual a criança aciona todos os sentidos somatossensoriais e proprioceptivo/cinestésico, como cheiros, sabores, sons, cores, texturas, temperatura, posição do corpo no espaço – que formarão memórias corporais, sensoriais e afetivas por toda a vida. Já a organização Selvagem nutre uma comunidade de estudos sobre a vida, o movimento indígena Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos. Desde 2018, dedica-se a estudar, compartilhar, registrar e apoiar saberes indígenas, compondo diálogos entre ciências e artes, contribuindo para outros caminhos de educação, imaginando posturas regenerativas e não destrutivas de estar no mundo. Os saberes compartilhados por meio desse coletivo são um farol sobre experiências educativas que têm a relação com a Natureza como cerne de sua identidade. E em 2025 um estudo desenvolvido na Inglaterra trouxe uma informação nova, que pode contribuir para iluminar nossas ações nesse campo: a conexão humana com a natureza caiu 60% em 200 anos e o risco de “extinção da experiência” com o mundo natural está maior do que nunca, apontando para a necessidade de políticas urgentes para reconectar crianças e famílias aos espaços abertos e a vida ao ar livre. O tempo é agora. Mais do que nunca precisamos lutar pela Natureza, sempre ao lado das crianças, mas também precisamos percorrer as trilhas, nadar nos rios e no mar, tomar sol e nos apaixonar por tudo aquilo que chamamos de Natureza. Maria Isabel Barros, especialista em infâncias e natureza do Instituto Alana. Divulgação (*) Maria Isabel Barros é engenheira florestal e mestre em Conservação pela ESALQ/USP. É cofundadora da Outward Bound Brasil e atuou na Fundação Florestal do Estado de São Paulo. Desde 2015 é especialista em infâncias e natureza do Instituto Alana. Desde 2019 é Coordenadora do GT Natureza, Crianças e Adolescentes da Sociedade Brasileira de Pediatria. Mais Lidas",
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