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  "textContent": "\nCriada no Acre, a pomada cicatrizante para cães e gatos desenvolvida a partir de ativos da floresta amazônica pela startup Cicapet combina pesquisa acadêmica, empreendedorismo e conhecimentos ligados à biodiversidade para acelerar a recuperação de feridas em pets. A tecnologia foi apresentada durante o Bioeconomy Amazon Summit 2026, feira realizada em Belém voltada à bioeconomia e à inovação na Amazônia. O evento reuniu startups, pesquisadores, investidores e instituições ligadas ao desenvolvimento sustentável da região. À frente da iniciativa, a fisioterapeuta com especialização em Saúde da Mulher e Oncologia, Adna Maia. O produto é a tese de doutorado de Adna, da Rede Bionorte, programa de pós-graduação da Amazônia. Antes mesmo de entrar no doutorado, ela já trabalhava com inovação aplicada à saúde. Durante o mestrado, desenvolveu pesquisas com fotobiomodulação em mulheres no pós-parto imediato, experiência que ajudou a construir o caminho para transformar ciência em produto. A ideia da pomada surgiu durante o doutorado, a partir de uma linha de pesquisa sobre o chamado “sangue de dragão”, substância natural conhecida por comunidades tradicionais amazônicas e estudada por suas propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. Inicialmente, o foco da investigação era outro, mas uma consultoria promovida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ajudou a direcionar o projeto para o mercado pet. “Eles orientaram a gente a pensar em um produto que pudesse entrar no mercado com mais rapidez. Foi aí que surgiu a ideia de desenvolver um produto para pets”, contou Adna, em entrevista para a reportagem, durante a feira. A partir dali nasceu a startup Cicapet. Com apoio do Sebrae, o grupo recebeu um aporte inicial de R$ 30 mil para os primeiros testes laboratoriais e estruturação da ideia. Segundo a pesquisadora, os experimentos começaram em ambiente controlado e avançaram para testes em animais. Os resultados chamaram atenção da equipe. “Quando a gente testou, observou os processos de cicatrização acontecendo em menos de 14 dias”, afirmou Adna. Além do “sangue de dragão”, a fórmula utiliza derivados da taboca amazônica, um tipo de bambu comum na região. Da planta é extraída a carboximetilcelulose usada como base do produto. A proposta é que a cadeia produtiva também ajude a movimentar a economia de comunidades tradicionais e agricultores familiares ligados ao manejo dessas matérias-primas. “Pensando na bioeconomia e na estruturação de cadeia produtiva, a gente começou a se envolver com comunidades e agricultura familiar. A ideia é valorizar essas famílias que já sobrevivem dessa matéria-prima”, reitera a pesquisadora. Os pesquisadores Marcelo Nunes, Adna Maia e Luis Eduardo Maggi durante apresentação de produtos desenvolvidos a partir da biodiversidade amazônica no Bioeconomy Amazon Summit 2026, em Belém. O grupo atua na criação de soluções que unem ciência, bioeconomia e empreendedorismo na Amazônia. Nilson Cortinhas De acordo com Adna, o grupo também trabalha em estratégias de reflorestamento para garantir o fornecimento sustentável dos ativos naturais usados na produção. “Tem colegas do grupo pesquisando justamente o reflorestamento dessas árvores para garantir a matéria-prima de forma adequada”, explicou. A expectativa da equipe é concluir até dezembro as etapas necessárias para validação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O processo inclui certificação, transferência de tecnologia entre universidades e patenteamento da fórmula. “Hoje o que falta são detalhes burocráticos ligados à certificação do Mapa. Todos os testes que fizemos ajudam a comprovar a robustez do produto”, afirmou Adna. Academia e sociedade A iniciativa é um exemplo dentro da Rede Bionorte, em que Adna finaliza o Doutorado, defendendo o produto para pets. A Bionorte reúne instituições da Amazônia Legal e busca justamente aproximar ciência, biodiversidade e soluções aplicadas para a região. O professor Luis Eduardo Maggi avalia que a experiência mostra um novo caminho para as universidades amazônicas. “Muitas teses acabam ficando paradas nas estantes, quando poderiam estar gerando emprego, renda e produtos para a sociedade”, considerou. Segundo ele, a parceria entre universidades, pesquisadores e empresas ainda é limitada no Brasil, especialmente na área da bioeconomia. “A gente precisa aproximar mais os empresários da universidade para que as pesquisas possam resolver problemas reais”, disse. Maggi destaca que a tese de Adna já soma indicadores relevantes dentro dos critérios acadêmicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), incluindo incubação da empresa e pedido de patente. Para o pesquisador, porém, o principal impacto está na capacidade de transformar biodiversidade em soluções concretas para a sociedade. “A chave para o sucesso da bioeconomia é estar muito bem conectado com a universidade, os empresários e a pesquisa”, disse. \"Esse tipo de iniciativa ajuda a mudar a percepção sobre o papel da ciência produzida na Amazônia\", complementou Maggi. O projeto também reúne pesquisadores de diferentes áreas. Entre eles, está o professor Marcelo Nunes, que atua como coorientador da pesquisa e trabalha com nanotecnologia aplicada a recursos amazônicos. Nunes explica que a própria taboca utilizada na formulação já vinha sendo estudada em outras aplicações tecnológicas, como nanotubos de carbono e biomarcadores usados em pesquisas médicas. “A gente trabalha para ter essa possibilidade de desenvolver produtos a partir de recursos amazônicos, mantendo a floresta em pé e associando isso à tecnologia de ponta”, afirmou. O caso da Cicapet mostra como a combinação entre pesquisa científica e empreendedorismo pode abrir novos caminhos para produtos sustentáveis desenvolvidos na Amazônia. “A Adna já tinha esse espírito empreendedor. A partir disso, conseguimos juntar pesquisas diferentes e gerar um produto que hoje estamos apresentando aqui no evento”, disse. Mais Lidas",
  "title": "Pomada criada por startup do Acre com ativos da Amazônia acelera cicatrização de pets"
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