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"textContent": "\nA poucos meses da entrada em vigor da nova lei antidesmatamento da União Europeia, a cadeia global do cacau enfrenta um desafio crítico para o comércio internacional: a dificuldade de rastrear a origem dos grãos produzidos na Costa do Marfim, a maior produtora mundial da commodity. Uma análise, divulgada na última terça-feira (12) pela organização britânica Trase, e repercutida pela Agência Reuters, mostra que apenas 48% das exportações marfinenses de cacau em 2024 podem ser rastreadas até as cooperativas agrícolas responsáveis pelo cultivo dos grãos. O restante passa por cadeias indiretas, com múltiplos intermediários, dificultando a verificação de origem e o monitoramento ambiental. A preocupação aumenta porque, a partir de dezembro, a nova legislação europeia, conhecida como EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), exigirá que empresas comprovem que commodities importadas, como cacau, soja, café e carne bovina, não foram produzidas em áreas desmatadas. Sacas de cacau no porto de Abidjan, na Costa do Marfim. A nova legislação da União Europeia amplia pressão por mecanismos de rastreabilidade visando identificar a origem dos grãos exportados e comprovar que a produção não ocorreu em áreas desmatadas. Philippe Lissac/Godong/Getty Images “A predominância de fornecimentos indiretos de cacau e a consequente falta de visibilidade sobre sua origem tornam muito difícil para as empresas enfrentarem problemas como desmatamento ou trabalho infantil”, afirmou a Trase, em entrevista para a Reuters. A Costa do Marfim responde por pouco mais de um terço da produção global da commodity, e a União Europeia compra cerca de 66% de seus grãos. Saiba mais Florestas sob pressão Segundo análises recentes, 79% das florestas do país africano foram perdidas ou degradadas entre 2000 e 2024. Durante boa parte desse período, a expansão das plantações de cacau foi responsável por quase metade da perda florestal. “Embora as taxas gerais de desmatamento na Costa do Marfim tenham diminuído na última década, isso ocorre em parte pela quantidade limitada de floresta restante”, destacou a Trase. O avanço do cultivo de cacau sobre áreas florestais se tornou um dos principais símbolos da dificuldade global em aliar produção agrícola, conservação ambiental e geração de renda para pequenos produtores. A regulamentação europeia vem sendo tratada como uma das medidas mais ambiciosas do mundo para reduzir emissões ligadas ao desmatamento. No entanto, o texto enfrenta resistência de países exportadores, incluindo Brasil, Indonésia e os Estados Unidos, que consideram as exigências complexas e de alto custo operacional. A própria União Europeia já adiou duas vezes a implementação completa da legislação diante da pressão diplomática e econômica. Tentativas de soluções O governo marfinense aposta em um sistema digitalizado de comercialização do cacau, com mecanismos voltados à rastreabilidade e validação da origem da produção. Países produtores argumentam que os custos da transição recaem, em grande parte, sobre agricultores de baixa renda, enquanto mercados consumidores exigem padrões ambientais cada vez mais rigorosos. O desmatamento é atualmente a segunda maior causa das mudanças climáticas no planeta – a queima de combustíveis fósseis é a principal. Mais Lidas",
"title": "Maior produtor do mundo, Costa do Marfim comprova origem sem desmatamento de menos da metade do cacau que produz"
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