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"publishedAt": "2026-05-11T17:46:38.000Z",
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"textContent": "\nOs níveis de alguns dos chamados “químicos eternos” diminuíram significativamente em ovos de aves marinhas no Canadá nas últimas décadas, de acordo com um estudo publicado na revista científica Environmental Science & Technology. A pesquisa identificou uma queda de até 74% na concentração de compostos PFAS em ovos de atobás-do-norte coletados na Ilha Bonaventure, no estuário do Rio São Lourenço, que é um dos maiores corredores hídricos da América do Norte. Os pesquisadores analisaram amostras acumuladas ao longo de 55 anos e observaram uma curva clara: os níveis de PFAS cresceram fortemente entre as décadas de 1960 e 1990, acompanhando a utilização dessas substâncias na expansão industrial, antes de começarem a cair após restrições internacionais e mudanças regulatórias nos Estados Unidos, Canadá e Europa. “Vemos esse aumento incrível até um pico em que as concentrações parecem ultrapassar os limites toxicológicos para essas aves, e depois há uma queda muito significativa”, ressaltou o ecotoxicologista do órgão Environment and Climate Change Canada, Raphael Lavoie, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “As regulações estão tendo um efeito positivo”. Os PFAS, sigla para substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, são usados, há décadas, na fabricação de produtos resistentes à água, gordura e calor. Estão presentes em itens como panelas antiaderentes, embalagens, tecidos impermeáveis e espumas de combate a incêndio. Conhecidos como “químicos eternos”, praticamente não se degradam na natureza e vêm sendo associados a problemas de saúde como câncer, alterações hormonais, doenças da tireoide, danos renais e redução da imunidade. No caso do estudo canadense, os níveis de PFOS, um dos compostos mais tóxicos, caíram de cerca de 100 partes por bilhão (ppb) para 26 ppb até 2024, uma redução de aproximadamente 74%. Já o PFOA teve queda de cerca de 40% no mesmo período. A mudança está atrelada ao endurecimento regulatório global. Um dos marcos foi a inclusão do PFOS na Convenção de Estocolmo, tratado internacional que restringe poluentes orgânicos persistentes. Empresas químicas também passaram a abandonar parte da produção desses compostos após pressão de órgãos ambientais. A pesquisa ajuda a mostrar como políticas ambientais podem produzir efeitos concretos mesmo diante de poluentes altamente persistentes. O atobá-do-norte, por exemplo, foi considerado especialmente vulnerável porque vive em uma região historicamente impactada pela poluição industrial proveniente da área dos Grandes Lagos. Apesar do avanço, os pesquisadores alertam que o problema está longe de acabar. A indústria química substituiu parte dos compostos antigos por uma nova geração de PFAS menores, que continuam oferecendo riscos ambientais, embora sejam mais difíceis de detectar em organismos vivos. Se não bastasse, os compostos já restringidos permanecem ativos no ambiente por décadas. “Isso reforça a importância de manter vigilância científica e regulatória contínua”, escreveram os autores do estudo, repercutido pelo The Guardian. A preocupação com os PFAS vem crescendo globalmente. Nos últimos anos, pesquisas encontraram essas substâncias em água potável, alimentos, chuva, gelo polar, sangue humano e até no leite materno. Em vários países, governos discutem limites mais rígidos para o uso industrial e para a presença dos compostos em sistemas de abastecimento de água. Mais Lidas",
"title": "‘Químicos eternos’ caem até 74% em ovos de aves marinhas após restrições ambientais, revela estudo"
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