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"textContent": "\nEm sua fala no segmento de alto nível da 1ª Conferência sobre a Transição Para Longe dos Combustíveis Fósseis, que está sendo realizada na Colômbia, o presidente do país, Gustavo Petro, afirmou que o mundo está ameaçado por um modelo “suicida” de capitalismo que está levando à guerra, ao fascismo e à potencial extinção da humanidade. O encontro, que reúne representantes de cerca de 60 países, ocorre em um momento de alta nos preços do petróleo e crescente pressão por segurança energética. No discurso, Petro culpou os interesses dos combustíveis fósseis por adotarem medidas cada vez mais desesperadas para impedir a transição para energias renováveis. “Há uma inércia no poder e na economia dessa forma arcaica de energia – os combustíveis fósseis – que leva à morte\", reporta o The Guardian. A dimensão do problema foi detalhada pelo assessor especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas para ação climática. “Três em cada quatro pessoas no planeta vivem em países que são importadores líquidos de combustíveis fósseis, expostos a choques que não criaram e não podem controlar”, disse Selwin Hart, de acordo com o Climate Home News. “A transição para longe dos combustíveis fósseis não é mais apenas um imperativo climático ou ambiental. É um imperativo de segurança, um imperativo econômico e um imperativo de desenvolvimento.” Multilateralismo O encontro é mais uma tentativa de destravar discussões que avançam lentamente nas conferências climáticas da ONU, as COPs. “Além das frustrações, fomos convocados hoje para superar a crise do multilateralismo”, disse a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez. “Precisamos de um multilateralismo sem vetos de fato”. Ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, durante a 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta. Divulgação/Transition Away Conference Na 30ª Conferências das Partes (COP30), realizada no Brasil, na cidade de Belém, uma proposta de roteiro global para eliminar combustíveis fósseis, intitulado mapa do caminho, foi bloqueado por países produtores e consumidores de combustíveis fosseis, sobretudo, a Arábia Saudita, Rússia, Índia e China. Divisão em Santa Marta Na Colômbia, divergências ficaram evidentes nas falas de governos e grupos sociais. Países produtores defenderam flexibilidade e cautela, enquanto organizações da sociedade civil e povos indígenas pressionaram por uma eliminação célere. A Nigéria explicitou a estratégia de transição gradual. “É ‘redução’ (phase down), não ‘eliminação’ (phase out), que abre espaço para a transição e a diversificação”. Já uma representante indígena trouxe uma das críticas mais fortes ao modelo em debate. “Não queremos ver outra forma de colonialismo disfarçada de transição justa”. “Não ficaremos parados enquanto nossas terras, nossas águas e nossos parentes não humanos sofrem para manter o status quo”. Dívida Um dos pontos que ganhou mais força no debate, e que deve nortear as próximas negociações, é o papel da dívida dos países em desenvolvimento. “Há muitos países produtores de combustíveis fósseis no sul global sendo pressionados a expandir a produção apenas para pagar suas dívidas”, disse Tzeporah Berman, membro da Fossil Fuel Treaty Initiative. A dívida africana, por exemplo, já supera US$ 1 trilhão, após dobrar nos últimos cinco anos. “Países que lutam para pagar juros não conseguem importar medicamentos, fertilizantes e tecnologia sem a receita dos combustíveis fósseis”, considerou Susana Muhamad, enviada especial para o tratado de combustíveis fósseis. “Uma transição justa é impossível enquanto países do sul global permanecerem presos a dívidas predatórias, insustentáveis e ilegítimas”, reiterou a filipina Lidy Nacpil. França Em meio às incertezas, a França apresentou o primeiro roteiro nacional detalhado para eliminar combustíveis fósseis. O plano estabelece metas claras: fim do carvão até 2030, do petróleo até 2045 e do gás até 2050. “Queremos ser a Arábia Saudita da eletricidade da Europa, vendendo elétrons verdes para o Reino Unido, Irlanda, Alemanha e outros países”, ressaltou o enviado climático francês, Benoît Faraco. Saiba mais O que está em jogo? A tendência é que a conferência não resulte em novos compromissos financeiros imediatos. Ainda assim, o encontro pode abrir caminhos práticos. “Santa Marta não era o lugar para anunciar grandes valores, mas é um espaço para discutir como redirecionar os US$ 1,5 trilhão em subsídios aos combustíveis fósseis”, avaliou Leo Roberts, do think tank E3G. “É preciso fechar o oxigênio financeiro dos combustíveis fósseis”, discursou Nick Robins, do World Resources Institute. Mais Lidas",
"title": "Em Santa Marta, Petro pressiona por transição acelerada de forma 'arcaica de energia que leva à morte'"
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