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Maior mar interior do mundo, Mar Cáspio está desaparecendo com mais água saindo do que entrando; entenda

Um só Planeta [Unofficial] May 7, 2026
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A tendência é considerada definitiva. O mar Cáspio está encolhendo, afirmam cientistas, afetado pelo calor e intervenções nos rios que abastecem este corpo d’água de 371 mil quilômetros quadrados, uma área maior que o estado de São Paulo. O Mar Cáspio é, como diz seu nome, um mar. Porém, não está ligado a nenhum oceano: é o maior “mar interior” do mundo, cercado por países do Oriente Médio como Irã, Rússia, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão. Por ser um ambiente fechado, o nível das águas é completamente dependente dos rios que desembocam no Cáspio, e do regime de chuvas. Saiba mais Ocorre que, com o aquecimento do planeta, a água salgada deste mar solitário vem evaporando rapidamente, num ritmo que os rios, também com menos água, e ainda, interrompidos por obras humanas como represas, não conseguem repor. Projeções apontam para um recuo ainda maior ao longo deste século, com alguns modelos indicando uma possível redução de até 21 metros. "Para se ter uma ideia, uma queda de 18 metros, por exemplo, é maior do que a altura de um prédio de seis andares", explica Simon Goodman, biólogo evolucionista da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em entrevista à rede Deutsche Welle. "Um declínio desse porte teria impactos significativos sobre os ecossistemas, além de afetar a saúde humana, o bem-estar e a atividade econômica." G1: 'Vulcão de Lama' pode ter provocado explosão no Mar Cáspio, diz estatal Cerca de 80% da água doce do Cáspio vem do norte, por meio do rio Volga, na Rússia. Durante décadas, o volume que chega ao mar foi influenciado por represas, irrigação e outras formas de manejo hídrico, mas, segundo Goodman, o cenário atual é mais complexo. "As projeções para o restante deste século indicam que os declínios contínuos terão um componente muito mais forte relacionado às mudanças climáticas", afirma. O aumento das temperaturas globais, fenômeno associado amplamente à queima de petróleo, gás e carvão, está intensificando a evaporação do mar. Soma-se ao quadro a diminuição das chuvas e da vazão de água para a bacia do Volga. O resultado: mais água está saindo do Cáspio do que entrando. A porção norte deste mar já está rasa demais para a pesca, prejudicando comunidades russas e cazaques, nota a reportagem. “No nordeste, uma área que servia de abrigo para milhares de focas durante a mudança de pelos na primavera hoje é terra seca.” Em todo o Cáspio, portos vêm fazendo dragagens frequentes para manter o acesso de embarcações, explica o biólogo, acrescentando que esses desafios "devem se intensificar nos próximos cinco a dez anos". Grandes embarcações pesqueiras jazem encalhadas no que antes era a costa do Mar de Aral, na Ásia Central. O mar encolheu devido ao desvio das águas que o alimentavam para irrigação agrícola. David Turnley/Corbis/VCG via Getty Images Para Goodman, há sinais de que o Cáspio pode seguir o mesmo destino do Mar de Aral, localizado cerca de mil quilômetros a leste. Antes um dos maiores corpos de água interiores do mundo, entre Cazaquistão e Uzbequistão, o Aral praticamente secou após o desvio de seus rios. Além de destruir meios de subsistência e ecossistemas, o desaparecimento do lago teve consequências graves para a saúde humana, incluindo tempestades de poeira tóxica. Mais Lidas

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