Especialistas pedem que OMS declare crise climática emergência global de saúde pública
Um só Planeta [Unofficial]
May 18, 2026
A crise climática deve ser tratada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência global de saúde pública, no mesmo nível de pandemias como Covid-19 e mpox. O pedido foi feito por uma comissão internacional independente de especialistas em clima e saúde convocada pela própria OMS. De acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian, o grupo concluiu que o avanço das mudanças climáticas já representam uma ameaça direta à sobrevivência humana e exigem uma resposta coordenada internacional semelhante à mobilizada em crises sanitárias globais. A recomendação será apresentada a ministros europeus antes da Assembleia Mundial da Saúde, principal encontro anual da OMS, que começa nesta semana. Importância internacional Os especialistas defendem que a crise climática seja reconhecida como uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional” (PHEIC, na sigla em inglês), classificação reservada às ameaças sanitárias mais graves do planeta. O mecanismo já foi acionado anteriormente para doenças como Covid-19, Ebola e mpox. Para os integrantes da comissão, os impactos do aquecimento global sobre ondas de calor, enchentes, insegurança alimentar, poluição do ar e disseminação de doenças transmitidas por vetores, como dengue e chikungunya, já configuram uma crise sanitária internacional. “A crise climática pode não ser uma pandemia, mas continua sendo uma emergência de saúde pública que ameaça a própria saúde e sobrevivência da humanidade”, afirmou a ex-primeira-ministra da Islândia e presidente da comissão, Katrín Jakobsdóttir, em entrevista ao The Guardian. “Se não agirmos de forma mais rápida e abrangente, milhões de pessoas poderão morrer ou enfrentar doenças que mudarão suas vidas”. Saiba mais Hospitais sob pressão O relatório destaca que os sistemas de saúde foram construídos para uma realidade climática diferente da atual e já enfrentam dificuldades para responder ao aumento de eventos extremos. Professor de mudanças ambientais e saúde pública da London School of Hygiene & Tropical Medicine, Andrew Haines informou que muitos hospitais estão localizados em áreas sujeitas a enchentes e não foram projetados para suportar ondas extremas de calor. “Mesmo em um país como o Reino Unido, sabemos que muitos hospitais enfrentam dificuldades durante períodos de calor extremo”, disse Haines. “Muitos desses edifícios foram projetados antes das mudanças climáticas”. Haines é consultor científico da comissão. Os especialistas alertam ainda que, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem no ritmo atual, os impactos sobre a saúde devem acelerar nas próximas décadas, ampliando mortes relacionadas ao calor, doenças infecciosas, incêndios florestais e insegurança alimentar. Subsídios na mira O relatório também faz críticas diretas aos subsídios públicos destinados aos combustíveis fósseis. Segundo a comissão, petróleo e gás estão ligados a cerca de 600 mil mortes prematuras por ano apenas na Europa, principalmente, por poluição atmosférica. Ainda assim, países europeus seguem destinando centenas de bilhões de euros ao setor. “Os governos europeus estão subsidiando justamente as indústrias responsáveis pela morte prematura de seus próprios cidadãos”, enfatizou Jakobsdóttir. “Não é uma política energética sustentável. É, na verdade, uma falha de saúde pública”. Veículos circulam sob forte poluição atmosférica em área urbana: relatório apresentado à OMS associa combustíveis fósseis ao agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e mortes prematuras. Witthaya Prasongsin/Getty Images Além dos impactos físicos, o documento reconhece oficialmente a crise climática como um problema crescente de saúde mental, associado ao aumento da ansiedade, do estresse e da insegurança provocados por eventos extremos. Crise climática e saúde Para os autores do relatório, é necessário transformar a percepção global sobre o tema. “A mudança climática não está acontecendo em algum lugar distante, com outras pessoas, em um futuro distante”, considerou Jakobsdóttir. “Ela já está encurtando vidas em cidades europeias, enchendo hospitais e ampliando problemas de saúde mental”. O relatório afirma ainda que políticas climáticas como melhoria da qualidade do ar, ampliação do transporte sustentável, eficiência energética e alimentação mais saudável podem gerar benefícios imediatos à saúde da população, além de reduzir emissões. A comissão conclui que tratar a crise climática apenas como um debate ambiental já não corresponde à dimensão dos impactos observados atualmente sobre sociedades, sistemas de saúde e economias ao redor do mundo. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere