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Guerra no Irã pode gerar dano de até US$ 1 tri para economia mundial enquanto petrolíferas dobram lucros, diz análise

Um só Planeta [Unofficial] April 30, 2026
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Na última terça-feira (28), a petrolífera britânica BP anunciou que os lucros da empresa nos primeiros três meses do ano mais que dobraram em comparação com 12 meses atrás, após a alta dos preços do petróleo desde o início da guerra com o Irã. Foram US$ 3,2 bilhões (R$ 17,5 bilhões) entre janeiro e março. Enquanto isso, o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial do combustível, tende a provocar um impacto sobre a economia mundial que deve ir de US$ 600 milhões (R$ 3 trilhões) a US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões), a depender dos desdobramentos do conflito, ainda indefinidos, aponta análise da organização 350.org, que examinou dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Saiba mais Ainda assim, a estimativa dos prejuízos provavelmente está subestimada, avaliou o jornal The Guardian, pois não inclui os efeitos indiretos da inflação, particularmente o aumento dos custos de fertilizantes e alimentos, a menor atividade econômica e o aumento do desemprego. Por outro lado, o conflito liderado pelos Estados Unidos, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, fez o preço do barril de óleo cru pular de cerca de US$ 70 (R$ 350) para atuais US$ 110 (R$ 550), sendo que o brent chegou em determinado ponto a US$ 120 (R$ 600), notou a BBC. Anne Jellema, diretora executiva da 350.org, lembrou que “nos próximos dias, as grandes petrolíferas divulgarão lucros astronômicos no primeiro trimestre, grande parte deles obtidos às custas de uma guerra que já matou milhares e empobreceu milhões. Mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto amanhã, uma quantia obscena de dinheiro continuará a fluir para os cofres do petróleo às custas das pessoas comuns que já lutam para pagar combustível, eletricidade e comida.” A organização defendeu a implementação urgente de um imposto sobre lucros extraordinários, que poderia arrecadar fundos para proteção social e investimentos em energias renováveis, mais baratas, limpas e confiáveis ​​do que as alternativas fósseis. Os dados foram divulgados em meio à primeira conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, em Santa Marta, Colômbia, onde mais de 50 nações, além de governos subnacionais e representantes da sociedade civil discutiram a formulação de metas para acabar com a dependência energética de gás, petróleo e carvão. Países amplamente afetados pela mudança climática expuseram suas críticas à reportagem do Guardian. “Declaramos estado de emergência por 90 dias em março devido à crise dos combustíveis fósseis”, disse Tina Stege, enviada para o clima das Ilhas Marshall. “O governo agora para às 15h todos os dias para economizar energia. E, à medida que a crise continua, somos forçados a considerar novas medidas para reduzir serviços, incluindo projetos de infraestrutura focados em resiliência, como diques e melhorias em aeroportos.” Muitas nações africanas, assim como o Brasil, têm combatido o aumento do preço do petróleo reduzindo os impostos sobre os combustíveis, o que frequentemente significa menores investimentos em saúde, educação e infraestrutura, “enquanto, na prática, concedem um subsídio às empresas petrolíferas”, destacou o jornal britânico. Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, afirmou: "Os cidadãos pagam por isso três vezes: na bomba de gasolina, por meio dos impostos e pelos danos que os combustíveis fósseis causam à saúde pública, ao planeta e às economias." Mais Lidas

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